quarta-feira, 23 de maio de 2018

“O inimigo era uniformizado, hoje veste toga”, diz Hamilton Pereira ao lançar livro sobre ditadura




O período histórico marcado pela ditadura militar motivou um momento de reflexão hoje na Câmara dos Deputados, durante o lançamento do livro “A Repressão Policial-Militar no Brasil – O livro chamado João”. Dois dos nove autores da obra, Hamilton Pereira (Pedro Tierra) e José Carlos Vidal, estavam presentes na cerimônia e relataram, com emoção, as condições em que a obra foi elaborada em pleno regime militar. Ao mesmo tempo, traçaram um paralelo com a situação política atual do País.

“Esse livro é, em grande medida, um testemunho. Mas é, antes de tudo, uma tentativa de compreender a profundidade da tragédia que significou o golpe militar de 64, um cenário de horrores que se arrastou ao longo de 21 anos”, descreveu Hamilton Pereira.

Para ele, o livro pode contribuir na elucidação das recentes denúncias feitas pela CIA sobre a política de repressão durante a ditadura militar brasileira. “O livro oferecerá uma contribuição importante para elucidar isso, para desmistificar uma construção historiográfica de que a violência do regime era obra dos porões”, ressaltou.

O autor acredita que essa tarefa de desmistificar certos fatos será fundamental para que se possa desnudar o golpe parlamentar de 2016. “Essa é uma tarefa infinitamente mais difícil, porque é mais complexa. Uma coisa é a ditadura da farda, do canhão do fuzil, onde muitas vezes nos víamos, à época, que o inimigo era uniformizado. Hoje não, hoje o inimigo veste toga”, lamentou.

Para José Carlos Vidal o livro é um sobrevivente, tendo em vista as condições de cárcere em que foi escrito. “O livro foi elaborado na prisão em plena ditadura empresarial militar brasileira, sujeito a riscos diuturnos de apreensão por parte dos carcereiros e represálias a todos os presos políticos por conta disso. Ele sobreviveu a tudo isso”, orgulhou-se.

Sobre a atualidade da obra, Vidal destacou as semelhanças deste momento com a época em que foi elaborado. “O livro traz uma contribuição para entender a nossa história, e com ela tirar lições que serão fundamentais para eliminar algo que está surgindo agora na nossa cena política, que é o fascismo”, observou.

“O fascismo existiu na época em que ele foi elaborado aqui no Brasil. Ele está de volta. É muito preocupante isso. É preciso que nós tenhamos muita atenção, cuidado e muito foco nesse problema porque é inimigo fundamental de qualquer proposta de avanço político no País. Temos vários exemplos a respeito dessa emergência do fascismo no Brasil, e é preciso correr para matar o ovo da serpente”, alertou José Carlos Vidal.



Ao discursar em nome da Bancada do PT, o líder Paulo Lula Pimenta (PT-RS) exaltou a importância da obra. “Esse livro traz, além de um conteúdo fundamental de ser conhecido e debatido por nós, um testemunho de coragem, de ousadia, de desprendimento, porque foi uma obra escrita durante esse período bárbaro de intensa crueldade da ditadura militar no Brasil”, afirmou Pimenta.

Diante das últimas revelações feita pela CIA acerca desse período sombrio brasileiro, o deputado petista defendeu a necessidade de um debate profundo no Brasil sobre a ditadura militar. “Esse debate se torna um imperativo moral e ético. Os documentos que vieram a público nos últimos dias revelam uma relação subserviente do governo militar brasileiro com os EUA, que nos coloca no centro das definições e decisões a respeito das torturas e das execuções da ditadura. Isso  precisa ser conhecido em toda sua profundidade e compreendido na sua importância”, defendeu.

