terça-feira, 29 de maio de 2012

A força da imagem do PT

Por: Marcos Coimbra

Fonte: Carta Capital

Ao contrário do que se costuma pensar, o sistema partidário brasileiro tem um enraizamento social expressivo. Ao considerar nossas instituições políticas, pode-se até dizer que ele é muito significativo.

Em um país com democracia intermitente, baixo acesso à educação e onde a participação eleitoral é obrigatória, a proporção de cidadãos que se identificam com algum partido chega a ser surpreendente.

Se há, portanto, uma coisa que chama a atenção no Brasil não é a ausência, mas a presença de vínculos partidários no eleitorado.

Conforme mostram as pesquisas, metade dos eleitores tem algum vínculo.

Seria possível imaginar que essa taxa é conseqüência de termos um amplo e variado multipartidarismo, com 29 legendas registradas. Com um cardápio tão vasto, qualquer um poderia encontrar ao menos um partido com o qual concordar.

Mas não é o que acontece. Pois, se o sistema partidário é disperso, as identificações são concentradas. Na verdade, fortemente concentradas.

O Vox Populi fez recentemente uma pesquisa de âmbito nacional sobre o tema. Deu o esperado: 48% dos entrevistados disseram simpatizar com algum partido. Mas 80% desses se restringiram a apenas três: PT (com 28% das respostas), PMDB (com 6%) e PSDB (com 5%). Olhado desse modo, o sistema é, portanto, bem menos heterogêneo, pois os restantes 26 partidos dividem os 20% que sobram. Temos a rigor apenas três partidos de expressão.

Entre os três, um padrão semelhante. Sozinho, o PT representa quase 60% das identidades partidárias, o que faz que todos os demais, incluindo os grandes, se apequenem perante ele.

Em resumo, 50% dos eleitores brasileiros não têm partido, 30% são petistas e 20% simpatizam com algum outro - e a metade desses é peemedebista ou tucana. Do primeiro para o segundo, a relação é de quase cinco vezes.

A proeminência do PT é ainda mais acentuada quando se pede ao entrevistado que diga se "simpatiza", "antipatiza" ou se não tem um ou outro sentimento em relação ao partido. Entre "muita" e "alguma simpatia", temos 51%. Outros 37% se dizem indiferentes. Ficam 11%, que antipatizam "alguma" coisa ou "muito" com ele.

Essa simpatia está presente mesmo entre os que se identificam com os demais partidos. E simpática ao PT a metade dos que se sentem próximos do PM DB, um terço dos que gostam do PSDB e metade dos que simpatizam com os outros.

Se o partido é visto com bons olhos por proporções tão amplas, não espanta que seja avaliado positivamente pela maioria em diversos quesitos: 74% do total de entrevistados o consideram um partido "moderno" (ante 14% que o acham "ultrapassado"); 70% entendem que "tem compromisso com os pobres" (ante 14% que dizem que não); 66% afirmam que "busca atender ao interesse da maioria da população" (ante 15% que não acreditam nisso).

Até em uma dimensão particularmente complicada seu desempenho é positivo: 56% dos entrevistados acham que "cumpre o que promete" (enquanto 23% dizem que não). Níveis de confiança como esses não são comuns em nosso sistema político.

Ao comparar os resultados dessa pesquisa com outras, percebe-se que a imagem do PT apresenta uma leve tendência de melhora nos últimos anos. No mínimo, de estabilidade. Entre 2008 e 2012, por exemplo, a proporção dos que dizem que o partido tem atuação "positiva na política brasileira" foi de 57% a 66%.

A avaliação de sua contribuição para o crescimento do País também se mantém elevada: em 2008, 63% dos entrevistados estavam de acordo com a frase "O PT ajuda o Brasil a crescer", proporção que foi a 72% neste ano.

O sucesso de Lula e o bom começo de Dilma Rousseff são uma parte importante da explicação para esses números. Mas não seria correto interpretá-los como fruto exclusivo da atuação de ambos.

Nas suas três décadas de existência, o PT desenvolveu algo que inexistia em nossa cultura política e se diferenciou dos demais partidos da atualidade: formou laços sólidos com uma ampla parcela do eleitorado. O petismo tornou-se um fenômeno de massa.

Há, é certo, quem não goste dele - os 11% que antipatizam, entre os quais os 5% que desgostam muito. Mas não mudam o quadro.

Ao se considerar tudo que aconteceu ao partido e ao se levar em conta o tratamento sistematicamente negativo que recebe da chamada "grande imprensa" - demonstrado em pesquisas acadêmicas realizadas por instituições respeitadas - é um saldo muito bom.

E com essa imagem e a forte aprovação de suas principais lideranças que o PT se prepara para enfrentar os difíceis dias em que o coro da indústria de comunicação usará o julgamento do mensalão para desgastá-lo. Conseguirá?

Publicado originalmente na revista Carta Capital

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Líder rebate revista Veja e reafirma confiança do povo brasileiro no ex-presidente Lula


jilmartatto2703BO líder do Partido dos Trabalhadores na Câmara, deputado Jilmar Tatto (PT-SP), refutou nesta segunda-feira (28), em entrevista coletiva, o conteúdo da revista Veja de último final de semana. Na reportagem, o semanário sugere que o ex-presidente Lula propôs ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, o adiamento do julgamento do mensalão. Em contrapartida, o PT protegeria o ministro na CPMI do Caso Cachoeira, no caso da viagem dele para Berlim, onde supostamente encontrou-se com senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), envolvido com o contraventor.

“ O presidente Lula jamais falaria algo nesse tom e com este conteúdo. Digo isto pela história de vida dele e pela maneira republicana que ele indicou, inclusive, os ministros do STF. Em função disso não acredito que, em momento algum, ele tenha falado a respeito desse assunto. É descabido esse tipo de diálogo. O ex-presidente Lula tem a confiança de 90% da população brasileira”, destacou Jilmar Tatto.

O líder lembrou que o que foi dito por Gilmar Mendes foi desdito pelo ex-ministro da Defesa, Nelson Jobim. Tatto lembrou ainda que três pessoas participaram da conversa e, dessas, duas afirmam que o conteúdo do diálogo não existiu, portanto, “prefiro acreditar na maioria”, vaticinou. Ele ilustrou que, desta maioria, um já foi ministro da Justiça e outro Presidente da República.

