terça-feira, 31 de julho de 2012

Jornalista da Veja, Policarpo Júnior foi contratado por Carlos Cachoeira, relata juiz


Segundo juiz, mulher de Cachoeira disse que “bicheiro” contratou redator-chefe da Veja

  
O jornalista Policarpo Júnior, da Veja, o juiz federal Alderico Rocha Santos e Andressa, esposa de Carlinhos Cachoeira, foram, novamente, personagens de uma nova história envolvendo o caso do contraventor. De acordo com reportagem do G1, Andressa teria chantageado o juiz na última semana e mencionado que o redator-chefe da revista da Editora Abril foi contratado por seu marido.

andressa
Andressa prestou esclarecimentos sobre a história
(Imagem: Reprodução/Globo)
Conforme o relato de Santos, Cachoeira teria pedido ao jornalista da Veja que produzisse um 'dossiê' e, na última quinta-feira, 26, Andressa o procurou para fazer chantagens.

"Doutor, tenho algo muito bom para o senhor. O senhor conhece o Policarpo Júnior? O Carlos contratou o Policarpo para fazer um dossiê contra o senhor. Se o senhor soltar o Carlos, não vamos soltar o dossiê", teria dito a mulher do contraventor, segundo declara o juiz.

De acordo com matéria do G1, Santos afirmou não ter nada a temer, mas Andressa insistiu e escreveu em um papel alguns nomes. Em seguida o entregou e perguntou: "o senhor tem certeza?".

“Quando ela saiu, guardei o papel onde ela escreveu os três nomes, solicitei as imagens que mostram a sua entrada e saída do prédio da Justiça Federal e encaminhei um documento ao Ministério Público relatando o fato. Eles entenderam que a ação dela se caracteriza crime e que ela deve pagar uma fiança de R$ 100 mil sob pena de prisão”, relatou o juiz, sem revelar os nomes que supostamente foram escritos.
Nessa segunda, 30, Andressa prestou esclarecimentos na Polícia Federal em Goiânia e saiu sem falar com a imprensa.

Ao G1, a Veja afirmou que o departamento jurídico não aceitará calúnias contra Policarpo e ao conteúdo da publicação. "[A revista] está tomando providências para processar o autor da calúnia que tenta envolver de maneira criminosa a revista e seu jornalista com uma acusação absurda, falsa e agressivamente contrária aos nossos padrões éticos".
http://portal.comunique-se.com.br/index.php/editorias/3-imprensa-a-comunicacao-/69348-segundo-juiz-mulher-de-cachoeira-disse-que-bicheiro-contratou-redator-chefe-da-veja.html#

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Gilmar Mendes Recebeu dinheiro do valerioduto, diz Carta Capital



Juiz? Não, réu

Por Leandro Fortes



Na quinta-feira, dia 2, quando se iniciar o julgamento do chamado mensalão no STF, Gilmar Mendes estará com sua toga ao lado dos dez colegas da Corte. Seu protagonismo nesse episódio está mais do que evidenciado. Há cerca de um mês, o ministro tornou-se o assunto principal no País ao denunciar uma suposta pressão do ex-presidente Lula para que o STF aliviasse os petistas envolvidos no escândalo, “bandidos”, segundo a definição de Mendes.

À época, imaginava-se que a maior preocupação do magistrado fosse a natureza de suas relações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o ex-senador Demóstenes Torres. Mas isso é o de menos. Gilmar Mendes tem muito mais a explicar sobre as menções a seu nome no valerioduto tucano, o esquema montado pelo publicitário Marcos Valério de Souza para abastecer a campanha à reeleição de Eduardo Azeredo ao governo de Minas Gerais em 1998 e que mais tarde serviria de modelo ao PT.

O nome do ministro aparece em uma extensa lista de beneficiários do caixa 2 da campanha. Há um abismo entre a contabilidade oficial e a paralela. Azeredo, à época, declarou ter gasto 8 milhões de reais. Na documentação assinada e registrada em cartório, o valor chega a 104,3 milhões de reais. Gilmar Mendes teria recebido 185 mil.

A lista está metodicamente organizada. Sob o enunciado “Relatório de movimentação financeira da campanha da reeleição do governador Eduardo Brandão de Azeredo”, são perfilados em ordem alfabética doadores da campanha e os beneficiários dos recursos. São quase 30 páginas, escoradas em cerca de 20 comprovantes de depósitos que confirmam boa parte da movimentação financeira. Os repasses foram feitos por meio do Banco de Crédito Nacional (BCN) e do Banco Rural, cujos dirigentes são réus do “mensalão” petista.
Esse pacote de documentos foi entregue na quinta-feira, dia 26, à delegada Josélia Braga da Cruz na Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais. Além de Mendes, entre doadores e receptores, aparecem algumas das maiores empresas do País, governadores, deputados, senadores, prefeitos e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A papelada desnuda o submundo das campanhas eleitorais inalcançado pela Justiça. Há registros de doações de prefeituras, estatais e outros órgãos públicos impedidos por lei de irrigar disputas políticas.

Os pagamentos foram feitos pela SMP&B Comunicação, empresa do ecumênico Marcos Valério de Souza. Todas as páginas são rubricadas pelo publicitário mineiro, com assinatura reconhecida em cartório no final do documento datado de 28 de março de 1999. Há ainda uma declaração assinada por Souza de 12 de setembro de 2007 e apresentada à Justiça de Minas Gerais. Souza informa um repasse de 4,5 milhões de reais a Azeredo. Intitulado “Declaração para fins de prova judicial ou extrajudicial”, o documento de apresentação assinado pelo publicitário afirma que o depósito milionário a favor de Azeredo foi feito “com autorização” dos coordenadores financeiros da campanha tucana Cláudio Roberto Mourão e Walfrido dos Mares Guia. As origens da quantia, diz o texto, são o Banco do Estado de Minas Gerais (BRMGE), Banco Rural, Comig (atual Codemig, estatal de infraestrutura mineira), Copasa (companhia estadual de saneamento), Loteria Mineira (estatal de loterias) e as construtoras Andrade Gutierrez e ARG, “conforme declaração de reembolso assinada pelo declarante”.

