sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Lula: Não há Globo da vida que consiga desmontar as conquistas do PT



Foto: Max D'Oliveira

Não foram poucos os momentos de emoção que marcaram a caravana de esperança “Lula pelo Nordeste. Durante 20 dias, foram quase cinco mil quilômetros rodados, da Bahia até o Maranhão. A equipe de comunicação da caravana, num ônibus carinhosamente apelidado de “Busão 3”, se desdobrou para cobrir os atos não planejados que os populares improvisavam na beira da estrada. As lentes das câmaras registraram ali o olhar do povo sofrido, do sertanejo, do ribeirinho, do pequeno agricultor, do trabalhador rural – que um dia puderam ser incluídos na agenda, no orçamento do país e que, agora, voltaram a refletir esperança no encontro com Lula, que sintetiza a esperança. Esse brilho no olhar pode ser visto na Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e no Maranhão.

O sucesso da caravana Lula Pelo Nordeste não foi contado em verso e nem em prosa pela grande mídia brasileira, mas o Brasil e o mundo tomaram conhecimento através da mídia alternativa e da imprensa internacional, que deram grandes destaques a esse momento político que marcou o cotidiano do povo nordestino nos últimos dias.

Durante o seu percurso final, a equipe de jornalistas que acompanhou a caravana foi surpreendida pela visita de Lula no “Busão 3” e que, em um bate-papo descontraído, falou entre outros assuntos, sobre o papel da mídia alternativa na divulgação desse feito histórico. “O dado concreto que está ficando cada vez mais claro é que nós não precisamos nos submeter aos caprichos das grandes emissoras de televisão. A gente sobrevive sem elas”, cutucou Lula.

Por BENILDES RODRIGUES

Equipe Caravana – Qual a sua opinião sobre o papel que a mídia alternativa desenvolveu nessa caravana?

Lula – Eu acho que é a primeira experiência viva de uma competição. Eu quando resolvi fazer essa caravana, não tive nenhuma expectativa em relação à grande imprensa, da mesma forma que não tive com a caravana da cidadania em 92/93. Se eu fosse analisar o comportamento da imprensa, não faria essa caravana. Além da força que vocês estão dando à caravana e à seriedade da cobertura, isso fez até que alguns meios de comunicação acompanhassem a caravana. Talvez para falar mal, mas vieram.

Equipe Caravana – E a cobertura internacional?

Lula – Mais uma vez a imprensa estrangeira está dando um banho na imprensa brasileira. A matéria do jornal inglês, The Guardian é muito boa, mostra um pouco da realidade do que está acontecendo. Porque quando você faz uma coisa dessas, a gente quer que as pessoas vejam as coisas positivas, e a gente quer que as pessoas retratem a verdade.

Equipe Caravana – A mídia nativa ignorou esse feito histórico?

Lula – Eu sei que alguns setores da imprensa tentaram negar os atos ocorridos nas cidades ao fazerem fotos tendenciosas, bem antes deles começarem, para mostrar praças vazias. Nada disso me abala porque eu sei qual a relação do povo comigo.

Equipe Caravana – E qual é…?

Lula – Aqui, sobretudo no Nordeste, há um despertar de esperança muito forte. A gente percebe a necessidade que as pessoas têm de terem confiança, de acreditar de novo. E eu passo isso para as pessoas.
Equipe Caravana – A imprensa alternativa contribui com isso?

Lula – Sim. Aí o papel da imprensa alternativa é extremamente importante. Eu acho que cada vez mais a gente tem que mostrar esse tipo de comunicação. Acho que pode ser primário, mas o dado concreto, e que está ficando cada vez mais claro, é que nós não precisamos nos submeter aos caprichos das grandes emissoras de televisão. A gente sobrevive sem elas.

Equipe Caravana – Como o senhor avalia esta caravana, comparada com a caravana anterior, da cidadania?