Barata tonta – Sobre o fato de o PSDB e outros partidos protocolarem na Procuradoria-Geral da República (PGR), pedido para investigar o ex-presidente Lula, Jilmar Tatto disse que essa postura é a prova de que a oposição age como “barata tonta”. De acordo com o petista, a oposição está sem rumo, sem projeto e sem discurso.

“O discurso da ética, do combate à corrupção, tombaram com os principais lideres envolvidos em esquemas de corrupção. O ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (ex-DEM), o senador Demóstenes Torres, cotado para ser o candidato à presidência da República pelo DEM e o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) envolvido no mar de lama de Carlos Cachoeira. Sem rumo, a oposição quer atingir o Lula”, constatou Jilmar Tatto.
Benildes Rodrigues
Publicado originalmente no site PT na Câmara

domingo, 27 de maio de 2012

Gilmar Mendes usa a Revista Veja para atingir ex-presidente Lula. Mentira tem perna curta

São graves as acusações do Gilmar Mendes contra o Lula. Ele vai ter que provar que o ex-presidente Lula o chantangeou. Um ministro do STF não pode sair por aí fazendo acusações desse porte e ficar por isso mesmo. É claro que Gilmar Mendes-Veja sabem que só usando o Lula pra desviar o foco do mega escândalo que envolve demo/tucanos/Veja. Com a prisão do Cachoeira e a provável cassação do Demóstenes, a revistinha ficou sem "Fonte". A única que sobrou foi o cacique do STF.
Supremo precisa agir rápido nesse episódio e dar uma resposta à sociedade. A Corte não pode deixar que de atos praticados por um de seus integrantes coloquem em risco a imagem e a credibilidade da instituição. Recai sobre ministro Gilmar Mendes fortes acusações sobre sua participação em episódios que tiveram  Demóstenes e Cachoeira no comando. Levianamente o ministro do STF usa o nome do ex-presidente Lula para desviar o foco de si mesmo.
Perguntas: Alguém acha que Lula seria ingênuo a tal ponto para marcar encontro com Gilmar Mendes, tendo apenas Nelson Jobim como testemunha?
Gilmar Mendes não tem poder nenhum sobre o tal mensalão. O relator é o ministro Ricardo Levandowski.  Não seria mais coerente, o ex-presidente buscar o relator, caso essa fosse a intenção? Quem conhece Luiz Inácio Lula da Silva sabe que essa não é sua prática.
O STF deve uma resposta ao povo brasileiro. Urgente!
Benildes
26 de Maio de 2012

Fonte: Brasil 247

Do que tem medo o ministro Gilmar Mendes?



Fotos:
Não durou nem 24 horas a notícia bombástica de Veja, dando conta de que o ex-presidente Lula teria pressionado o ministro do STF a postergar o julgamento do mensalão em troca de blindagem na CPI; o motivo para a “chantagem” seria a viagem de Gilmar a Berlim, na data em que lá estiveram Demóstenes e Cachoeira; Jobim negou e deixou claro: tem caroço nesse angu
247 – Não há meio termo nesta história. Ou Gilmar Mendes mentiu, ou foi Nelson Jobim quem faltou com a verdade. Neste sábado, Veja publicou uma notícia gravíssima: a de que o ex-presidente Lula teria se encontrado com Gilmar Mendes em abril deste ano, no escritório do advogado Nelson Jobim, e pedido a ele que postergasse o julgamento do mensalão para não prejudicar o PT nas eleições municipais. A denúncia, qualificada como “bombástica” por Ricardo Noblat e apontada por Reinaldo Azevedo como a prova cabal de que Lula degrada as instituições da República, despertou reações extremadas. Já há internautas sugerindo que Gilmar Mendes deveria ter dado voz de prisão a Lula no momento em que o ex-presidente teria tentado pressioná-lo.
A denúncia de Veja, no entanto, não durou nem 24 horas. E a questão agora consiste em saber quem mentiu: Gilmar ou Jobim? De acordo com o relato da revista Veja, Lula e Gilmar teriam conversado reservadamente, na cozinha do escritório de Jobim, sem que o ex-ministro da Justiça tivesse presenciado o diálogo. Jobim, no entanto, foi enfático. Disse que Lula chegou quando ele e Mendes já conversavam, garantiu que presenciou todo o encontro e afirmou ainda que não houve nenhum instante de privacidade entre o ex-presidente e o ministro do STF. Mais: disse ainda não saber por que Gilmar Mendes fez as declarações que fez à revista Veja (leia mais aqui).
Nelson Jobim tinha à disposição uma saída diplomática para o caso. Poderia dizer que não se recordava do teor da conversa, que saíra da sala para atender um cliente ou ter dado qualquer outra desculpa para não se indispor nem com Lula, seu ex-chefe, nem com Gilmar Mendes, um ministro que julga suas causas no Supremo. Preferiu jogar a batata quente para o próprio ministro do STF, que agora terá que provar que um ex-presidente da República realmente tentou chantageá-lo – segundo Gilmar, em troca do adiamento do julgamento do mensalão, Lula estaria oferecendo uma blindagem na CPI do Cachoeira.
Ainda há juízes em Berlim?
Dada a ênfase de Jobim, não se pode descartar a hipótese de que Gilmar Mendes tenha tentado obter na revista Veja o que os advogados chamam de habeas corpus preventivo. Ciente de que será citado na CPI do caso Cachoeira no futuro, o ministro do STF teria se vacinado.
Mas por que Gilmar seria citado? De que poderia ter medo? O fato é que o ministro do STF fez uma viagem a Berlim, capital alemã, onde se encontrou com o senador Demóstenes Torres (sem partido/GO). Até aí, nada demais. Um ministro do STF pode se encontrar com um senador da República, dentro ou fora do País.
Na mesma viagem, no entanto, Carlos Cachoeira acompanhava Demóstenes. Não se sabe, no entanto, se o bicheiro teria tido algum encontro com o ministro do STF. Mas a agressividade da revista Veja contra o ex-presidente Lula pode indicar, como dizem os mineiros, que há algum caroço nesse angu.
No dia 9 de abril deste ano, reportagem do 247 revelou que Gilmar chamou para si uma ação estratégica para os interesses de Cachoeira (leia mais aqui). Depois da notícia, o ministro devolveu o processo.
Outra história enigmática diz respeito à atuação na denúncia orquestrada por Carlos Cachoeira contra Waldomiro Diniz, ainda em 2004, que contou com a participação do promotor José Roberto Santoro e do ex-senador Antero Paes de Barros, que é amigo do ministro Gilmar Mendes.
Finalmente, há ainda a história do grampo entre o senador Demóstenes Torres e o ministro do STF, publicado por Policarpo Júnior, em Veja, e que derrubou a cúpula da Agência Brasileira de Inteligência, a quem foi atribuída a gravação.
Ao que tudo indica, o grampo entre o senador e o ministro do STF também foi produzido pelos estúdios Cachoeira, com a participação dos arapongas Jairo Martins e Idalberto Matias.