Benildes Rodrigues
Foto: Gustavo Bezerra/PT na Câmara

terça-feira, 22 de maio de 2018

46 dias de resistência, luta e solidariedade



Foto: Ricardo Stuckert

Nunca as palavras resistência, luta e solidariedade estiveram tão presentes na vida dos brasileiros. São 46 dias em que as ideias “Lula Livre”, “liberdade para Lula” e “Free Lula” simbolizam as atividades e atos que acontecem no Brasil e no mundo. Indignados, movimentos sociais, personalidades da vida política nacional e internacional e artistas se levantam em defesa do ex-presidente Lula, que se encontra como prisioneiro político dos algozes da democracia que vestem togas e utilizam tribunais para a caçada política sem precedentes. Nesta terça-feira (22), já se completam 46 dias que Luiz Inácio Lula da Silva é mantido como preso político em Curitiba.

Não se pode pensar na palavra resistência sem associá-la aos bravos guerreiros que se encontram no acampamento ‘Marisa Letícia’ e na ‘vigília Lula Livre’ nas imediações da Polícia Federal em Curitiba e, cotidianamente, fazem ecoar o ‘Bom dia e o boa noite, presidente Lula’. Gritos de amizade e de amor que chegam todos os dias aos ouvidos do ex-presidente Lula.

Muitos deixaram as suas casas, famílias e amigos para estarem ao lado do ex-presidente. São homens, mulheres, jovens e crianças que encontraram no acampamento ‘Marisa Letícia’ e na ‘vigília Lula Livre’ a forma de demonstrar carinho, amor e gratidão a Lula.

“Eu estava muito triste. A casa não estava cabendo em mim, tive que vir para defender o Lula, disse dona Conceição, de 82 anos.

É assim que essas centenas de pessoas de diferentes regiões do Brasil enfrentam frio, calor e chuva para levar solidariedade e alegria ao estadista, ao governante que olhou o seu País de forma humanizada e foi condenado sem provas, colocado no cárcere inocentemente. Mesmo preso ele não está sozinho. Essa é a mensagem que aqueles que abriram trincheira na Praça Olga Benário em Curitiba passam ao País e ao mundo.

Cronômetro da injustiça – A vida dos algozes do ex-presidente Lula não será fácil, é o que assegurou o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República Gilberto Carvalho na última semana, quando ele estendeu na frente do Supremo Tribunal Federal (STF), o cronômetro da injustiça – uma faixa de mais de dois metros de cumprimento denunciando os dias que o ex-presidente se encontra preso arbitrariamente.

“Esta faixa é para dizermos ao STF que eles não terão sossego ou descanso enquanto essa injustiça continuar. Lula é inocente, queremos Lula presidente”, avisou Gilberto Carvalho.

Free Lula – Manifestantes de várias partes do mundo também se insurgiram contra a prisão do ex-presidente Lula, nesses últimos 46 dias.  Em cidades como Londres, Oslo, Bogotá, Washington, Santiago, Nova York, Berlim, Madri, Bruxelas, Dublin, Frankfurt, Montevidéu, Buenos Aires, entre outros realizaram manifestações contrárias à prisão e exigiram liberdade para Lula com o slogan “Free Lula”.

Manifesto – Também na semana passada, um grupo de políticos europeus divulgou documento em que denunciam a “situação alarmante” pela qual passa o ex-presidente Lula e o Brasil. “Nenhuma oposição política poderia justificar a denegação democrática que reina hoje no Brasil. Nenhum processo judiciário deve ser utilizado para fins políticos, a fim de reduzir ao silêncio um líder carismático porque este incomoda”, diz o texto.

“É por isto que convocamos os democratas do mundo inteiro a reagir, e nos associamos a todas as forças políticas, sindicais e sociais, bem como a todos os brasileiros e brasileiras que se oponham à detenção arbitrária do ex-presidente Lula”, finaliza o documento.

Benildes Rodrigues

terça-feira, 15 de maio de 2018

Petrobras: Resistir para não entregar



O desmonte do Estado brasileiro e as privatizações são marcas do governo de Michel Temer. A bola da vez dos golpistas é a maior e mais importante empresa petrolífera brasileira de óleo e gás, a Petrobras. Não é de hoje que os golpistas tentam entregar de bandeja ao capital internacional a mais valiosa estatal brasileira. Contra essa tentativa, mais uma trincheira de resistência se ergueu na semana passada: a campanha “O Petróleo é do Brasil” foi lançada no Congresso Nacional, com o intuito de denunciar e impedir a venda da estatal.