Segundo a papelada, Souza afirma ter elaborado a lista em comum acordo com Mourão, principal tesoureiro da campanha de Azeredo, no mesmo dia 28 de março de 1999 que consta ao lado de sua assinatura. Chamada formalmente de “Relatório de movimentação financeira”, a lista teria sido montada “sob a administração financeira” das agências SMP&B Comunicação e DNA Propaganda. No fim, o publicitário faz questão de isentar o lobista Nilton Monteiro, apontado como autor da famosa lista de Furnas, de ter participado da confecção do documento.

Monteiro provavelmente tem alguma ligação com a história. Há muitas semelhanças entre os dois documentos. A lista de Furnas, cuja autenticidade foi comprovada pela perícia técnica da Polícia Federal, igualmente trazia uma lista de nomes de políticos, a maioria do PSDB e do ex-PFL (atual DEM), todos beneficiados por recursos de Caixa 2. Além de Monteiro, assinava o documento Dimas Toledo, ex-diretor de Furnas, que até hoje nega ter rubricado aqueles papéis. A diferença agora são os comprovantes de depósitos, as autenticações em cartório e uma riqueza de detalhes raramente vista em documentos desse tipo.

Quem entregou a papelada à Polícia Federal foi Dino Miraglia Filho, advogado criminalista de Belo Horizonte. Miraglia chegou à lista por conta de sua atuação na defesa da família da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, assassinada por envenenamento seguido de estrangulamento em um flat da capital mineira, em agosto de 2000. Filha de um funcionário aposentado da Companhia Energética de Minas Gerais, (Cemig), Cristiana, de 24 anos, tinha ligações com diversos políticos mineiros. No inquérito policial sobre o crime, é descrita como garota de programa, mas os investigadores desconfiam que sua principal ocupação fosse entregar malas de dinheiro do valerioduto mineiro. Na lista assinada por Souza, ela aparece como beneficiária de 1,8 milhão de reais, com a seguinte ressalva: “Via Carlos Eloy/Mares Guia”.
Carlos Eloy, ex-presidente da Cemig entre 1991 e 1998, foi um dos coordenadores da campanha de reeleição de Azeredo. É um dos principais envolvidos no esquema e, segundo Miraglia, pode estar por trás do assassinato de Cristiana Ferreira. “Não tenho dúvida de que foi queima de arquivo”, acusa o advogado.
Mares Guia foi ministro do Turismo no primeiro governo Lula e coordenou a fracassada campanha à reeleição de Azeredo. Apontado como ex-amante da modelo, o ex-ministro chegou a ser arrolado como testemunha no julgamento de Cristina, em 2009, mas não compareceu por estar em viagem aos Estados Unidos. Na ocasião, o detetive particular Reinaldo Pacífico de Oliveira Filho foi condenado a 14 anos de prisão pelo assassinato. Desde então, está foragido. “Não há nenhum esforço da polícia mineira em prendê-lo, claro”, diz Miraglia.

Na lista, Eloy aparece quase sempre como intermediário dos pagamentos do caixa 2 operado pelo publicitário, mas não deixa de se beneficiar diretamente. Há quatro depósitos registrados em seu nome no valor total de 377,6 mil reais. Os intermediários dos pagamentos a Eloy, segundo a documentação, foram Mourão, Mares Guia, Azeredo, o senador Clésio Andrade (PMDB/MG) e uma prima do tesoureiro, Vera Mourão, funcionária do escritório de arrecadação do ex-governador tucano.

Mares Guia, além de aparecer como intermediário de quase todos os pagamentos, consta como beneficiário de 2,6 milhões de reais. Sua mulher, Sheila dos Mares Guia (116 mil reais, “via Eduardo Azeredo/Mares Guias”), e seu filho, Leonardo dos Mares Guia (158 mil reais, “via Eduardo Azeredo/Mares Guia”), são citados. Na mesma linha segue Clésio Andrade. Presidente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Andrade foi vice-governador do estado no primeiro governo do atual senador Aécio Neves e aparece como intermediário de centenas de pagamentos.

O documento tem potencial para tornar a situação de Azeredo, hoje deputado federal, ainda mais crítica. O processo do valerioduto mineiro está no Supremo sob a guarda do relator Joaquim Barbosa. Ao contrário de seu similar petista, foi desmembrado para que somente os réus com direito a foro privilegiado, Azeredo e Andrade, sejam julgados na mais alta Corte. O destino dos demais envolvidos está nas mãos da 9a. Vara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Na denúncia apresentada ao STF em novembro de 2007 pelo ex-procurador-geral da República Antônio Fernado de Souza, o ex-governador Azeredo é acusado de ser “um dos principais mentores e principal beneficiário do esquema implantado”. O deputado tucano foi denunciado por peculato (apropriação de dinheiro por funcionário público) e lavagem de dinheiro. “Embora negue conhecer os fatos, as provas colhidas desmentem sua versão defensiva”, aponta Souza na denúncia. “Há uma série de telefonemas entre Eduardo Azeredo e Marcos Valério, demonstrando intenso relacionamento do primeiro (Azeredo) com os integrantes do núcleo que operou o esquema criminoso de repasse de recursos para a sua campanha”.

O ex-procurador-geral chamou o esquema mineiro de “laboratório do mensalão nacional”. Outro citado pelo Ministério Público Federal é Danilo de Castro, secretário estadual no governo Aécio Neves e no mandato do sucessor, o também tucano Antônio Anastasia. Castro teria recebido, via Clésio Andrade e Azeredo, 350 mil reais. As origens dos recursos teriam sido a Cemig, a Comig e a Copasa.

Somam-se 35 registros de valores arrecadados a partir de órgãos públicos no valor de 14,4 milhões de reais. Apenas no Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge), que Azeredo privatizaria ainda em 1998, saíram 1,2 milhão de reais para a campanha, segundo a lista do publicitário. A Petrobras teria repassado 1,3 milhão de reais, dos quais 157 mil reais foram desviados do patrocínio do Enduro Internacional da Independência, um evento de motociclismo.