 

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Tucano confirma envolvimento de Perillo com Cachoeira e gera desconforto no PSDB

    
odaircunhaD1O ex-vereador do PSDB e ex-presidente da Câmara Municipal de Goiânia Wladimir Henrique Garcez confirmou o envolvimento do governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, com o esquema operado pelo bicheiro Carlos Cachoeira. O relato ocorreu nesta quinta-feira (24) durante depoimento do ex-vereador na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a relação entre o contraventor e agentes públicos e privados.

O relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG), observou que a Polícia Federal – ao promover a Operação Monte Carlo, que desbaratou a rede criminosa – identificou que Wladimir Garcez era um braço importante da organização criminosa para as relações políticas com o governo de Goiás e com o Cláudio Monteiro, no Distrito Federal. “São essas as evidências. O depoimento confirmou a relação íntima com o governador Marconi Perillo”, disse Odair Cunha. Garcez se defendeu de acusações que lhes são imputadas, mas admitiu o envolvimento tanto com Cachoeira quanto com a Delta Construtora.

Na leitura de seu depoimento, Wladimir Garcez admitiu que foi contratado pela empresa Delta Centro-Oeste para assessorar o diretor da construtora, Cláudio Abreu, e, por essa função, recebia um salário no valor de R$ 20 mil reais. Garcez confessou também que assessorava Carlos Cachoeira e, pelo trabalho, ganhava R$ 5 mil reais. Ele reconheceu que intermediava o contato de seus contratantes com agentes públicos e privados, principalmente no estado de Goiás.

Preso há 86 dias pela operação Monte Carlo da PF, Garcez é considerado como o principal articulador da organização criminosa de Carlos Cachoeira. Ele disse que era procurado para “conseguir empregos” para cabos eleitorais e que, às vezes, “exagerava” ao dizer que tinha “cacife” junto ao governador goiano, para se valorizar.

Garcez isentou Carlos Cachoeira da compra de uma casa de R$ 1,4 milhão em nome de Marconi Perillo. Ele disse que comprou a casa de luxo e, que, para isso, contou com a colaboração de Cláudio Abreu, que emprestou três cheques para quitar a compra.

Recentemente o governador do estado de Goiás, Marconi Perillo, declarou que o ex-vereador do PSDB Wladimir Garcez foi “intermediador” da compra de uma casa de luxo em um condomínio na cidade de Goiânia. No depoimento, Garcez confessa que “comprou” a casa. Para Odair Cunha, essa contradição reforça a relação entre ambos. “Ele foi portador de R$ 1,4 milhão para compra de uma casa que seria do governador. Ninguém dá esse valor para alguém em quem não se confia”, reforçou o relator.

Silêncio – O depoente também se valeu do direito constitucional de permanecer calado e não respondeu a nenhum questionamento. No entanto, as perguntas do relator causaram mal-estar nos membros do PSDB e deixaram o clima tenso na CPMI.

Os tucanos acusaram o relator de ser tendencioso por ter direcionado as perguntas para as relações entre o quarteto Wladimir-Delta-Cachoeira-Perillo. Tranquilo, Odair Cunha ponderou e classificou a reação como “justa” e “democrática”.

“É justo que os deputados do PSDB queiram defender seu governador. Faz parte do processo democrático. Eles acabaram de reconhecer a minha postura adequada na condução da CPMI. Ocorre que o depoente é do PSDB e um braço político da organização criminosa liderada por Carlos Cachoeira”, justificou Odair Cunha.

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP), titular da CPMI, expressou a mesma opinião. De acordo com ele, o fato de o depoente ser um “quadro político do PSDB” e, ao mesmo tempo, “lobista” da Delta Construtora e da quadrilha do Cachoeira causou desconforto aos parlamentares da oposição. Teixeira acredita que o depoimento acelera a convocação do governador de Goiás.

“Toda ponte política da organização criminosa com o governador de Goiás foi feita por ele. As perguntas do relator conduziram para essa relação. Isso incomodou fortemente os deputados do PSDB. Ainda que eles tivessem muito incomodados avançamos e conseguimos colher assinaturas suficientes para convocar o Marconi Perillo”, revelou Paulo Teixeira.
Benildes Rodrigues

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Frente buscará políticas públicas para setor extrativista

 “O nosso propósito é fortalecer a produção das populações extrativistas, tanto em área marinha, quanto a de madeira; garantir a sustentabilidade ambiental, promover o equilíbrio econômico e viabilizar políticas públicas que agreguem valor e possam garantir qualidade de vida para essa população”, enfatizou Afonso Florence.

A constituição da Frente foi uma iniciativa do deputado Cláudio Puty (PT-PA) que, com essa intervenção, homenageou o casal de ambientalista José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo, assassinados em Nova Ipixuna, no sudeste do Pará.

De acordo com Puty, a ação pretende, entre outras questões, colocar na ordem do dia do Congresso Nacional essa temática. “É nesta Casa que daremos visibilidade à pauta extrativista. Precisamos garantir a regularização das reservas extrativistas e a especificidade de políticas públicas para estes brasileiros que vivem em grande conflito e morrem em silêncio”, afirmou o parlamentar.

O presidente do Conselho Nacional das Populações Tradicionais (CNS), Manuel Cunha, ressaltou o papel do parlamento. De acordo com ele, a Câmara tem “força” na formulação de políticas e na atuação junto aos órgãos governamentais em favor da causa extrativista. “Hoje estas populações são representadas diante do governo somente pelos movimentos sociais e o apoio do Congresso fortalece a nossa causa” disse Manuel Cunha.