“O golpe de Estado no Brasil em 2016 teve como objetivo central apropriar-se tanto do pré-sal, a maior jazida de petróleo descoberta nas últimas décadas no mundo, como da Petrobras, uma das principais empresas mundiais do setor petrolífero. Para isso, o imperialismo econômico promove uma ‘guerra híbrida’ contra o Brasil a fim de destruir o Estado nacional e apropriar-se do pré-sal. Para os estrangeiros, não interessa um país soberano e independente”, diz o manifesto de lançamento da campanha.

A iniciativa visa impedir que o País seja submetido novamente à liquidação promovida pelos tucanos na década de 90, ocasião em que as empresas nacionais foram entregues à iniciativa privada a preço de banana, como a Vale do Rio Doce. A liquidação da Petrobras com o governo golpista começou com a venda do Campo de Carcará – uma das maiores reservas de petróleo no bloco do pré-sal na Bacia de Campos – para a estatal norueguesa Statoil. Uma verdadeira dilapidação e entrega do patrimônio público às petrolíferas internacionais.

Não foram poucos os alertas que parlamentares da Bancada do PT na Câmara fizeram sobre a crise internacional que o setor de óleo e gás vinha passando, mostrando que o que acontecia no Brasil era reflexo dessa crise. A entrega do pré-sal para as multinacionais petrolíferas faz parte de um conluio entre o governo e setores da mídia que golpearam o País. Por sua vez, o pré-sal é parte do pagamento do golpe, que teve como um dos capítulos o impeachment da presidenta legítima Dilma Rousseff.

“A mídia golpista deste País tentou convencer o povo brasileiro de que a Petrobras está quebrada e que lá é um antro de corrupção. Não há nada mais errado do que isso, nada mais golpista do que isso. Induziram o povo brasileiro ao erro”, denuncia o deputado Carlos Lula Zarattini (PT-SP), que em vários momentos alertou a sociedade brasileira para o fato de a Petrobras estar sendo alvo de uma campanha midiática e que a situação de dificuldade da empresa era conjuntural.

O deputado observa que o fatiamento da Petrobras, juntamente com a privatização de outras estatais e de riquezas nacionais, como o pré-sal, insere-se numa lógica subalterna do governo ilegítimo de Temer, que visa basicamente a destruir direitos do povo brasileiro e agradar aos interesses do setor financeiro e de grupos estrangeiros. “O momento é crucial: ou resistimos ou vamos nos tornar uma mera colônia exportadora de matérias primas”, finaliza Zarattini.

Benildes Rodrigues

sexta-feira, 11 de maio de 2018

13 milhões de desempregados é um dos saldos da Reforma Trabalhista




Às vésperas de completar seis meses de vigência, a Reforma Trabalhista traduzida na Lei 13.467/2017 – enfiada goela abaixo do trabalhador brasileiro, pelo governo ilegítimo de Michel Temer, não melhorou a vida dos trabalhadores. Pelo contrário, acentuou a crise econômica, ao agravar ainda mais a concentração de renda, o desemprego e a desigualdade social. Esse é o entendimento de parlamentares da bancada do Partido dos Trabalhadores que participaram da comissão especial que tratou sobre o tema na Câmara dos Deputados. Nesta sexta-feira (11) a aprovação da reforma completa meio ano.

“Antes dessa reforma, nós já tínhamos a crise da terceirização, a crise econômica. Ela [a reforma] trouxe o desemprego que acentuou ainda mais essa crise. Então, essa reforma compromete o crescimento do País, o consumo e a saúde dos brasileiros. E, sobretudo, o sonho e a possibilidade desse brasileiro crescer. Estamos vendo as famílias morando no meio da rua, resultado da reforma Trabalhista”, avaliou a deputada Benedita Lula da Silva (PT-RJ), pontuando os dispositivos da lei que levam ao empobrecimento da classe trabalhadora, como são os casos dos contratos de trabalhos temporários ou o regime parcial de jornada e o trabalho intermitente que reduz drasticamente o valor da remuneração.