A lista encadeia ainda uma arrecadação total de 530 mil reais feita por prefeituras mineiras comandadas por tucanos e aliados (Governador Valadares, Juiz de Fora, Mariana, Ouro Preto e Ponte Nova). De Juiz de Fora vieram 100 mil reais repassados pelo prefeito Custódio de Mattos, que teve um retorno interessante do investimento. Como beneficiário do esquema, Mattos recebeu 120 mil reais, segundo a lista, embora seu nome apareça em um dos depósitos do Banco Rural com um valor de 20 mil reais. A discrepância, nesse e noutros casos, acreditam os investigadores, pode se dever a saques feitos na boca do caixa. Quem desponta na lista de doadores, sem nenhuma surpresa, é o banqueiro Daniel Dantas. Foram 4,2 milhões de reais por meio da Cemig. Desses, 750 mil reais chegaram “via Daniel Dantas/Elena Landau/Mares Guia” numa rubrica “AES/Cemig”. O dono do Opportunity aparece ainda no registro “Southern/Cemig” (590 mil reais) ao lado de Elena Landau e Mares Guia, e seu banco é citado num repasse de 1,4 milhão de reais via Telemig Celular.
Elena Landau foi uma das principais operadoras das privatizações no governo Fernando Henrique Cardoso. Casada com o ex-presidente do Banco Central, Pérsio Arida, ex-sócio do Opportunity, foi diretora de desestatização do BNDES. E uma das representantes do grupo Southern Electric Participações do Brasil, consórcio formado pela Southern, AES e Opportunity. O banco de Dantas adquiriu, com financiamento do BNDES, 33% das ações da Cemig em 1997.

O documento entregue à PF lista um total de 13 governadores e ex-governadores beneficiários do esquema, dos quais sete são do PSDB, quatro do ex-PFL e dois do PMDB. Os tucanos são: Albano Franco (SE, 60,8 mil reais), Almir Gabriel (PA, 78 mil reais), Dante de Oliveira (MT, já falecido, 70 mil reais), Eduardo Azeredo (MG, 4,7 milhões de reais), José Ignácio Ferreira (ES, 150 mil reais), Marconi Perillo (GO, 150 mil reais) e Tasso Jereissatti (CE, 30 mil reais).

Do ex-PFL são listados César Borges (BA, 100 mil reais), Jaime Lerner (PR, 100 mil reais), Jorge Bornhausen (SC, 190 mil reais) e Paulo Souto (BA, 75 mil reais). Do PMDB constam Hélio Garcia (MG, 500 mil reais) e Joaquim Roriz (DF, 100 mil reais).

Na distribuição política, os interessados, segundo a lista, são quase sempre Azeredo ou Pimenta da Veiga, ex-ministro das Comunicações e um dos coordenadores das campanhas presidenciais de FHC em 1994 e 1998. Pimenta da Veiga aparece no documento como destinatário de 2,8 milhões de reais para a “campanha de Fernando Henrique Cardoso”. O ex-presidente está na lista em outra altura, ao lado do filho, Paulo Henrique Cardoso. À dupla, diz a lista do valerioduto, teria sido repassado o valor de 573 mil reais, “via Eduardo Azeredo e Pimenta da Veiga”. Eduardo Jorge, ex-ministro e grão-tucano, teria recebido 1,5 milhão re reais.

Parlamentares não faltam. A começar pelo deputado Paulo Abi-Ackel, a quem foram destinados 100 mil reais, segundo registro do documento. Seu pai, o ex-deputado e ex-ministro da Justiça Ibrahim Abi Ackel, aparece como destinatário de 280 mil reais. Entre os locais estão os deputados estaduais Alencar Magalhães da Silveira Junior (PDT), com um registro de pagamento de 10 mil reais, e Ermínio Batista Filho (PSDB), com 25 mil reais. Melhor sorte parece ter tido o ex-deputado tucano Elmo Braz Soares, ex-presidente do Tribunal de Contas de Minas Gerais. Soares, também registrado nos depósitos da SMP&B, teve direito a uma bolada de 145 mil reais. As benesses do valerioduto mineiro alcançaram lideranças nacionais do tucanato. Um deles foi o ex-senador Arthur Virgílio Filho, do Amazonas. Pela lista de Marcos Valério, Virgílio recebeu 90,5 mil reais do esquema. Outro tucano, o ex-senador Antero Paes de Barros (MT), ex-presidente da CPI do Banestado, aparece como beneficiário de 70 mil reais. Também consta da lista o ex-senador Heráclito Fortes (DEM-PI), conhecido por ter liderado a bancada de Daniel Dantas no Senado. O parlamentar piauiense teria recebido 60 mil reais. O petista Delcidio Amaral (MS), ex-tucano e ex-presidente da CPI dos Correios, teria embolsado 50 mil reais.

As acusações também atingem o Judiciário mineiro. São citados quatro desembargadores no documento, todos como beneficiários do esquema. Corrêa de Marins (55 mil reais) foi corregedor regional eleitoral, vice-presidente do Tribunal Regional Eleitoral e presidente do Tribunal de Justiça. Faleceu em 2009. Rubens Xavier Ferreira (55 mil reais) presidiu o TJ-MG entre 1998 e 2000. Ângela Catão (20 mil reais) era juíza em 1998 e foi investigada por crimes de corrupção e formação de quadrilha pela Operação Pasárgada, da PF. Apesar disso, foi promovida a desembargadora do Tribunal Regional Federal de Brasília em 2009. A magistrada é acusada de ter participado de desvios de recursos de prefeituras de Minas e do Rio de Janeiro. Também juíza à época da confecção da lista, Maria das Graças Albergaria Costa (20 mil reais) foi do TRE de Minas e atualmente é desembargadora do TJ-MG. Dos tribunais superiores, além de Mendes consta o ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Nilson Naves (58,5 mil reais).

Um dado a ser considerado é o fato de que, em janeiro de 2009, Gilmar Mendes ter concedido o habeas corpus que libertou Souza da cadeia. Também foi libertado, no mesmo ato, Rogério Lanza Tolentino, que aparece na lista do valerioduto como beneficiário de 250,8 mil reais “via Clésio Andrade/ Eduardo Azeredo”. O ministro do Supremo entendeu que o decreto de prisão preventiva da dupla não apresentava “fundamentação suficiente”.

Chamam a atenção alguns repasses a meios de comunicação. Entre os beneficiários da mídia aparecem a Editora Abril, destinatária de 49,3 mil reais “via Clésio Andrade/Usiminas/Mares Guia”, e Grupo Abril, com o mesmo valor, mas sem a intermediação da Usiminas. Há ainda um registro de 300 mil reais para a Bloch Editora, assim como um de 5 mil reais para o Correio Brasiliense. O principal jornal de Brasília não é o único beneficiário do grupo Diários Associados. O jornal Estado de Minas recebeu 7 mil reais, assim como o jornal mineiro O Tempo (76 mil reais), de propriedade do ex-deputado tucano Vittorio Medioli que, como pessoa física, segundo a lista, recebeu 370 mil reais.