Lula – Na primeira caravana eu era uma pessoa conhecida, mas não tinha tido a experiência de governar o Brasil. Então, essa caravana de agora fez com que eu me encontrasse com parcela da sociedade que sabe de cor e salteado aquilo que foram as políticas sociais do meu governo.

Equipe Caravana – Nesse caso, há por parte da mídia uma má vontade em relação às transformações que o senhor promoveu no país?

Lula – O que mais me impressiona é a tentativa da grande imprensa de desmontar o legado da passagem do Partido dos Trabalhadores pelo governo. Eles não conseguem. Aonde as pessoas participam dos programas do governo, é impossível a imprensa tentar desmontar, porque as pessoas se beneficiaram de fato.

Equipe Caravana – Quais foram esses programas?

Lula – As pessoas têm na cabeça o valor das políticas de inclusão, a começar pelo Bolsa Família, que é o mais importante e inclusivo dos programas. Depois, tem a questão do emprego, do salário mínimo, o Pronaf, o Luz para Todos – todos são programas que tocaram muito fundo a vida e a alma das pessoas. Então, não há Globo da vida que consiga desmontar isso.

Equipe Caravana – Nesta segunda caravana o senhor sentiu o desalento da sociedade com a perda das conquistas provocadas pelo governo ilegítimo de Temer?

Lula – Houve conquistas na sociedade no campo socioeconômico e eles estão sentindo, agora, que estão perdendo aquilo que foi o acúmulo de conquista. Eles começaram a perder com a diminuição de recursos para o Bolsa Família, para o crédito estudantil, para a educação e para os programas sociais. Essa é outra coisa que notei muito forte.

Equipe Caravana – O povo deposita no senhor a esperança de mudança…

Lula – Eu fico lisonjeado com a expectativa que as pessoas têm que a gente possa resolver a crise brasileira. Olha, eu estou convencido que a gente pode resolver a crise. Eu acho que a crise que estamos vivendo no Brasil, primeiro, é uma crise de compromisso – as pessoas que estão exercendo mandato não têm compromisso com o povo. Outra questão é de credibilidade. O Brasil tem um presidente que não tem legitimidade para falar com a sociedade.

Foto: Benildes Rodrigues

Equipe Caravana – O povo brasileiro está tendo tratamento diferenciado nesse governo?

Lula – Eles continuam agindo como se o povo não fosse povo, é como fosse gado – sem sentimento, sem necessidade. Eu tenho em mente que o povo é a solução do problema brasileiro.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Balcão de negócio evita degola de Michel Temer pela Câmara

Resultado de imagem para balcão de negócio de Temer


Parlamentares da bancada do PT na Câmara denunciaram, nesta quarta-feira (2), as artimanhas usadas pelo governo ilegítimo de Michel Temer para se manter no poder. A avaliação foi feita durante a sessão que analisa o acatamento ou da rejeição das acusações de corrupção passiva que pesam contra o governo ilegítimo de Michel Temer. O quórum alcançado, segundo eles, pode garantir o arquivamento sumário da denúncia pela Câmara.

“Para manter no poder esse governo corrupto, eles estão comprando votos, sem nem precisar esconder. FHC quando comprou a emenda da reeleição fez escondido, e envergonhadamente dizia que não estava comprando. Eles não, eles estão comprando voto à luz do dia. A confiança que eles têm de que controlam a justiça brasileira, que controlam a grande mídia é tão grande que eles não tem o trabalho de esconder”, denunciou indignado o deputado Jorge Solla (PT-BA).

Para o deputado baiano, desde que o governo Temer se abancou ilegitimamente do Palácio do Planalto, atua contra os interesses do povo brasileiro. “Ontem eles fizeram um evento onde compraram a bancada ruralista, pagando 5 bilhões de reais de isenções, de dívidas dos latifundiários deste país. Fizeram refis anistiando 99% de multas e juros dos grandes empresários para comprar os votos da bancada que segue orientação dos grandes industriais deste país”, denunciou Solla.