Para líder da Oposição na Câmara, deputado José Lula Guimarães (PT-CE), um dos articuladores para a derrubada do projeto nefasto do governo golpista, a Lei 13.467/2017 é a síntese da falácia sustentada pelos aliados do Temer que diziam que a proposta salvaria os empregos dos trabalhadores. “O saldo de seis meses da reforma são 13,7 milhões de desempregados, que perderam emprego com carteira assinada. Os golpistas diziam que a reforma era para gerar emprego. Essa reforma é a desconstituição do estado nacional dos direitos sociais dos trabalhadores, que acabou com a nossa CLT e colocou a selvageria na relação entre capital e trabalho. Portanto, essa reforma precisa ser anulada. É um desserviço ao trabalhismo brasileiro”, sentenciou Guimarães, ao lembrar que a lei não propicia reais condições de combate ao desemprego, à informalidade e à alta rotatividade.

O negociado sobre o legislado também é um dos pontos que prevalece na Lei 13.467/2017. Ou seja, os acordos ou convenções coletivas de trabalho entre o sindicato patronal e o de trabalhadores vão se sobrepor ao que rege a CLT. Na prática, tudo o que estiver na CLT poderá ser alvo de negociação, ou seja, o negociado terá prevalência sobre o legislado.

“Não se trata de uma reforma, trata-se do fim do Direito do Trabalho no Brasil e as consequências são visivelmente constatadas, com o aumento do desemprego, com rebaixamento dos salários, além de haver uma perda de espaço, de presença e de participação dos sindicatos que são muito importantes para nós preservarmos o regime democrático”, alertou o deputado Patrus Lula Ananias (PT-MG) que também foi membro da comissão especial que estudou a matéria.

Na avaliação do deputado Leonardo Lula Monteiro (PT), outro mineiro que atuou ferrenhamente para barrar a agenda golpista de Michel Temer, a nova lei trabalhista “piorou muito a situação para a classe trabalhadora”. Para o deputado, nome correto da legislação não é reforma, e sim, antirreforma.

“Essa lei retrocede ao período anterior a Getúlio Vargas. Com essa nova legislação, que eles estão chamando de Reforma Trabalhista, é permitido o trabalho intermitente, em que o trabalhador recebe menos do que um salário mínimo. Permite à mulher gestante trabalhar em área insalubre, de alta periculosidade. Portanto, isso é absurdo. Temos que debitar na conta desse governo golpista, da Reforma Trabalhista, os 13 milhões de desempregados que temos no País”, contextualizou o petista.

Estatuto do Trabalho – Foi lançado nesta quinta-feira (10), no Senado Federal, a proposta de Estatuto do Trabalho. O relator do projeto, senador Paulo Paim (PT-RS), disse que a proposta tem como objetivo recuperar direitos perdidos com a Reforma Trabalhista, a partir de amplo debate com a sociedade.

O Estatuto é uma sugestão legislativa (SUG 12/2018) que será apreciada pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado (CDH). Após aprovação, a sugestão passará a tramitar como projeto de lei e será votada no Senado e na Câmara dos Deputados.



Saiba mais sobre a proposta do Estatuto do Trabalho:

https://ptnosenado.org.br/paim-e-entidades-apresentam-o-estatuto-do-trabalho-a-nova-clt/

Benildes Rodrigues

terça-feira, 8 de maio de 2018

"Bem faz você que não olha para baixo para não deixar de ver estrelas", diz João Paulo Cunha em carta ao Lula:


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Por João Paulo Cunha

Há um mês você suporta de pé uma grande injustiça. Nesse tempo teus algozes continuam agachados e ruborizados com seus próprios atos. Eles ainda não perceberam que prenderam um homem e nasceu um mito, uma lenda! Agora, virou história. E para os mandões de togas, becas ou gravatas afrancesadas (independentemente da cor da camisa) sobraram o lixo e o rodapé de um livro qualquer, num ano do futuro.