As novas informações encaminhadas à Polícia Federal, acredita Miraglia, não só poderão levar à reabertura do caso da morte da modelo como podem ampliar a denúncia do valerioduto tucano. O grupo sem foro privilegiado, sobretudo os intermediários do esquema, ficam mais vulneráveis a condenações na Justiça comum, como é o caso de Mourão e de sua assistente, Denise Pereira Landim, beneficiária de 527,5 mil reais, segundo o documento.

Nos bons tempos, os dois se divertiam alegremente em passeios de iate ao lado de Cleitom Melo de Almeida, dono da gráfica Graffar, fornecedora de notas frias do esquema. Almeida aparece como beneficiário de 50 mil reais. A Graffar, de 1,6 milhão de reais.
 http://www.cartacapital.com.br/destaques_carta_capital/juiz-nao-reu/

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Relatório da OIT aponta redução no índice de pobreza no Brasil

        

O deputado José Guimarães (PT-CE), vice-líder do governo na Câmara, disse nesta quinta-feira (19) que os dados divulgados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), sobre as condições dos trabalhadores brasileiros, são uma tradução dos slogans dos governos do presidente Lula (Brasil – Um País de Todos) e da presidenta Dilma (Brasil – País Rico é País Sem Pobreza).

Segundo o levantamento da OIT, 27 milhões de brasileiros melhoraram de condição de vida, e a pobreza no País caiu em 36% entre 2003 e 2009. “Os resultados representam a opção política dos governos Lula e Dilma, sintetizados em seus slogans, ou seja, na vontade política de erradicar a pobreza no Brasil”, ressalta Guimarães.

De acordo com o vice-líder, o êxito dos governos petistas se justifica na escolha de colocar a “questão da pobreza como o ponto central”. Para Guimarães, os programas de transferências de renda, a valorização do salário mínimo, a liberação de crédito para pequeno e médio produtor e a ampliação de crédito para a agricultura familiar são ações refletidas nos resultados da pesquisa.

Além dos pontos elencados pelo vice-líder do governo, o relatório da OIT aponta como fatores que contribuíram para a diminuição da pobreza o incremento da ocupação, com a formalização do emprego e o programa Bolsa Família. De acordo com os dados, no período de 2004 e 2011, o programa beneficiou cerca de 13,3 milhões de pessoas.
Benildes Rodrigues

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Novas denúncias podem levar tucano Marconi Perillo de volta à CPMI

odaircunha020512As novas denúncias divulgadas pela revista Época no último fim de semana, que apontam a estreita relação entre o governador Marconi Perillo (GO), Carlos Cachoeira e a Delta Construtora, podem levar o tucano a mais um depoimento a deputados e senadores. Os recentes dados motivaram integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Caso Cachoeira a apresentar pedido de reconvocação do governador tucano.

Cachoeira foi preso pela Polícia Federal (PF) como resultado da operação Monte Carlo. Segundo a reportagem, o relatório da PF mostra que Marconi Perillo recebeu propina para liberar verba para a empresa Delta.

O senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), presidente da comissão, disse em entrevista coletiva nesta quarta-feira (18) que o requerimento de reconvocação do governador de Goiás pode ser apreciado na reunião administrativa da comissão marcada para o início de agosto. “É uma manifestação colegiada. Esperamos que na próxima reunião administrativa esse requerimento como outros tantos possam ser apreciados”, explicou Vital do Rêgo.

O relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG), não descartou a reconvocação do governador tucano, mas disse que não se deve “precipitar” os fatos. De acordo com o relator, as novas denúncias evidenciam a necessidade de aprofundar as investigações.

Odair Cunha defendeu as apurações da PF que mostram o triângulo Cachoeira-Perillo-Delta. “A PF fez um trabalho totalmente isento, diferentemente de policiais civis e militares do estado de Goiás, inclusive da cúpula dos órgãos, que atuaram na defesa dos interesses de Cachoeira", afirmou.

Politização – Vital do Rêgo e Odair Cunha rebateram as críticas do PSDB sobre o direcionamento da comissão. Vital do Rêgo assegurou que comissão age de forma “reta”. “A posição da presidência é sempre reta em direção a administrar a CPMI de forma mais republicana e democrática possível”, defendeu o presidente.

Odair Cunha avalia que quem procura politizar os trabalhos da comissão é a oposição. “O PSDB é que busca partidarizar quando levanta hipóteses variadas sobre o trabalho que estamos realizando”. Segundo ele, a investigação se pauta em agentes públicos, pessoas jurídicas e físicas que se relacionam com Carlos Cachoeira. “As relações entre Carlos Cachoeira e Marconi Perillo são muitos contundentes e devem ser investigadas”, afirmou o relator.

Execução – Em relação ao assassinato, esta semana, do agente da Polícia Federal Wilton Tapajós Macedo - que atuou na operação que levou à prisão o contraventor Carlos Cachoeira - o relator e o vice-presidente recomendam cautela. Segundo eles, a comissão vai aguardar as investigações sobre o caso.

Legado – Segundo Odair Cunha, a maior contribuição que a CPMI poderá deixar ao povo brasileiro é “jogar luz sob a organização criminosa e propor legislação que colabore para que práticas como essa não voltem a ocorrer”, ressaltou o relator.
Benildes Rodrigues

terça-feira, 17 de julho de 2012

Câmara aprova Medida Provisória que amplia o Plano Brasil Maior


BohnGassA Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (17) a Medida Provisória (MP 564/12) que regulamenta e amplia o programa Brasil Maior. A medida cria incentivos tributários e de crédito para o setor produtivo. A MP abre a possibilidade de aporte de até R$ 45 bilhões pelo Tesouro Nacional ao BNDES. Essa medida permite também que o Banco do Nordeste (BNB) seja capitalizado em até R$ 4 bilhões nos próximos dois anos e de R$ 1 bilhão, no mesmo período, para o Banco da Amazônia (Basa).