O deputado Zé Carlos (PT-MA) também criticou a edição de medida provisória para perdoar as dívidas dos ruralistas para ter toda a bancada votando pela manutenção de Temer na Presidência da República.  “Tudo que o governo vem fazendo nas últimas semanas é criminoso. Comprar deputados, como fez anteontem com a bancada ruralista, pela segunda vez agraciando a bancada, aliviando as dívidas previdenciárias dos produtores rurais. Temer quer fazer reforma para retirar direitos de trabalhador e, ao mesmo, dá mais benesses para os ruralistas”, criticou.

Apontou Zé Carlos que, ao votar pela salvação de Temer, a maioria dos parlamentares da Câmara se volta contra o anseio de 85% da população brasileira que clama por apuração dos fatos, segundo apontam pesquisas.  “O importante é que todo o povo brasileiro quer que essa denúncia seja apurada. Está vendo os atos criminosos que esse presidente ilegítimo e golpista está fazendo para se manter no poder. Ele está vendendo o Brasil, acabando com a nossa economia, prejudicando nossa saúde, educação e com a arrecadação financeira no país para se manter no poder. Isso é lamentável”, afirmou.

Lembrou o deputado Valmir Prascidelli (PT-SP) que o PT tem denunciado e questionado frequentemente esses artifícios usados pelo ilegítimo.  Observou o parlamentar que Temer, “de forma leviana, espúria e ilegítima operou nesse processo liberando recursos para deputados, distribuindo cargos – e, aqui, nós vimos – na prática, essa questão”.

“Esse governo está destruindo o Brasil e a nossa expectativa, mesmo perdendo a votação, é a de que a sociedade que está acompanhando essa votação saiba distinguir os deputados que querem que o Brasil volte a crescer e aqueles que estão defendendo o governo ilegítimo de Michel Temer”, frisou Prascidelli.

Para o deputado Vander Loubert (PT-MS), independentemente do resultado da votação, a oposição precisa continuar denunciando as práticas golpistas de Temer. “Temos que denunciar e defender aquilo que a opinião pública tem defendido, o afastamento de um governo que tem 85% de desaprovação e que quer tirar direitos dos trabalhadores brasileiro. Então, nossa posição é clara e a unidade dos partidos de esquerda é fundamental para que se abra processo contra o Temer”, ponderou Loubert.

O deputado Waldenor Pereira (PT-BA) chamou a atenção para a robustez da denúncia de corrupção passiva praticada por Temer, revelada pelo empresário Joesley Batista, dono da JBS.

“A prova é robusta e irrefutável de que o presidente Michel Temer – ilegítimo e golpista-, e a maioria de seus ministros estão envolvidos em ato de corrupção. Portanto, a bancada do PT e os parlamentares que têm o compromisso com o exercício da boa política têm que permitir que o STF investigue a denúncia a partir das provas apresentadas e afaste, definitivamente, esse presidente que tanto mal tem causado ao povo brasileiro”, afirmou Waldenor.

Benildes Rodrigues
foto: G1

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Bloqueio de conta e confisco de bens de Lula são retaliações, acusa Zarattini