O colegiado é composto por 187 deputados e quatro senadores. Além do presidente, os trabalhos da Frente serão conduzidos pelo 1º vice-presidente, senador Jorge Viana (PT-AC); secretário-geral, Cláudio Puty e, na primeira secretaria, o senador Randolfe Rodrigues (PSol -AC).

Prestigiaram o evento, os deputados petistas Bohn Gass (RS) e Marina Sant’Anna (GO).
Benildes Rodrigues

terça-feira, 22 de maio de 2012

STF indefere liminar e Cachoeira depõe nesta terça-feira




Com a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, em indeferir nesta segunda-feira (21), a liminar para suspender o depoimento de Carlos Cachoeira à CPI Mista que apura as relações do contraventor com agentes públicos e privados, o aguardado depoimento do líder da organização criminosa está mantido para esta terça-feira.

 A defesa do contraventor entrou na semana passada com um novo pedido junto ao STF para a manutenção da liminar concedida anteriormente pelo ministro, alegando não ter tido tempo suficiente para examinar os autos do processo. No entanto, os registros de presença da comissão, disponibilizados aos jornalistas, mostram que os advogados de Cachoeira só estiveram  na sala onde fica o cofre secreto da CPMI na terça-feira (15) à noite e em algumas horas na quarta-feira (16) durante o dia.

Com a negativa do STF, integrantes da CPMI trabalham com a hipótese de o contraventor ficar calado. Nesse caso, o relator da comissão deputado Odair Cunha (PT-MG) adiantou que o colegiado utilizará dos recursos de que dispõe para apurar os crimes cometidos pelo contraventor Carlos Cachoeira e suas ramificações.
“Esperamos que ele contribua fornecendo as informações necessárias às investigações.  Vamos fazer todas as perguntas que considerarmos pertinentes, se ele não falar, teremos outros instrumentos para investigar, como  a quebra de sigilo e outras oitivas que podem contribuir com as investigações”, afirmou Odair Cunha.
A reunião acontece às 14h, na sala 2 da ala Senador Nilo Coelho
Benildes Rodrigues

quinta-feira, 17 de maio de 2012

CPMI aprova confisco dos bens de Demóstenes e Cachoeira


odairCPMIA CPI Mista que investiga o crime organizado liderado pelo contraventor, Carlos de Almeida Ramos, o Carlos Cachoeira, aprovou nesta quinta-feira (17) requerimento de autoria do deputado Paulo Teixeira (PT-SP) que solicita ao Ministério da Justiça o confisco de bens de Carlos Cachoeira e do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO). Com essa medida, Paulo Teixeira quer garantir o retorno dos recursos ao Estado brasileiro.

“Pedimos a identificação de bens moveis, imóveis e ativos de Carlos Cachoeira, do senador Demóstenes Torres e de todos os denunciados nessa operação. Certamente eles vinham fazendo transferência de recursos para fora do Brasil. Nós queremos repatriar, trazer esses recursos de volta ao país”, afirmou Paulo Teixeira.

A comissão vai encaminhar o pedido à 11ª Vara Federal em Goiânia, onde corre o processo contra Carlinhos Cachoeira e, ao ministro Ricardo Lewandowsky, relator do processo que se encontra sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF).
A CPMI aprovou também a convocação de 51 pessoas para prestar depoimento e determinou a quebra de sigilo fiscal, bancário e telefônico de cerca de 40 pessoas e empresas envolvidas no esquema do contraventor Cachoeira. Entre as quebras de sigilos aprovados estão os da empresa Delta Centro-Oeste; da Ideal Segurança e do sobrinho do contraventor, Leonardo de Almeida Ramos, que emitiu três cheques nominais para quitar um apartamento de propriedade do governador de Goiás, Marconi Perillo.
Sobre a ampliação das investigações da empresa Delta Centro Oeste para a Delta Nacional, o relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), disse que não vê impedimento, desde que as análises sobre as filiais da empresa na região Centro-Oeste apontem para isso. “Nós admitimos ampliar a investigação, mas queremos fazê-la de maneira gradual, com base em provas”.
Odair Cunha disse ainda que a própria investigação, em algum momento, pode determinar que toda a empresa Delta, seu presidente e diretores sejam investigados, mas, explicou, o ponto inicial é a Delta Centro-Oeste e seu ex-diretor Claudio Abreu, “sócio oculto do Cachoeira e do Demóstenes”, enfatizou.
Os deputados Cândido Vaccarezza (PT-SP) e Paulo Teixeira criticaram os defensores da ampliação da quebra de sigilo da empresa Delta. “O papel da CPMI é investigar o crime organizado. Não estamos aqui para fazer devassa”, disse Vaccarezza. Já Paulo Teixeira utilizou um ditado popular para classificar a tentativa de mudança de foco dos oposicionistas. "Quem muito abraça, pouco aperta", ilustrou o deputado.
Jornalista – O requerimento que solicitava da Polícia Federal as gravações telefônicas nas quais o jornalista Policarpo Jr., diretor da sucursal da Revista Veja, em Brasília, aparece em várias conversas com Carlos Cachoeira, exaltou os ânimos dos componentes da CPMI. Os defensores do jornalista disseram que investigar a revista Veja ou o jornalista ferem a liberdade de imprensa.

Após debates acalorados, o deputado Odair Cunha declarou prejudicado o requerimento, uma vez que a comissão havia aprovado acesso ao HD bruto que contém as informações das Operações Vegas e Monte Carlo. As gravações telefônicas entre Policarpo e Cachoeira já estavam contempladas nesse requerimento.

Odair Cunha foi categórico em afirmar que a proposta não era para investigar a mídia. Ele disse também, que não houve proposta de quebra de sigilo do jornalista. Segundo o relator, a solicitação teve como base os diálogos que serão objetos da investigação. “Todas as pessoas físicas ou jurídicas que se relacionaram com Carlos Cachoeira têm que ser investigadas, seja deputado, senador, jornalista, empresário, governador”, argumentou Odair Cunha.

Para o deputado Paulo Teixeira, o requerimento não teve o objetivo de investigar a imprensa, mas apurar uma relação de dez anos. “Há sete anos o jornalista Policarpo Jr. depôs no Congresso Nacional em Favor de Carlos Cachoeira. É uma relação que sobrevive a uma década. A sociedade tem o direito de saber qual a relação entre uma quadrilha e a imprensa”, destacou.