Para o vice-líder da Bancada do PT na Câmara, deputado Bohn Gass (PT-RS) a aprovação da MP mostra que governo brasileiro adota as medidas necessárias que permitem investimentos de grande porte e estimula a modernização do parque industrial do País.

“Com essa medida estamos injetando R$ 45 bilhões do Tesouro Nacional para o BNDES. São créditos de longo prazo com subvenções que se elevam de R$ 209 bilhões para R$ 227 bilhões. Isso permitirá o incremento do ponto de vista dos grandes investimentos no Brasil”, enfatizou Bohn Gass.

O petista classificou de “importante” as votações das MPs 563 e 564 concluídas pelo Plenário da Câmara nesta semana. “Foram duas votações importantíssimas que não deixa o Brasil ficar refém dos impactos negativos da crise internacional. Muitos países estão sofrendo com a crise, mas, o Brasil se prepara, com essas medidas, para continuar crescendo e investindo”, avaliou o parlamentar.

Principais pontos - Entre os dispositivos da MP 564 encontra-se a redução do custo de financiamentos para máquinas e equipamentos; estabelece, como forma de enfrentamento da crise mundial sobre a exportação brasileira, incentivos para ampliar a participação de empresas de micro, pequeno e médio portes no comércio externo. 

O texto prevê também a criação da Agência Brasileira Gestora de Fundos e Garantias S.A (ABGF). Além disso, autoriza a União a participar de fundos dedicados a operações de comércio exterior ou projetos de infraestrutura de grande vulto. A medida contempla ainda os Fundos de Desenvolvimento Regional e de Financiamento Estudantil (Fies).

Benildes Rodrigues

Líder do PT defende rapidez no inquérito contra o governador tucano Marconi Perillo


liderJT1204Relatório da Polícia Federal encaminhado ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, divulgado em reportagem da revista Época, neste final de semana, revela novos indícios do envolvimento do governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB) com o esquema liderado pelo contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlos Cachoeira e a Delta Construtora. Perillo é investigado pela Comissão Mista Parlamentar de Inquérito (CPMI) que apura a relação do contraventor com agentes públicos e privados.

Para líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (SP) as evidências exigem rapidez na análise do inquérito contra o governador tucano apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF) ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Perillo sai da condição de testemunha para indiciado.

“Está mais que provado a relação de Marconi Perillo com o Carlos Cachoeira e com a Delta. Então o STJ tem que decidir, analisar a documentação porque do ponto de vista da materialidade das provas não tem mais o que questionar”, afirmou Jilmar Tatto. Ele enfatizou que a própria Polícia Federal (PF) já considera que há indício suficiente para abertura de inquérito. “Vamos aguardar que os ministros do STJ analise o mais rapidamente possível e decidam pelo afastamento. Não há mais dúvida do envolvimento dele com o crime organizado do Carlos Cachoeira”, completou o líder petista.

De acordo com Tatto a cada momento aparecem novas denúncias que comprometem ainda mais Marconi Pirillo. O petista considera uma “temeridade” para o povo de Goiás a permanência de um governador que tenha comportamento não condizente com o cargo que exerce. “Para o bem do povo de Goiás ele tem que sair rápido do governo”, sentenciou Jilmar Tatto.

O líder acredita que não há necessidade de a CPMI reconvocar o governador goiano. Na avaliação de Tatto a comissão vai “perder tempo” com Marconi Perillo. 

“Perillo mentiu descaradamente sobre a relação dele com Carlos Cachoeira. Essa é uma relação direta, quase de sociedade. Para que chamá-lo à CPMI? A comissão já fez o trabalho dela. Ele já teve oportunidade de se explicar e mentiu. Agora é com a justiça”, afirmou o líder petista. Na avaliação de Jilmar Tatto, se a Assembleia Legislativa de Goiás “tiver o mínimo de decência” deve convocar o governador tucano e abrir o processo de impeachment contra ele. “Se essa Casa não o fizer, cabe ao STJ fazê-lo”, defendeu Tatto.

Já o vice-presidente da comissão, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), avalia que a denúncia contida no relatório da PF “é grave e compromete o governador Marconi Perillo”.
Benildes Rodrigues

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Comissão aprova relatório sobre Medida Provisória do Código Florestal

A medida foi aprovada na comissão com ressalva aos 343 destaques apresentados e que devem ser apreciados em agosto, no retorno do recesso parlamentar. A MP perde a validade no dia oito de outubro.

Para o presidente da comissão, deputado Bohn Gass (PT-RS), os esforços empreendidos no decorrer dos debates para se chegar a um entendimento, foram recompensados com a aprovação da MP. Na avaliação do petista, ao vetar os pontos que considerava “anistia” generalizada às áreas consolidadas, a presidenta Dilma Rousseff procurou corrigir distorções, apresentando a MP que preserva o meio ambiente e valoriza o agricultor familiar.

“Os pontos vetados não fazia justiça social nem ambiental. O envio da MP permite fazer exatamente isso, ter o sistema ambiental, fazer a preservação, diferenciar o pequeno do grande produtor rural, reforçar os instrumentos para podermos preservar e produzir. Essa síntese de equilíbrio é o que vingou no parecer. O nosso esforço foi dialogar com todas as emendas apresentadas para que ela não fugisse dessa rota”, explicou Bohn Gass.

O deputado Márcio Macêdo (PT-SE) fez questão de registrar o seu descontentamento. Segundo ele, o relator Luiz Henrique acolheu centenas de emendas apresentadas pela ala conhecida como bancada ruralista e não incorporou emendas apresentadas pelos setores dos ambientalistas. Apesar da queixa, o parlamentar disse que foi importante a aprovação da MP.

“Acho fundamental a votação da MP 571 porque ela complementa os vetos que a presidenta Dilma fez e resolve um problema da insegurança jurídica. É importante para os produtores rurais brasileiros, sobretudo para os pequenos produtores, os agricultores familiares, que são o foco da nossa preocupação. Os pequenos precisam do marco legal para protegê-los. Dessa forma, vão continuar produzindo e levando comida à mesa de milhões de brasileiros”, ressaltou Macêdo.