Há coragem no entorno de seu cativeiro. Ela se mistura às flores das quaresmeiras curitibanas caídas pelas ruas da cidade e exala perfume de amor com causa e lufadas de solidariedade vindas do Brasil inteiro.

Os estampidos dos tiros (balas encharcadas de ódio) na direção da improvisada aldeia, a violência de um delegado psicopata e fascista e os gritos raivosos não impediram que um fio de lua minguante mostrasse sua cara no céu, iluminando homens e mulheres que, na escuridão azulada e com um friozinho de outono, disseram: boa noite, Presidente! Mais uma vez a esperança vence o medo.

Mas vivemos tempos que não imaginávamos viver, companheiro Lula. Não acreditávamos que a escuridão poderia sombrear nossa estrela. Que ilusão! Sombreou, mas não apagou! Ainda há luz, brilho, sonhos e projetos. Mas que luta, amigo!

Bem faz você que não olha para baixo para não deixar de ver estrelas.

Há lições a aprender: canalhas também têm coragem. Assinam sentenças, expedem mandados, publicam teses, livros, artigos e proferem palestras. E se não bastasse, são campeões em tudo: na moral, nos costumes, na honestidade, e até na fé.

Contudo, ainda há de se acreditar na Justiça. Não dos que guardam na lapela da toga o ódio de classe. Nem dos que bendizem a Bíblia para subverter o mandamento de Deus, tomando o seu santo nome em vão. Muito menos nas tintas das canetas de escribas envenenados. Esses querem a Justiça de olhos vendados.

Apesar da crueza dos tempos, você encanta o mundo e sua força anima milhões de pessoas. Mas você sofre, Lula!

Carta de João Paulo Cunha ao Lula. Coçou os olhos e assobiou quietinho no seu canto uma música de Luís Gonzaga, que dizia assim: “Tudo em vorta é só beleza/ Sol de abril e a mata em frô/ Mas assum preto, cego dos oio/ Num vendo a luz, ai, canta de dor”.

Certamente Deus entendeu. Os guardas entreolharam-se e você chorou.

Suas lágrimas encharcaram aquele travesseiro de fronha branca que você vem reclamando que é muito baixo, mas não havendo outro é com este mesmo que dorme. Você virou do lado, fechou os olhos para o escuro e dormiu.

Aqui de fora ficamos acordados na ilusão de te proteger. Nos sentimos impotentes, mas não desgrudaremos de você.

São trinta dias de lembranças. Às vezes ela – a lembrança - entra na cela por um fio de vento frio, característico de Curitiba, te obrigando a buscar um cobertor, se aquecer e falar: Marisa.

Nós aqui lembrando por onde você passou, o que você falou e tudo que você fez. Você sabe o que fez, para quem fez, quando e como fez. Os mais pobres e os solidários sabem e aplaudem. Os hipócritas, verdugos e preconceituosos sabem, mas não reconhecem. A inveja cega-os e o recalque cala-os.

Sabemos também da autocrítica que você não fez.

Teus companheiros disseram que estávamos numa guerra e que você era o troféu final. Você não escutou. Ah, Lula, alertamos da ilusão dos engravatados, do bom vinho oferecido, das mentiras de candidatos às vagas de ministros e dos puxa-sacos. Alguns subiram tanto, Lula, que num determinado tempo nem te reconheciam mais. Outros voltam a rondar sua estrela.

A vida é dura, companheiro! Acompanhamos seus milhares de passos até aqui. Vimos muitas terras pisadas por você. Tantas mãos apertadas. Observamos abraços confortantes e outros tantos falsos. Presenciamos brindes, regalos e acenos de mãos. Vimos também suas derrotas, seus sofrimentos e seus abatimentos. Alegramos nas suas vitórias, enxergamos felicidade e nos espantamos com sua fortaleza. Seus olhos brilharam na África. Os abraços dos parceiros da América Latina, as conversas com os amigos europeus e acima de tudo a alegria e confiança no povo brasileiro eram combustíveis para sua luta.