O senador Humberto Costa (PT-PE) disse que não é admissível utilizar o conceito de liberdade de imprensa para produzir “intocáveis”. “Queremos saber a verdade e essa verdade virá à tona”, afirmou.
Benildes Rodrigues
publicado originalmente no site PT na Câmara

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Artigo do governador Agnelo Queiroz: Resistindo ao crime organizado

Afirmei durante minha posse como governador de Brasília que as nuvens tempestuosas de uma das piores crises políticas vividas pela cidade ainda não tinham se dissipado. A situação em que encontrei o DF — com serviços públicos à beira do caos, afundado em dívidas e inadimplência, com várias obras paralisadas — era o resultado de uma gigantesca engrenagem institucional capturada pelo crime. Ao longo desse período, no exercício do cargo, tenho combatido diariamente os malfeitos produzidos por esse grupo criminoso. Os fatos apenas confirmam a correção da minha percepção inicial.

Os tentáculos dessa engrenagem envolvem empresários, políticos e prepostos em veículos de comunicação. As interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça e formalizadas nos autos da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, revelam os interesses desse grupo no DF: o lixo e a bilhetagem eletrônica nos serviços de transporte. Em nenhuma dessas áreas a organização de Carlos Cachoeira conseguiu alcançar suas ambições.

No que tange ao lixo, a participação da empresa Delta Construtora na execução da coleta foi determinada pela Justiça ainda no governo anterior. Na minha gestão, não houve o patrocínio de qualquer indicação de pessoa desse grupo para cargos no governo. Ao contrário do que foi divulgado de forma cirúrgica e seletiva, a minha postura foi a de determinar auditoria no contrato em vigor, impor novos padrões de fiscalização sobre os serviços e reter o pagamento de despesas sem comprovação ou fundamento.

Os contraventores, em diálogos flagrados pela polícia, reclamavam dessas atitudes. Inconformados, decidiram tramar pela queda de um governante democraticamente eleito pelo povo. A audácia dessa engrenagem institucional voltada ao crime pretendia subverter até a legitimidade do voto popular.

Além da postura firme do meu governo no setor da coleta de lixo, na área de transporte as ações também perseguiram a legalidade e a probidade administrativa. Pela primeira vez na história da capital, realiza-se uma licitação pública para atrair novos operadores para os serviços de ônibus. Com novos ônibus e novos operadores, teremos, então, condição de estudar como será realizado o serviço de bilhetagem eletrônica. Ou seja, na área de transporte, executamos uma política de Estado com transparência e legalidade jamais vistas no DF.

Prejudicados no terreno da gestão, os contraventores de Goiás articularam-se com o crime organizado de Brasília e passaram a exercer suas conexões na política e na mídia. Criaram um clima artificial de denúncias e de acusações contra a pessoa do governador com o intuito claro de desestabilizar o governo.

Textos publicados mais recentemente em alguns veículos da internet revelam que meu nome é o centro das conversas mantidas entre o sargento Idalberto Matias, conhecido como Dadá, e o contraventor Carlos Cachoeira. Em certo momento da conversa, calcula o vulgo Dadá: "Pro cara cair é três, quatro meses".

Dadá avalia com Cachoeira a participação do senador Demóstenes Torres (DEM) no processo de desconstrução da minha reputação pessoal, até que se atinja o objetivo final de me tirar do governo. Eles chegam à conclusão de que, em vez de usar dossiês de opositores, deveriam aguardar uma suposta denúncia que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, estaria prestes a apresentar.

Diz um dos contraventores: "O cara vai ser denunciado mesmo lá na frente, entendeu, e aí a gente tem argumento para dizer ó... o cara (Demóstenes) tá fazendo o papel dele na oposição". Esse diálogo é atribuído ao vulgo Dadá. Fica patente e cristalina a extensão e a capacidade operacional dessa organização para o crime e para a destruição de reputações.

Brasília e o meu governo têm conseguido resistir e superar todas essas investidas do crime organizado. Executamos uma nova agenda. Nela, transparência e ética pública, saúde, investimento social e a recuperação da dignidade da capital federal são prioridades. Há ainda muito trabalho a ser realizado para melhorar a vida da população do DF. Mas o primeiro e mais extenuante deles até aqui está sendo a guerra que começamos a vencer contra o crime organizado, derrotado nas últimas eleições, e que se havia incrustado no poder público na capital do nosso país.
*Governador do Distrito Federal
Artigo publicado originalmente no jornal Correio Braziliense - edição 16/05/12

Ideli nega irregularidade na aquisição de lanchas pelo Ministério da Pesca

guimagushtaA ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Ideli Salvatti, prestou esclarecimento nesta quarta-feira (16), na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara e negou qualquer irregularidade na aquisição de 28 lanchas por parte do Ministério da Pesca.  O deputado Edson Santos (PT-RJ) presidiu a reunião. 

A ministra informou que o processo licitatório (pregão) e a compra desses equipamentos foram executados na gestão anterior e, só tomou conhecimento do fato, em janeiro de 2011, período em que assumiu o cargo de ministra da pasta.

Ideli Salvati fez questão de lembrar os parlamentares que a Comissão de Ética da  Presidência da República arquivou, por unanimidade, a representação do PSDB que pediu à comissão para apurar possível conduta antiética que ela, porventura, tivesse praticado na condução do Ministério da Pesca.  

De acordo com Ideli, a decisão da Comissão de Ética da Presidência da República deixou claro que nenhum fato ou documento revelam a falta de ética no seu comportamento no exercício de suas funções enquanto ministra.  Ideli mostrou aos membros da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle uma certidão emitida pelo Tribunal de Contas da União (TCU) que comprova que o nome dela não está incluído em nenhum dos processos em andamento no Tribunal.

A ministra negou também qualquer ligação com a empresa Intech Boating que vendeu as lanchas ao ministério. Ideli  rebateu as ilações de que o contrato com a referida empresa tenha sido para privilegiar doador de sua campanha, em 2010. A ministra reafirmou que a doação da Intech foi feita ao comitê financeiro do PT e não para a campanha dela ao governo de Santa Catarina.

“Nenhuma pessoa que trabalhou na minha campanha pediu doação a essa empresa. A doação foi feita ao comitê financeiro do PT. O tribunal eleitoral aprovou as contas do PT e as minhas. As doações foram feitas dentro da legalidade”, declarou.