O líder da Bancada do PT na Câmara, deputado Carlos Zarattini (SP), recebeu com estranheza a decisão do juiz Sérgio Moro em ordenar ao Banco Central o bloqueio R$ 606.727,12 das contas bancárias e o confisco de bens do ex-presidente Lula.
“É um absurdo! Não passa de retaliação e provocação contra o presidente Lula. O juiz Moro sentiu-se intimidado com as contestações apresentadas pelo ex-presidente, contra os absurdos da sentença por ele proferida”, acusou o líder petista.
Na decisão do “juiz de Curitiba” consta a retenção de valores depositados em quatro contas bancárias: R$ 397.636,09 (Banco do Brasil); R$ 123.831,05 (Caixa Econômica Federal); R$ 63.702,54 (Bradesco) e R$ 21.557,44 (Itaú). Além desses montantes, Moro mandou apreender dois carros, três apartamentos e um terreno de Lula em São Bernardo do Campo.
Para Zarattini, o fato de Moro autorizar o sequestro de bens do ex-presidente só revela mais uma face nefasta da perseguição judicial sem paralelo da qual Lula é vítima. “Essa decisão do “juiz de Curitiba” é prova inconteste de sua parcialidade e perseguição contra o ex-presidente Lula”, lamentou o líder do PT na Câmara.
O líder petista observa também que essa caçada ao Lula só se dá em virtude de sua trajetória política e pelo medo da elite de que o ex-presidente retorne em 2018. Zarattini frisou ainda que as duas ações conjuntas do juiz Moro – ao condenar e confiscar os bens do ex-presidente – servem para que a população tenha ciência do jogo político que ora desempenha o judiciário brasileiro, do qual Moro é uma das peças-chaves.
Benildes Rodrigues com Agências
Publicado originalmente no PT na Câmara 

terça-feira, 18 de julho de 2017

Vicentinho: “Lula precisa de nós, e o Brasil precisa de Lula”



Os deputados Vicentinho (PT-SP), Leo de Brito (PT-AC) e Assis Carvalho (PT-PI) conclamam a população brasileira para sair às ruas, na próxima quinta-feira (20) em defesa de Lula. O ex-presidente sofre perseguição judicial nunca antes vista na história do país e, que, na última semana, foi sentenciado de forma arbitrária pelo juiz Sérgio Moro. “Lula é inocente. Lula precisa de nós, e o Brasil precisa de Lula”, atesta Vicentinho.

O petista observa que defender o presidente da República que mudou o destino do país significa livrar o Brasil de “tudo aquilo que ameaça a dignidade do povo brasileiro, que são as reformas trabalhista, previdenciária, a terceirização e também o resgate de nosso direito à democracia”.

Para Vicentinho, está clara a intenção dos mentores do golpe. Os tentáculos golpistas, segundo ele, encontram-se nos três poderes da República, os quais agem de forma ardilosa para tentar tirar o presidente Lula da disputa eleitoral de 2018. “A elite golpista do Poder Judiciário, Legislativo e Executivo não querem que o Lula seja o nosso candidato a presidente da República. Por isso, fazem de tudo para impedir que ele tenha esse direito”, lamenta.

O vice-líder da Bancada do PT na Câmara, deputado Leo de Brito, afirmou que as mobilizações marcadas para acontecer em todo o Brasil em defesa e solidariedade ao presidente Lula é um resgate do estado Democrático de Direito e da democracia. “É um ato também contra a hipocrisia desse momento em que os movimentos sociais e o presidente Lula estão sendo atacados por uma sentença injusta e parcial do juiz Sérgio Moro”, afirma.

“É hora de tomar as ruas. Ninguém pode ficar de braços cruzados diante das injustiças praticadas pelo juiz Moro”, enfatiza Leo de Brito.

Para o deputado Assis Carvalho, a sentença proferida por Sérgio Moro é mais uma face do golpe que retirou do poder a presidenta Dilma Rousseff eleita democraticamente. “Aqueles que amam a democracia e querem vê-la restabelecida neste país, devem ir às ruas, quinta-feira, em defesa da soberania nacional e em defesa do presidente Lula!”.

Benildes Rodrigues

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Dia 20 de julho o povo vai ocupar o Brasil em defesa de Lula



Dia 20 de julho será mais um novo marco na defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Partido dos Trabalhadores – juntamente com partidos de esquerda e os movimentos sociais, sindicais e estudantis – preparam grandes atos em todo Brasil para defender o maior e melhor presidente que o Brasil já teve, das arbitrariedades do Juiz Sérgio Moro. “A defesa de Lula será a bandeira da esquerda”, afirma o líder da bancada do PT na Câmara, deputado Carlos Zarattini (PT-SP).