O parlamentar levantou uma preocupação em relação à alteração apresentada pelo relator, no que se refere à Amazônia. O senador Luiz Henrique alterou parte do seu parecer que trata da reserva legal das Áreas de Proteção Permanente (APPs). Segundo argumento do relator, a medida foi adotada para não inviabilizar economicamente uma propriedade rural. As propriedade rurais situadas em área de floresta da Amazônia Legal pode ter até 80% de área preservada, nessa área inclui-se reserva legal e APP.
Benildes Rodrigues

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Demóstenes Torres: Deputados petistas consideram justa cassação do mandato

JilmarTattofotoGustO plenário do Senado aprovou com 56 votos favoráveis a cassação do mandato do senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), político antes considerado pela grande mídia como “paladino da honestidade”. O processo de cassação ocorreu em sessão secreta nesta quarta-feira (11) e contou com a presença de 80 senadores. Destes, cinco parlamentares se abstiveram da votação e 19 concordaram com a conduta adotada pelo agora ex-senador.

Demóstenes foi pego em interceptações telefônicas da Polícia Federal (PF) fazendo uso do mandato em benefício do grupo liderado pelo contraventor Carlos de Almeida Ramos, o Carlos Cachoeira.

Em seu parecer, o senador Humberto Costa (PT-PE), relator do caso no Conselho de Ética sustentou o argumento de que Demóstenes Torres “abusou de prerrogativas asseguradas a membros do Congresso Nacional". Já o relator do processo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, senador Pedro Taques (PDT-MT) afirmou que "o senador adotou conduta incompatível com o decoro parlamentar, ferindo de morte a dignidade do cargo e a ética que se impõe".

O líder da bancada do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (foto PT-SP), classificou a decisão como “justa”. Ele lembrou que Demóstenes Torres foi considerado um dos políticos mais “éticos” do Congresso Nacional. 

“O senador Demóstenes, do DEM, passava uma imagem de probo. Ele fazia o discurso da ética moralista, onde atacava o governo do ex-presidente Lula, da presidenta Dilma e o PT. A verdade é que quem fazia a maracutaia era justamente ele. Portanto, está de parabéns o Senado por ter tomado uma decisão corajosa, firme e por ter feito justiça tirando o mandato desse senhor que só fez mal ao parlamento brasileiro”, afirmou Jilmar Tatto.

Na avaliação do deputado Odair Cunha (PT-MG), relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as relações do crime organizado liderado por Cachoeira com agentes públicos e privados, o Senado deu um grande passo.

“A posição assumida pelos senadores reforça o poder legislativo e legitima ainda mais a democracia brasileira à  medida em que dá uma resposta ética, ao cassar uma pessoa que se associou a uma organização criminosa”, avaliou o relator.

Odair considerou a cassação de Demóstenes Torres como parte  do processo de investigação da CPMI. Segundo ele, os fatos, aos poucos, vieram à tona e levaram à descoberta da organização criminosa. Para ele, a cassação reforça também a necessidade da continuidade das investigações.

Já o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), relator do projeto de lei (PL 6826/10) que estabelece punição severa às pessoas jurídicas que praticarem atos ilícitos, destacou a importância da decisão do Senado. “O que vimos foi um senador que se dispôs a servir não a interesses privados de setores econômicos, mas a interesses privados do crime organizado. Foi uma decisão importante e correta do Senado”, declarou Zarattini.
Benildes Rodrigues

terça-feira, 10 de julho de 2012

Brasileiros são os mais otimistas em pesquisa global sobre rumos da economia

ferroferreirajosiasOs deputados petistas Fernando Ferro (PE), Paulo Ferreira (RS) e Josias Gomes (BA) analisaram nesta segunda-feira (9), pesquisa encomendada pela Confederação Internacional do Comércio. A enquete revelou que 69% da população do Brasil acredita que o país esteja indo na direção certa. Os brasileiros também se mostraram os mais positivos ao responder uma pergunta avaliando o desempenho econômico do país: 71% dos brasileiros consideram que a situação econômica do país é boa ou muito boa. 

As entrevistas foram conduzidas em Grécia, Japão, França, Reino Unido, Estados Unidos, Bélgica, Bulgária, México, Indonésia, África do Sul, Canadá, Alemanha e Brasil. A Alemanha foi o único país europeu em que a maioria dos entrevistados achou que o país estava indo na direção certa. A pesquisa, feita pela empresas TNS e Anker Solutions, ouviu cerca de 13 mil pessoas nos 13 países, que representam 20% da população mundial. O tom geral foi de pessimismo, com exceção do Brasil.

Para o vice-líder do PT na Câmara, Fernando Ferro, a avaliação positiva dos brasileiros é reflexo da condução econômica e política dos governos do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma. 

“Os nossos governos investiram na geração de emprego e em ganhos salariais de milhares de trabalhadores. Estamos caminhando para ser a quinta maior economia mundial. Com os ganhos no campo social e econômico, a população se sente presente na política implementada pelos governos do PT. Portanto, a melhoria de vida do povo brasileiro reflete no resultado da pesquisa e mostra o bom momento econômico e político que o país vive”, observou Ferro.

De acordo com o deputado Paulo Ferreira, também vice-líder da bancada petista, a pesquisa feita em momento de crise global é o termômetro que mostra que o país conduz a política econômica de forma correta.

"Diante do ambiente internacional de crise, essa pesquisa demonstra a correção das políticas adotadas pelo governo da presidenta Dilma na proteção do mercado interno que sustenta e dinamiza a economia brasileira. Os dados dessa pesquisa, aliados aos índices de aprovação e popularidade da presidenta Dilma, confirmam a confiança da população com os rumos da economia do país”, avaliou Paulo Ferreira.

Já o deputado Josias Gomes alfineta a grande mídia que, segundo ele, não valoriza as ações de governo e, quando o faz, é no sentido de desqualificar. Josias Gomes acredita que ao noticiar de forma negativa, os meios de comunicação, não contribuem com o país.

“Essa pesquisa é fundamental para a divulgação positiva dos caminhos e ações implementados pelo governo brasileiro na área econômica. Infelizmente, a mídia brasileira ou noticia as ações do governo de forma negativa ou as desqualificam. É lamentável que precise aparecer pesquisa ou opinião isenta para que a mídia passe a ter mais respeito com o seu próprio país”, lamentou Josias Gomes.