O vice-líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), reconheceu o papel “republicano” da Comissão de Ética da Presidência da República e ressaltou a decisão do colegiado em inocentar a ministra Ideli Salvati das acusações proferidas pelo PSDB.

“A decisão da Comissão de Ética Pública em inocentar a ministra Ideli é um fato que deve ser ressaltado por que é uma atitude republicana perante a sociedade brasileira. A presença da ministra nesta comissão significa a vontade de esclarecer ao país e a esta Casa, o que de fato ocorreu. Isso demonstra capacidade de diálogo, respeito e compromisso”, ressaltou Guimarães.
Benildes Rodrigues
Postado originalmente no PT na Câmara

terça-feira, 15 de maio de 2012

CPMI reconvoca Cachoeira e solicita informações a Gurgel


O requerimento de pedido de informação é de autoria do relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG) que, entre outros pontos, requer explicação sobre em que circunstâncias chegaram à PGR a investigação da Operação Vegas; a data que a procuradoria recebeu os inquéritos da PF sobre as Operações Vegas e Monte Carlo e as providências que foram adotadas pela PGR no inquérito 3430/12, do STF, em que figura como investigado o senador Demóstenes Torres (Ex-DEM).

De acordo com o relator, o procedimento adotado pela CPMI não redunda em investigação de conduta do Ministério Público Federal. O que se quer, explicou, é a colaboração da instituição. Para Odair Cunha, as informações são “indispensáveis para esclarecer ao Congresso Nacional e à sociedade brasileira aspectos atinentes à investigação desta CPMI, que suscitam questionamentos acerca da legitimidade de procedimentos adotados por instituições públicas”, justificou. A PGR terá cinco dias para apresentar os devidos esclarecimentos.

Os integrantes da CPMI decidiram também solicitar ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, que reconsidere a decisão de suspender a oitiva do líder da organização criminosa Carlos Cachoeira, marcado para esta terça-feira. Ao mesmo tempo, a CPMI concedeu aos advogados do contraventor “amplo acesso” aos autos dos processos que se encontram sob o poder da comissão.

O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) classificou como “avanço” os procedimentos adotados pela CPMI, principalmente em relação à aprovação do pedido de informação ao procurador Roberto Gurgel. “A CPMI deu um passo importante para esclarecer a sociedade brasileira sobre o motivo que levou o procurador a não formular denúncia contra o senador Demóstenes Torres”, avaliou.

Vaccarezza e Dr. Rosinha (PT-PR) consideram que o procurador não está imune à convocação pela comissão. Segundo eles, Gurgel pode ser convocado a qualquer momento, caso a comissão avalie pertinente. “O procurador pode ser convocado e a explicação que ele tem que dar não é para a CPMI, mas para a sociedade brasileira. Ele tem que dizer qual foi o compromisso ou descompromisso em relação às investigações. É isso que a sociedade espera”, ressaltou Dr. Rosinha.

Para Paulo Teixeira (PT-SP), o procurador-geral ao desviar o foco para o processo do mensalão em análise no STF, cria uma “cortina de fumaça” para não responder a pergunta sobre o não prosseguimento das investigações Demóstenes-Cachoeira. “Ele tem um prazo de cinco dias para dar as explicações por escrito. Isso não impede que Gurgel venha a ser convocado futuramente, caso seja necessário”, argumentou o parlamentar.

Procuradores - O presidente da CPMI do Cachoeira Vital do Rego (PMDB-PB) acatou o pedido de adiamento das oitivas dos procuradores Daniel Salgado e Léa Batista de Oliveira responsáveis pela Operação Monte Carlo, da Policia Federal, previsto para a quinta-feira (17). Eles devem ser ouvidos após o dia 31 de maio.
Benildes Rodrigues
texto publicado originalmente no site PT na Câmara

segunda-feira, 14 de maio de 2012

CPMI : Líder defende explicação de Gurgel e convocação de Policarpo Jr



jilmartatto2703AO líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (PT-SP), defendeu nesta segunda-feira (14) a necessidade de explicação do Procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, sobre os motivos que levaram o Ministério Público a não pedir abertura de inquérito para investigar o senador Demóstenes Torres (ex-DEM), que aparece nos autos da Operação Vegas, realizada pela Policia Federal.

Ele defendeu também a convocação, pela CPI Mista do Cachoeira, do jornalista Policarpo Junior, diretor da revista Veja em Brasilia. O jornalista apareceu em várias conversas com o contraventor goiano Cachoeira  em gravações feitas pela Polícia Federal.

Para Jilmar Tatto, a explicações de Gurgel podem ser dadas sem que seja convocado pela CPI Mista. “ Não tem necessidade de o procurador Roberto Gurgel ser convocado a depor. Acho que ele tem que colaborar. Se ele tem informações que possam esclarecer as dúvidas relacionadas ao objeto da CPMI, tem que contribuir como servidor público e cidadão que ajuda a justiça e àqueles que tentam desvendar o crime organizado”, disse o líder do PT.

O material foi enviado pela PF ao MP em 2009, com um pedido para que Gurgel investigasse Demóstenes, por suspeita de envolvimento com o esquema de Cachoeira. O procurador só pediu abertura de inquérito contra o senador no Supremo Tribunal Federal (STF) em 27 de março deste ano, depois que o conteúdo das ligações entre o senador e Cachoeira foi revelado.

Vegas é uma das operações desencadeadas pela Polícia Federal para apurar as atividades criminosas de Cachoeira. Na sequência, foi realizada a Operação Monte Carlo, que resultou na prisão, em fevereiro, do contraventor e de dezenas de outras pessoas. As duas operações da PF deram origem à CPI Mista que investiga as relações entre o contraventor e agentes públicos e privados.

Imprensa – Escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo revelam a troca de 200 telefonemas entre o contraventor Carlos Cachoeira e o diretor da sucursal da Veja, em Brasília, Policarpo Jr. Nas ligações, Policarpo debatia com o contraventor pautas favoráveis ao esquema de Cachoeira. Para Jilmar Tatto, as gravações do jornalista com o crime organizado exigem esclarecimentos do funcionário da Editora Abril, que edita a Veja.