Vítima de perseguição implacável do judiciário brasileiro, Lula foi condenado a nove anos e seis meses de prisão, sem provas pelo juiz da “república de Curitiba”, Sérgio Mouro. Recomenda Zarattini que está na hora do povo brasileiro agir contra as arbitrariedades contra Lula, contidas na sentença proferida pelo juiz de primeira instância do fórum de Curitiba.

“Agora é a hora de ir às ruas contra este atropelamento do processo legal. Os diretórios do PT em todos os municípios brasileiros estão sendo mobilizados pela direção nacional do partido para protestar contra Moro e manifestar solidariedade a Lula no próximo dia 20”, contou Zarattini.

“O que nós estamos vendo nesse processo, é que Moro foi quem investigou, quem denunciou e quem julgou Luiz Inácio Lula da Silva, e julgou sem provas”, criticou o líder petista.

Zarattini ainda chamou a atenção para como se deu o modus operandi de Moro.  “O juiz aproveitou o dia em que começou a discutir aqui na Câmara dos Deputados, o afastamento do presidente Temer, para lançar essa sentença. Foi assim que ele agiu no momento em que divulgou ilegalmente um diálogo entre a ex-presidente Dilma e o ex-presidente Lula, que ajudou a acelerar o processo de impeachment”, lembrou Zarattini.

Para o líder petista a atuação do condutor da Operação Lava Jato “é um julgamento de cunho político, cujo o único objetivo, é tirar das eleições de 2018 a candidatura do ex- presidente Lula”.
“A defesa do Lula e a candidatura dele vai ser priorizado dentro de uma linha geral de atuação”, adiantou o líder petista.

Benildes Rodrigues
Foto Ricardo Stuckert

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Dirceu com revolta e fúria



Em texto publicado no site Conversa Afiada, o ex-ministro José Dirceu presta homenagem ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado sem provas pelo juiz Sérgio Moro.

Leia a íntegra:

Desde Passa Quatro, acompanhando minha mãezinha na sua última luta, escrevo essas linhas ao meu Presidente para lhe dizer que a Justiça será feita por eles ou pelo povo pelo tribunal da História.

Não haverá trégua nem rendição.

Vamos lutar até o fim transformando nossa indignação em luta e combate.

Não temos nada a perder a não ser nossa dignidade e nosso compromisso de vida com nosso povo e nossa pátria.

Com grande tristeza, mas com a certeza da vitória, escrevi essas simples palavras.

Mas meu sentimento é de revolta e fúria, que espero transformar em energia e luta.

Espero que todos nós estejamos à altura do momento, fazendo nossa parte e cumprindo nosso dever de solidariedade sem limites a Lula.

José Dirceu

Lula: A única prova que existe no processo é a minha inocência




O presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou nesta quinta-feira (13), na sede do PT Nacional, sobre a sentença do juiz Sérgio Moro, que lhe condenou a nove anos e seis meses de prisão, sem provas. Lula disse não ter estranhado a sentença, lembrando que em outubro do ano passado publicou um artigo na Folha de S. Paulo já prevendo a decisão de Moro. “A única prova que existe contra mim é a minha inocência”, afirmou depois.

“No artigo, ‘Por que querem me condenar’, eu disse que meus acusadores sabem que não roubei, não fui corrompido, nem tentei obstruir a justiça, mas eles tornaram-se prisioneiros das mentiras que criaram e estão condenados a me condenar. E se não me condenassem, seriam desmoralizados pela opinião pública”, afirmou. “Não é o Lula que pretendem condenar, mas um projeto político de inclusão social e os fundamentos da democracia no País”, completou.

Entretanto, Lula avisou que, se alguém pensa que c essa sentença vai tirá-lo do jogo, pode ter a certeza de que ele permanece, mais que nunca, no jogo. “A partir de agora vou reivindicar do PT o direito de me candidatar à Presidência da República, porque eu gostaria de estar aqui hoje discutindo a situação deste País, econômica, política e social e o descrédito das instituições. Discutindo o golpe dentro do golpe, porque a Globo quer dar o golpe dentro do golpe”, desabafou.