Agora, te acompanhamos nas caminhadas de lá para cá e de cá pra lá, realizadas em cinco metros do mundo que pensam que te prenderam: não se prendem ideias. Elas voam!
De longe vemos escorrer pelos cantos das bocas dos seus algozes um prazer meio mórbido e doentio. Sei que você sente pena, mas eles são cruéis, Lula. Jesus deu a outra face, mas ele era Deus. Você devia ter seguido o ensinamento da Dona Lindu: Luís Inácio, não bata em ninguém, mas não apanhe.

Para além do ódio eles pensam em apagar o seu tempo. Desconhecem a história e os ensinamentos. Você já escreveu com tintas de sofrimento sua parte na história. E aprendemos que aos covardes, falsos, fascistas e entreguistas – repetimos - o lugar é o lixo.

Mas Lula, o que estará acontecendo? Será uma recorrência da triste história brasileira? Getúlio, Juscelino, Tiradentes, Jango, Zumbi...

Será repetição da vida de Mandela, Peron...?

Ah! Precisamos te falar: peça cautela ao seu partido. Você é o motivo da unidade e em seu nome ninguém pode provocar a dispersão.

Agora, quando a noite chega de novo, sentimos uma bruma carregada de sentimentos positivos a embalar seus pensamentos. Você caminha até uma janela que dá para lugar nenhum. Ouve um som bem longe. Devagarinho, reparamos de novo nas quaresmeiras de maio. Elas despejam suas flores roxas nas ruas da cidade. Mandam sinais aos juízes que te condenaram, mostrando que a mentira e a hipocrisia não geram flores, nem perfume. Não cobrem as ruas e nem fazem sombras. A toga desbota com o tempo e a sentença pronunciada numa voz com ira não alcança outro outono. Vira arquivo.

Você não esperará sua morte num prédio cafona, azul desbotado, num cubículo de quinze metros! Fique firme, companheiro. Os braços do povo brasileiro te aguardam!

João Paulo Cunha, 7 de maio de 2018.
Foto: Divulgação

terça-feira, 17 de abril de 2018

A injustiça veste toga, a esperança veste Lula!




foto: Ricardo Stuckert

Alegria de poder estar ao lado do melhor presidente que este País já teve, apesar do momento adverso, foi o que presenciamos em uma semana em que estivemos no acampamento Lula livre. Alegria movida à solidariedade e esperança é o que se vê no semblante de centenas de pessoas que estão e passam pela Praça Olga Benário, assim batizada pelos ocupantes do espaço que fica a 100 metros da sede da Polícia Federal em Curitiba – lugar de cárcere do ex-presidente Lula. “Não se pode ficar triste. É preciso ficar forte para passar esse nosso sentimento para o presidente Lula”, disse um senhor de 60 anos que visitava o acampamento, mas não quis se identificar.

Não dá para pensar na palavra resistência sem associar aos bravos guerreiros que se encontram acampados nas imediações da PF. Chamados de baderneiros pela elite golpista, eles não passam de homens, mulheres, jovens e crianças que deixaram seus lares, cidades para ficar próximos ao presidente, e encontraram no acampamento Lula Livre a forma de demonstrar carinho, amor e gratidão, e dizer ao ex-presidente Lula: ‘Eu te amo!’ ‘Nunca vamos te abandonar!’ ‘Estaremos sempre juntos!’ ‘Você fez muito por nós, agora é a nossa vez de retribuir!’. É essa demonstração de afeto que se alia ao ‘Bom dia, presidente Lula’, grito de amizade e amor que ressona todas as manhãs e chega aos ouvidos do ex-presidente.

Manter a alegria na dor. É assim que essas centenas de pessoas de várias partes do Brasil enfrentam frio, calor, chuva para levar solidariedade e alegria ao estadista, ao governante que olhou o seu País de forma humanizada e foi condenado sem provas, colocado no cárcere inocentemente. Mesmo preso ele não está sozinho. Há mais de uma semana que os bravos guerreiros abriram uma trincheira na Praça Olga Benário. Ali, eles entoam canções e fazem batucada, tudo para alegrar o presidente. Os familiares de Lula, que o visitaram recentemente, contaram que todos os dias ele ouve a saudação carinhosa de seu povo.