A coleta de dados foi feita entre os dias 10 de abril e 6 de maio deste ano.
Benildes Rodrigues
Texto publicado originalmente no site PT na Câmara

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Marcos Coimbra: Os mensalões, um comparativo



Fonte: Carta Capital

Por coincidência, justamente quando o julgamento do mais famoso “mensalão”, que alguns chamam “do PT”, foi marcado, a Procuradoria-Geral da República encaminhou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) sua denúncia contra os acusados de outro, o “mensalão do DEM” do Distrito Federal.

Processos contra os 40 réus do chamado mensalão. Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

Trata-se mesmo de um acaso, pois a única coisa que os dois compartilham é o nome. Equivocado por completo para caracterizar o primeiro e inadequado para o segundo.

Naquele “do PT”, nada foi provado que sugerisse haver “mensalão”, na acepção que a palavra adquiriu em nosso vocabulário político: o pagamento de (gordas, como indica o aumentativo) propinas mensais regulares a parlamentares para votar com o governo. No outro, essa é uma das partes menos importante da história.

Alguns acham legítimo – e até bonito – empregar a expressão como sinônimo genérico de “escândalo” ou “corrupção”, mas isso só distorce o entendimento. O que se ganha ao usar mal o português? No máximo, contundência na guerra ideológica. Chamar alguma coisa de “mensalão” (ou adotar neologismos como “mensaleiro”) tornou-se uma forma de ofender.

Fora o nome errado igual, os dois são diferentes.
Ninguém olha o “mensalão” de Brasília como se tivesse significado especial. É somente, o que não quer dizer que seja pouco, um caso de agentes políticos e funcionários públicos, associados a representantes de empresas privadas, suspeitos de irregularidades.

Por isso, se o STJ acolher a denúncia, o processo terá tramitação normal. Sem cobranças para que ande celeremente. Sem que seja pintado com cores mais fortes que aquelas que já possui. Sem que se crie em seu torno um clima de “julgamento do século” ou sequer do ano.

É provável que aconteça com ele o mesmo que com outro mais antigo, o “mensalão do PSDB”. Esse, que alguns dizem ser o “pai de todos”, veio a público no mesmo período daquele “do PT”, mas avança em câmera lenta. Está ainda na fase de instrução, sem qualquer perspectiva de julgamento.
Por que o que afeta o PT é mais importante?

A resposta é óbvia: porque atinge o PT. Se os “mensalões” da oposição são tratados como secundários e se outros são irrelevantes (como os que a toda hora são noticiados em estados e municípios), deveria existir no do PT algo que justifique tratamento diferente.

Há quem responda com uma frase feita, tão difundida, quanto vaga: seria o “maior escândalo da história política brasileira”. Repetida como um mantra pelos adversários do PT, não é substanciada por nenhuma evidência, mas circula como se fosse verdade comprovada.

“Maior” em que sentido? Os recursos públicos movimentados seriam maiores? Mais gente estaria envolvida?

É difícil para quem lê as alegações finais do Ministério Público Federal (MPF) compreender o montante que em sua opinião teria sido desviado e como. O documento é vago e impreciso em algo tão fundamental.
Essa indefinição pode ser, no entanto, positiva: deixa a imaginação livre. Qualquer um pode inventar o valor que quiser.

O “mensalão do DEM”, ao contrário, tem tamanho especificado: 110 milhões de reais. Nele, o MPF não se confundiu com as contas.

Se o critério para considerar maior o petista for a quantidade de envolvidos, temos um curioso empate: dos 40 acusados originais, número buscado pelo MPF apenas por seu simbolismo, restam 37, tantos quanto os denunciados no escândalo de Brasília.

E há diferenças notáveis. No “mensalão do DEM”, os agentes públicos foram citados por desviar dinheiro para enriquecimento pessoal, o que, em linguagem popular, significa roubar. No “do PT”, nenhum.

De um lado, valores certos, acusados em número real, motivações inaceitáveis. Do outro, o oposto.
Quando o procurador-geral declarou que “a instrução comprovou que foi engendrado um plano criminoso para a compra de votos dentro do Congresso Nacional”, esqueceu que nem sequer uma linha de suas alegações o demonstrou. Arrolou 12 deputados (quatro do PT), que equivalem a 2% da Câmara, número insuficiente para sequer presumir que houvesse “um esquema de cooptação de apoio político”, a menos que inteiramente inepto.

No caso de Brasília, nada está fantasiado, é tudo visível, o que não significa que tenha sido provado de forma juridicamente correta.

No fundo, essa é a questão e a grande diferença entre os dois. Quando a hora chegar, o “mensalão do DEM” deverá, ao que tudo indica, ser analisado de maneira técnica. Se o “do PT” o fosse, pouco da acusação se sustentaria.

Tomara que os ministros do STF consigam independência para julgá-lo de maneira isenta, livres das pressões dos que exigem veredictos condenatórios.

http://www.cartacapital.com.br/politica/os-mensaloes-um-comparativo/#.T_mec1TmoHw.facebook

terça-feira, 3 de julho de 2012

Ferro propõe A Voz do Brasil como Patrimônio Cultural Imaterial



O deputado Fernando Ferro (PT-PE), vice-líder da bancada do PT, protocolou na Mesa da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (3), uma proposição que solicita ao Poder Executivo, por meio do Ministério da Cultura, a inclusão do programa A Voz do Brasil como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro.

“A Voz do Brasil é uma radiografia da história da República. É um programa que  tem um acervo politico e cultural importante. A nossa indicação é para que o ministério da Cultura se aproprie, consolide e dê estatuto de Patrimônio Imaterial da memória do Brasil a esse programa”, afirmou Fernando Ferro.

O parlamentar lembrou que A Voz do Brasil faz parte de um espaço de divulgação das ações do Congresso Nacional, do Executivo e do Judiciário e é um programa já incorporado ao cotidiano de milhões de brasileiros em todas as regiões do País. “É um programa que cumpre um papel social e político de extrema importância”, ressaltou.

Flexibilização – O deputado petista criticou a proposta de flexibilização do horário da Voz do Brasil, em análise na Câmara. De acordo com Ferro, o projeto representa “uma ofensiva de setores privados da mídia que querem se apropriar desse espaço e, que, no limite, querem extinguir A Voz do Brasil”.

Na avaliação do vice-líder da bancada do PT, o programa é um dos poucos espaços em que os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário têm para prestar contas à população. Ferro disse ainda que o programa  “alimenta” parcela do povo brasileiro com informações normalmente desprezadas pela midia comercial e, ao mesmo tempo, orienta a população sobre os direitos dela e contribui para o seu posicionamento político.