“Se eles estão tentando destruir as conquistas dos trabalhadores, o componente nacional, a Petrobras, as empresas de engenharia, eu queria dizer, senhores, permitam que alguém da senzala faça o que vocês não têm competência para fazer. O povo não está precisando ser governado pela elite, mas por alguém que tenha a alma do povo” vaticinou.

Lula reforçou que sempre acreditou que o processo culminaria na condenação, porque era visível que o que menos importava era o que se falava, já que estavam com a concepção da condenação pronta. Argumentou que se a intenção de Moro fosse não proferir a sentença de condenação ele teria recusado a mentira do Ministério Público, baseada no PowerPoint.

“Quando o processo foi aceito naquele momento, falei: há um jogo armado. O PowerPoint permeou o comportamento de Moro no sentido de que o PT era uma organização criminosa e de que Lula era o chefe. Era a teoria do domínio do fato. Mas Moro não tem que prestar contas para mim, mas para a história”.

O ex-presidente lembrou ainda que, desde o início do processo, Moro entendeu que era preciso forte cobertura e apoio da imprensa para ele prender as pessoas e fazer com que elas delatassem. “Leo Pinheiro (ex-presidente da OAS) ficou dois anos preso, está condenado a 20 anos e assiste no Fantástico que vale a pena delatar, que é um prêmio para você usufruir do que roubou. Aí o cara pensa… por que vou pegar tanto tempo de cadeia, por causa do Lula?”, ilustrou, ao citar a delação do dirigente que reiteradas vezes disse que ele nada a tinha a ver com o tríplex e depois mudou o seu depoimento em desfavor de Lula.

Citou ainda o golpe orquestrado e que retirou do governo a presidenta eleita legitimamente, Dilma Rousseff.  “Não era possível que aqueles que prepararam a mentira do golpe iriam ficar parados. Não fechava. A sentença de ontem (quarta) tem um componente político muito forte. O juiz Moro escreveu 60 páginas para se justificar da condenação e utilizou cinco para a defesa”, disse indignado.

“No meu depoimento a Sergio Moro eu disse a ele: você não pode me absolver, não tem como. O que vocês já falaram de mim, a imprensa… Foram 20 horas de Jornal Nacional, não sei quantas capas de Veja (…) Está muita clara a tentativa de me tirar do jogo político”, desabafou.

Para Lula, não existe Estado de Direito sem Justiça forte. “Por essa crença, Justiça não pode mentir, tem que trabalhar nos autos. E a única prova que temos é da minha inocência. E se alguém tiver prova contra mim que diga, mande para a Justiça, eu ficaria mais feliz se fosse condenado por causa de uma prova. O que me deixa indignado, mas sem perder a ternura é que estou sendo vítima de uma mentira. E minha cabeça não consegue compreender todo esse emaranhado. Não sei como alguém consegue escrever quase 300 páginas sem apontar uma prova. Mas minha indignação como cidadão brasileiro não me faz perder a crença na Justiça”.

Pouco antes de Lula se sentar à mesa, a presidente do PT, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), afirmou que o partido está “sereno” por acreditar na inocência do ex-presidente. “Mas também estamos indignados. E prontos para fazer esse enfrentamento. Foi pelas injustiças que o PT chegou ao poder, e vamos enfrentar mais essa injustiça”, afirmou.

“A condenação de Lula foi absolutamente política. Infelizmente, foi uma ação contra o maior líder popular que tivemos na história desse País, justamente um dia após a CLT ser rasgadas no Senado da República. Um dia triste”, complementou a presidente do PT.

O partido convocou a militância política para ir às ruas no próximo dia 20, em vários estados, em defesa do ex-presidente Lula. “Não aceitaremos uma eleição sem o presidente Lula. Uma eleição sem Lula é uma fraude à democracia”, disse Gleisi.

Fonte:PT na Câmara
Foto: Ricardo Stuckert