As pessoas que estão acampadas ou que visitam o acampamento alimentam, cotidianamente, o presidente Lula de amor. Esse sentimento é o que sustenta tanto Lula, quanto as pessoas que sofrem e choram com sede de justiça.

Há no acampamento uma rotatividade de manifestantes. Todos os dias chegam ônibus de todos os cantos do País. Por exemplo, as donas Zeni e Vanessa, cozinheiras de mão cheia do acampamento - e que tinham como lema cozinhar com amor para o povo do Lula, chegaram quando o acampamento foi montado, mas já retornaram às suas cidades de origem. Elas partiram, mas foram substituídas por dona Isabel, uma baiana ‘arretada’ que ontem (15) cozinhou para mais de 200 pessoas.

Isabel Almeida de Jesus, 62 anos, que atua em uma das cozinhas, disse que prepara comida para que as pessoas tenham “forças pra lutar e gritar Lula livre”. “Estamos todos aqui na luta para ver o nosso presidente livre e contar, como sempre, com todo o seu apoio. Ele foi um presidente muito importante para mim e para nós todos. Lula, eu te amo muito, muito...Eu preciso de você”, disse emocionada dona Isabel.
A injustiça veste toga, a esperança veste Lula!

Foto: Eduardo Matysiak


Benildes Rodrigues

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

“Não é possível prender a esperança”, diz Lula





Durante lançamento da sua pré-candidatura à Presidência da República, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em discurso memorável, mandou na noite desta quarta-feira (21), em Belo Horizonte, um recado àqueles que o perseguem de maneira acintosa, num processo judicial sem provas ou consistência. “Eles vão aprender que não é possível prender sonhos. Eles vão aprender que não é possível prender a esperança”, afirmou emocionado o ex-presidente.

No decorrer do discurso, Lula disse que não sabe o que vai acontecer na Justiça, após a decisão do TRF-4, que o julgou e o condenou à revelia de qualquer prova – o que, segundo ele, produziu uma decisão que não merece respeito. “Eu quero dizer que não respeito a decisão que foi tomada contra mim porque sei que ela é mentirosa, política e não está embasada nos autos do processo”, definiu o ex-presidente.

“Se eu respeitar a decisão deles, quando a minha bisneta de seis meses tiver 16 anos, ela não vai respeitar o bisavô dela, e respeito é uma coisa que faz parte do caráter do ser humano”, observou.

O presidente Lula detalhou a trajetória de ações dos poderes constituídos para tirá-lo do páreo nas eleições presidenciais deste ano. Segundo ele, a rede de mentiras foi construída tendo como coparticipes, setores do Poder Judiciário, Ministério Público, Polícia Federal e parte da imprensa brasileira, sob o comando da Rede Globo e da revista Veja.

“Eles resolveram: ‘nós precisamos evitar que o Lula volte’. Porque não tem nenhum sentido dar o golpe que eles deram na Dilma e deixar o Lula voltar três anos depois”, sentenciou.

A partir daí, o ex-presidente contou que todo esse plano seguiu um script:  “Primeiro a imprensa mente, a Policia Federal monta o inquérito em cima da mentira. Esse inquérito mentiroso vai para o Ministério Público, que faz a acusação mentirosa ao juiz, que, em vez de recusar, aceita. A cada pedido, a imprensa vai transformando a mentira em verdade”, denunciou.

No entanto, Lula observou que a perseguição da qual ele é vítima não tem tido êxito, porque o povo brasileiro o conhece. “Eles estão lidando com um ser humano diferente. Eu sou a encarnação de um pedacinho de célula de cada um de vocês”, orgulhou-se Lula.

“Quero dizer aos meus algozes: prendam a minha carne, mas as minhas ideias continuarão soltas”, frisou o ex-presidente, que ainda mandou mais um recado: “Quero dizer para eles que estou candidato!”.

Benildes Rodrigues

Foto: Ricardo Stuckert