“Policarpo foi citado várias vezes. Pela quantidade de ligações, ele tem que vir dar explicações aos integrantes da CPMI. Ele não virá como réu. Todos virão na condição de convocado”, explicou o líder.
Benildes Rodrigues
Publicado originalmente no site PT na Câmara

Seminário nacional LGBT vai debater bullying nas escolas


erika kokay 2Parlamentares petistas membros das comissões de Direitos Humanos, de Educação e Cultura e, Legislação Participativa da Câmara destacaram a iniciativa do Congresso Nacional em promover o 9º Seminário Nacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais.

O encontro reunirá representantes do governo, parlamento e sociedade para debaterem a violência que sofrem crianças e adolescentes, vitimas de bullying por não se adequarem aos padrões de gênero estabelecidos pela sociedade. O debate será realizado no plenário 9, às 9h.

Para o deputado Artur Bruno (PT-CE), autor do projeto de lei que institui o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à violência nas Escolas, o seminário acontece num momento oportuno. “O bullying é uma realidade que ocorre no país. Diariamente tomamos conhecimento de agressões verbais, físicas, sexuais, étnica e de gênero”, justificou o petista.

De acordo com o parlamentar, o seminário é importante porque, entre outros pontos, pode apontar caminhos para amenizar essa questão. “É um seminário que visa encontrar saída para diminuir o preconceito que começa na infância. Além disso, pode propor políticas públicas que permeiem a cultura da tolerância, onde crianças e adolescentes possam conviver harmoniosamente com as diferenças”, ressaltou Artur Bruno.

Para a deputada Fátima Bezerra (PT-RN) é necessário avançar na cultura da paz, da tolerância e da diversidade. ”Precisamos acabar com preconceitos que, infelizmente, estão em todo lugar. A escola tem que estar preparada para prevenir e não deixar que isso aconteça”, argumentou.

O seminário tem como co-autora a deputada Erika Kokay (PT-DF). Entre os temas que serão abordados está a sexualidade na infância e na adolescência, papel de gênero e bullying. O lema do encontro é “Respeito à diversidade se aprende na infância”.

De acordo com as comissões que organizam o evento, o intuito é ouvir especialistas nas áreas da psicologia, educação e direito que trabalham com essa temática, como forma de recuperar o debate iniciado a partir do projeto “Escola Sem Homofobia”.

O seminário conta com a participação de Maria Berenice Dias, presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM); Lena Franco, do Instituto Ecos – Comunicação e Sexualidade e Coordenadora do Projeto Escola Sem Homofobia; e Miriam Abramovay – Coordenadora do projeto Violência e convivência nas escolas brasileiras (parceria entre FLACSO, MEC e OEI), além de representantes do governo e de organizações internacionais como Unesco e Unicef.

Benildes Rodrigues com Agência Câmara
Texto publicado originalmente no site PT na Câmara

sábado, 12 de maio de 2012

Depoimento de delegado pode acelerar ida de Marconi Perillo à CPMI


odaircunhavaccarezzaApós o depoimento nesta semana do delegado da Polícia Federal (PF), Matheus Mella Rodrigues, que conduziu a Operação Monte Carlo, a CPI Mista que investiga a relação do líder da organização criminosa, Carlos Cachoeira, com agentes públicos e privados, estuda acelerar a convocação do governador do Estado de Goiás, Marconi Perillo. O deputado Odair Cunha (PT-MG), relator da CPMI disse que, na oitiva, o delegado detalhou e deixou claro o envolvimento de Perillo com o contraventor.

O relator disse ainda que vai aguardar o depoimento de Carlos Cachoeira, previsto para a próxima terça-feira (15), para deliberar sobre a convocação de Marconi Perillo. A decisão pode ser tomada na próxima reunião administrativa da comissão, marcada para quinta-feira.

Odair Cunha relatou que o depoimento de Matheus Rodrigues revelou o engendramento do governo e do governador de Goiás com o crime organizado praticado pela quadrilha de Cachoeira.

“O ponto forte do depoimento foi a presença dessa organização criminosa em setores de governos estaduais. Posso afirmar que há uma ligação muito forte dessa organização com o governo de Goiás. Está evidenciada uma relação muito intensa dessa organização com gestores do governo de Goiás. Isso significa que precisamos aprofundar a investigação”, defendeu.

O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) disse que uma das “fortes evidências” do envolvimento do governo de Goiás com a quadrilha do contraventor Cachoeira está centrada na Secretaria de Segurança Pública daquele estado. De acordo com o parlamentar, os esclarecimentos do delegado deixaram claro a relação “promíscua” entre o governador Marconi Perillo, o governo de Goiás e a organização criminosa de Cachoeira.

“Ficou evidente que havia uma cota de funcionários que a organização criminosa indicava para participar do governo. Não era só funcionário de alto escalão. O maior controle da organização criminosa era nas polícias militar e civil. Esses funcionários ganhavam entre R$ 1 mil e R$3 mil. Era como se fosse uma cota. A PF não detectou o autor dessa cota, mas sabe-se que haviam várias pessoas envolvidas. O governador Marconi Perillo tem muito que explicar”, argumentou Vaccarezza.
Benildes Rodrigues
publicado originalmente no site PT na Camara

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Declaração do procurador não contribui com os trabalhos da CPMI, avaliam petistas

pteixeiradrrosinhaOs deputados Paulo Teixeira (PT-SP) e Dr. Rosinha (PT-PR) membros da CPI Mista que investiga os tentáculos da quadrilha do contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlos Cachoeira, investigado pelas Operações Vegas e Monte Carlo criticaram nesta quinta-feira (10) as declarações feitas pelo Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, aos órgãos de imprensa na noite de ontem.

O Procurador atribuiu as críticas à sua atuação nas investigações das atividades de Cachoeira a motivação políticas, citando o processo do mensalão.

De acordo com os petistas, as declarações do procurador não contribuem com os trabalhos da CPMI e não respondem a pergunta da sociedade brasileira sobre o “engavetamento” do inquérito da Operação Vegas desencadeada pela Polícia Federal.

“Acusações não ajudam no debate. O procurador-geral da República precisa explicar porque o Ministério Público não pediu abertura de inquérito no momento que recebeu os autos da Operação Vegas, em 2009”, argumentou Paulo Teixeira.