Concessão – Para Fernando Ferro, os canais de rádio e televisão são concessões públicas e, por isso, “não se pode abrir mão” do direito de informar a população. Ainda segundo Ferro, o Brasil está vivendo um processo de apropriação de um espaço de visibilidade de ação de interesse público. “É a privatização da informação e da notícia do Brasil por interesses políticos e ideológicos dos agentes que, hoje, controlam a mídia no País”, criticou o petista.

Benildes Rodrigues 
Texto publicado originalmente no Blog PT na Câmara

Empresária apresenta documento que compromete ainda mais governador tucano

 odaircpmi030712A empresária Ana Cardozo de Lorenzo, proprietária da empresa Serpes Pesquisa de Opinião e Mercado, responsável pela campanha de Marconi Perillo ao governo de Goiás, em 2010, não compareceu ao depoimento da CPMI do Caso Cachoeira marcado para esta terça-feira (3). No entanto, ela encaminhou documento à comissão em que admite o recebimento de R$ 28 mil da empresa Alberto & Pantoja Construções, referentes a pagamento de prestação de serviços na campanha de 2010, do governador tucano Marconi Perillo.

A empresa Alberto& Pantoja foi classificada, pela Polícia Federal, como empresa “laranja” de propriedade do contraventor Carlos Cachoeira.

Para o relator da CPMI, deputado Odair Cunha (PT-MG), a depoente apresentou elementos importantes para a investigação. Segundo ele, quem contratou a empresária Ana de Lorenzo, foi o ex-presidente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de Goiás, Edivaldo de Paula, braço de Cachoeira no governo de Goiás.

“É um vinculo importante de recursos da organização criminosa que viabilizou pesquisa em período eleitoral. Ana de Lorenzo trouxe um documento assinado por seus advogados que afirmam que os R$ 28 mil foram pagos em razão de serviço prestado, a pedido do Edivaldo de Paula. É um vínculo de alguém que está no governo de Goiás com a organização criminosa”, constatou Odair Cunha.

O relator disse ainda, que foi identificado um montante de R$ 56 mil na conta de Ana de Lorenzo. Desse total, o relator disse que falta identificar a que se referem os outros R$ 28 mil, que totalizam os R$ 56 mil.

Convocações: A comissão analisa na reunião administrativa marcada para esta quinta feira (5) os requerimentos que solicitam a convocação de Carlos Cachoeira e do prefeito de Palmas - TO, Raul Filho (PT). A reconvocação de Cachoeira foi iniciativa do relator. Já a do prefeito petista tem como signatário o senador Randolfe Rodrigues (PSol-AP)e outros integrantes da comissão.

Segundo Odair Cunha, a convocação do empresário do jogo do bicho se dará, uma vez que o próprio Cachoeira se prontificou a contribuir com os trabalhos da comissão. “Cachoeira tem dado sinais de que pode falar à comissão. Ele disse isso textualmente, quando esteve na CPMI, que gostaria de contribuir, mas que seria no momento oportuno. A esposa dele sinalizou em reportagem que ele pode vir a falar. Vamos, então, deixar esse requerimento aprovado para esse momento oportuno”, reiterou o relator.

Em relação à aprovação da oitiva do prefeito Raul filho, Odair disse que a comissão vai analisar o pedido, mas que ele, pessoalmente, é da opinião que o prefeito deve comparecer à comissão e prestar os esclarecimentos.

Vídeo - O prefeito Raul filho aparece em vídeo, gravado em 2004, durante a campanha que o elegeu, pela primeira vez, à Prefeitura de Palmas, negociando contribuição de campanha em troca de benefícios que a quadrilha do contraventor Carlos Cachoeira teria em seu governo. O vídeo, segundo o relator, faz parte da videoteca de Carlos Cachoeira, apreendido pela PF.
Benildes Rodrigues
texto postado originalmente no site PT na Câmara

segunda-feira, 2 de julho de 2012

CPMI: Carlos Cachoeira tem que falar a verdade, diz líder do PT

   
jilmartatto2703AO líder da bancada do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (PT-SP), comentou a entrevista que a mulher do contraventor Carlos Cachoeira, Andressa Mendonça, deu ao programa Fantástico do último domingo. Para o líder, Andressa deu um “recado” aos comparsas de Cachoeira ao declarar que ele “vai falar” o que sabe no momento oportuno. “Temos que trazer o Carlos Cachoeira à CPMI e pedir que ele fale a verdade”, disse o líder do PT.

“Cachoeira é o chefe de uma organização criminosa. Seus comparsas estão deixando-o totalmente isolado. A entrevista pode ter sido um recado, uma vez que ele está preste a falar o que sabe e, quem sabe, entregar de vez todo o esquema do PSDB no Estado de Goiás”, avaliou Jilmar Tatto.

Carlos Cachoeira compareceu no mês de maio à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), criada para investigar o envolvimento de agentes públicos e privados com o crime organizado, liderado por ele. O empresário do jogo do bicho se valeu do direito constitucional de ficar calado.

Cachoeira foi preso no dia 29 de fevereiro a partir da investigação da Polícia Federal, denominada Operação Monte Carlo.


Agenda – A comissão ouve nesta terça-feira (3) quatro suspeitos de integrar o esquema comandado por Cachoeira. O primeiro a depor é Joaquim Gomes Thomé Neto. Ele é tido como um dos responsáveis pelas escutas ilegais a mando do contraventor. Também depõe Rosely Pantoja da Silva, sócia da empresa Alberto & Pantoja Construções, considerada uma das empresas “laranja” de Cachoeira.

 O colegiado houve ainda os depoimentos de Ana Cardozo de Lorenzo, proprietária da empresa Serpes Pesquisa de Opinião e Mercado, responsável pela campanha de Marconi Perillo ao governo de Goiás, em 2010 e, Edivaldo Cardoso de Paula - ex-presidente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de Goiás. Contra ele pesam acusações de irregularidades em benefício da quadrilha do contraventor. Há indícios de que Edivaldo de Paula foi indicação de Cachoeira ao governo tucano de Marconi Perillo.


Benildes Rodrigues

Texto publicado originalmente no site PT na Câmara