De acordo com Teixeira, o não prosseguimento da investigação poderia ter alterado o processo eleitoral de 2010. “Com essa informação o eleitor teria um dado novo para fazer sua escolha. Isso lhe foi sonegado”, ressaltou o petista. Se as investigações não tivessem sido paralisadas, alguns dos parlamentares não teriam sido eleitos, completou.

Na avaliação de Dr. Rosinha, mais grave do que a alteração do resultado eleitoral é o fato da quadrilha ter agido e se articulado no período em que o processo ficou parado.
“A paralização da investigação permitiu que o crime organizado continuasse operando, sem ser detido, sem ser investigado. Só com a operação Monte Carlo a quadrilha foi desbaratada. A população brasileira merece uma explicação sobre esse fato”, defendeu Dr. Rosinha.

Marconi Perillo - Parlamentares que participaram da oitiva do delegado da Polícia Federal, Matheus Mella Rodrigues, que conduziu a Operação Monte Carlo, nesta quinta-feira, adiantaram que além de reuniões e jantares, Carlos Cachoeira “quitou” um apartamento de propriedade do governador Marconi Perillo. O pagamento foi feito pelo sobrinho do contraventor, Leonardo de Almeida Ramos que emitiu três cheques nominais, no valor de R$ 600; R$ 500 e R$ 400 mil, respectivamente.

Carlos Cachoeira ainda entregou, segundo parlamentares, uma “caixa de dinheiro” contendo cerca de R$ 500 mil no Palácio das Esmeraldas, sede de governo de Goiás. A remessa foi feita por Lúcio Fiúza, assessor especial para Assuntos Sociais do Governo do Estado de Goiás.
Benildes Rodrigues
texto publicado originalmente no site PT na Câmara

quarta-feira, 9 de maio de 2012

CPMI do caso Cachoeira: depoimento traz solidez à investigação


odaircunha020512O deputado Odair Cunha (PT-MG), relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a relação entre o contraventor Carlos Cachoeira e agentes públicos e privados, avaliou positivamente o primeiro depoimento colhido pela comissão.

Senadores e deputados ouviram nesta terça-feira (8) o delegado da Polícia Federal Raul Alexandre Marques Souza, responsável pela Operação Vegas, que investigou o esquema de exploração ilegal de jogos.

A primeira oitiva foi feita em sessão reservada e durou mais de 7 horas. “O depoimento do delegado Alexandre Marques trouxe evidências da organização criminosa e seus tentáculos. As provas que a PF produziu traz elementos que dão solidez à investigação”, ressaltou Odair Cunha.

Sobre a relação entre o líder das operações criminosas, Carlos cachoeira, e órgãos de imprensa, o relator disse que não podia citar nomes em virtude de o processo correr sob segredo de Justiça, mas afirmou que as interceptações telefônicas apontam para o envolvimento de jornalistas.

 “Não podemos citar os nomes que aparecem nas gravações. É importante ressalvar que as gravações não indicam uma relação criminosa, mas apontam para fatos que precisam ser investigados”, defendeu o relator.

Os deputados petistas Cândido Vaccarezza (SP) e Paulo Teixeira (SP), que integram a CPMI, concordaram com a avaliação do relator. Segundo eles, os jornais ou jornalistas citados precisam prestar esclarecimentos. “Temos que avaliar com cuidado, examinar o grau de envolvimento do Policarpo Jr. com o crime organizado. Não podemos incriminar as pessoas sem a comprovação da culpa”, avaliou Vaccarezza.

Agenda – A comissão se reúne na quinta-feira (10), às 10h, para ouvir o delegado da PF Mateus Rodrigues e os procuradores do Ministério Público Daniel Salgado e Lea Batista de Oliveira, que conduziram a Operação Monte Carlo.
Benildes Rodrigues

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Relação entre Veja e Cachoeira atenta contra democracia, avaliam petistas

capacartacapital
Os deputados petistas Fernando Ferro (PE),  Francisco Praciano (AM) e Sibá Machado (AC) classificaram como “atentado à democracia” o conteúdo veiculado na reportagem de capa da Revista Carta Capital, desta semana, que traça um paralelo entre o empresário Roberto Civita, proprietário da Revista Veja e o magnata da imprensa britânica, Rupert Murdoch, dono do tablóide News of the Word. 
Ambos foram denunciados por práticas ilegais no exercício do jornalismo.

Escutas telefônicas feitas pela  Polícia Federal na Operação Monte Carlo revelam a troca de 200 telefonemas entre o contraventor Carlos Cachoeira e o diretor da sucursal da Veja, em Brasília, Policarpo Jr. Nas ligações, Policarpo debatia com o contraventor  pautas favoráveis ao esquema de Cachoeira.

Já o magnata Murdoch foi condenado por bisbilhotar a vida de políticos e celebridades no escândalo das escutas telefônicas ilegais, orquestrada pelo jornal de sua propriedade, o News of the World.  Murdoch foi considerado “inapto” pelo parlamento britânico.

Para Fernando Ferro, a semelhança entre os dois fatos é “emblemática” e, segundo ele, requer ações contundentes por parte do parlamento. “A relação Veja-Cachoeira é uma associação que não tem interesse jornalístico e representa um atentado à democracia. É um fato emblemático e exige uma apuração cuidadosa. A CPMI do caso Cachoeira terá a oportunidade de apurar a relação entre um delinquente e um órgão de imprensa”, avaliou Ferro.

De acordo com o petista, se houve a associação da imprensa com o crime organizado tem que ser investigado.  “Se existe um fato concreto, é preciso trazer à tona para o bem do Estado de Direito, para a democracia e, principalmente, para uma imprensa livre dos tentáculos do crime organizado”, disse.

O deputado Praciano, presidente da Frente Parlamentar de Combate à  Corrupção, disse que as “práticas duvidosas e suspeitas protagonizadas pela Veja são uma afronta ao Estado brasileiro”. De acordo com o parlamentar, tais práticas devem ser averiguadas e punidas nos moldes das sanções aplicadas ao magnata da mídia britânica, Rupert Murdoch.

Para Sibá Machado, os jornalistas que operam junto a Carlos Cachoeira não podem ser considerados jornalistas. “São agentes travestidos de jornalistas que operam para a revista, com intuito de destruir a vida de políticos. Esse tipo de prática é um golpe à democracia”, argumentou.
Benildes Rodrigues
Publicado originalmente no site PT na Câmara