domingo, 28 de outubro de 2012

Jilmar Tatto: Vitória de Haddad é um novo marco para SP e o Brasil

As eleições deste domingo, em segundo turno, em cinquenta cidades brasileiras, consolidaram o Partido dos Trabalhadores como a maior legenda do país. Foi o campeão de votos e passa agora a governar 635 cidades no País, das quais quatro capitais ( São Paulo, Goiânia, João Pessoa e Rio Branco), um crescimento de 14% em relação a 2008 (558 prefeituras).

Das 85 maiores cidades brasileiras, foi o grande vitorioso, conquistando 16 delas. Neste domingo, conquistou também as prefeituras de Vitória da Conquista (BA), Niteroi (RJ),Guarulhos (SP), Mauá (SP) e Santo André (SP). Em São Paulo, das sete mais populosas cidades, seis estão com o PT.

O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), comemorou hoje (29) a consolidação do PT e o apoio expressado pela população brasileira ao projeto que vem sendo implementado desde 2003, primeiro com Lula e, agora, com a presidenta Dilma Rousseff.

Para ele, a eleição do petista Fernando Haddad para prefeito de São Paulo, a maior cidade brasileira, é estratégica e um marco para a transformação de São Paulo e também do Brasil, da a importância da cidade para o cenário nacional.

Na análise do líder, a vitória expressiva de Haddad (55,57% dos votos válidos) diante do tucano José Serra e de outros candidatos petistas em todo o País deixou claro que o povo não se deixa iludir pelas baixarias e nem distorções promovidas pela oposição e pela mídia conservadora a respeito do julgamento da Ação Penal 470 (o chamado “ mensalão” ) e da questão da ética.

“A população brasileira manifestou o apoio ao projeto do PT que desde 2003 tem transformado o Brasil para melhor, com crescimento, justiça social, geração de emprego e renda. O nosso projeto é diferenciado, pois apoia as camadas desfavorecidas e promove justiça social”.

O líder destacou também o olhar estratégico do ex-presidente Lula, por ter lançado Haddad como candidato, mesmo sem ter nunca disputado um cargo eletivo, apostando na inovação e num nome que empunha as principais bandeiras do PT para transformar São Paulo. “ Lula mostrou que tem muito o que contribuir para a política brasileira e para a transformação do Brasil”.

“Os números mostram que apostar contra o PT e Lula, como fizeram oposição e parte da mídia, é um erro, pois o povo apoia o nosso projeto vitorioso. O PT é o partido mais popular; nosso partido, desde 2003, no governo central, tem implementado mudanças históricas que têm colocado o Brasil num outro patamar no plano mundial, com crescimento e justiça social.”

No primeiro turno, o Partido dos Trabalhadores teve 17.198, 959 votos. O PT elegeu 5.164 vereadores, portanto, 1.901 a mais do que em 2008. No segundo turno das eleições municipais ocorridas neste domingo, o PT disputou 21 prefeituras e conquistou 6.961,346 votos, sendo o partido mais votado. A oposição murchou, em termos de números de prefeituras: o PSDB, que em 2008 tinha 791 prefeituras, caiu para 702, queda de 11%. O DEM ((ex-PFL) despencou: tinha 496 prefeituras e neste ano caiu para 278, queda de 44%. O PT, em contraste, vem tendo um crescimento constante, desde 2002.

fonte: PT Na Câmara

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Eleições Municipais: Pesquisas indicam liderança do PT em 15 cidades

 
Fonte: Rede Brasil Atual

São Paulo – O PT é a legenda com maior número de candidatos com chances de vencer nas cidades em que ocorre o segundo turno das eleições municipais, daqui a uma semana.  Ao todo, eleitores de 50 cidades voltam às urnas no próximo domingo (28). Segundo levantamento da Secretaria de Organização do partido, feito com base em pesquisas públicas e internas, o PT está bem posicionado em 15 dos 42 municípios em que havia sondagens disponíveis até a última sexta-feira.

Em seis dessas cidades, a diferença dos petistas para os adversários é superior a 12 pontos percentuais: São Paulo, Guarulhos, Santo André, Mauá, João Pessoa e Niterói. Nas demais (Cuiabá, Montes Claros, Fortaleza, Ponta Grossa, Salvador, Vitória da Conquista, Rio Branco, Campinas e Cascavel) a situação é de empate técnico. 

Em segundo lugar entre os bem posicionados (na frente ou em empate técnico) vem o PSDB, com nove cidades: Rio Branco, Manaus, Belém, Teresina, Taubaté, Pelotas, Campina Grande, Blumenau e Sorocaba. Em seguida vem o PMDB em sete: Vitória da Conquista, Juiz de Fora, Petrópolis, Uberaba, Florianópolis, Guarujá e Sorocaba.

Na disputa direta contra o PSDB, seu principal adversário, o PT está à frente em três cidades (São Paulo, João Pessoa e Guarulhos), atrás em duas (Pelotas e Taubaté) e empatado em uma (Rio Branco).
De acordo com os dados, e considerando os que já foram eleitos no primeiro turno, o PT pode chegar a 28 prefeitos no universo das 119 cidades com mais de 150 mil eleitores; o PSDB pode chegar a 26; e o PMDB a 20.

Mídia x políticas públicas

O bom desempenho do PT nas eleições de 2012 tem surpreendido a muitos, considerando o bombardeio midiático e a coincidência do julgamento da Ação Penal 470, o chamado mensalão, com os dois turnos do processo eleitoral. Para o cientista político Francisco Fonseca, da Fundação Getúlio Vargas, o julgamento teve pouco efeito para os propósitos eleitorais porque “há uma dissociação no Brasil, mais recentemente, entre o que aparece na mídia e o efeito das políticas públicas desenvolvidas pelos governos do Partido dos Trabalhadores”.

Segundo ele, não é causal a coincidência entre os calendários das eleições e do julgamento do STF. “Não é uma coincidência fortuita e sim uma decisão política. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, por exemplo, disse que gostaria que o julgamento do mensalão produzisse efeito (eleitoral). Além disso, o STF está sendo pautado pela mídia. Isso é muito problemático para a democracia”, analisa Fonseca.

No entanto, para ele, o eleitor não se deixa mais levar tão facilmente pelo  “massacre” midiático. “O cidadão comum entende que há duas coisas diferentes. Uma é o que aparece na mídia. Outra, sua vida está melhor, e ele entende que há mais emprego, mais crédito, transferência de renda inédita no país, aumento real de salário, programas com Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida”, avalia.

Primeiro turno

No primeiro turno das eleições municipais, o PT foi o partido com maior número de votos em números absolutos. Foram 17,3 milhões (4,2% a mais do que em 2008). O PMDB foi o segundo, com 16,7 milhões de votos, mas caiu 10% em relação à eleição anterior.

Já o PSDB caiu em relação a 2008. Teve 13,9 milhões de votos no primeiro turno em 2012, contra 14,6 milhões em 2008, queda de 4,8%.
http://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/2012/10/pt-e-psdb-devem-ter-mais-prefeitos-nas-grandes-cidades

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Lei de Cotas é regulamentada e resgata cidadania, avaliam petistas



O governo federal publicou nesta segunda-feira (15) o Decreto (7.824/12) que regulamenta a Lei de Cotas. De acordo com a lei, jovens das escolas públicas, negros e índios terão acesso ampliado às universidades e aos institutos federais de ensino. Os deputados petistas Fátima Bezerra (RN) e Luiz Alberto (BA) avaliaram positivamente a iniciativa. “É uma vitória importante da cidadania”, disse Fátima Bezerra.

A parlamentar destacou, também, a luta da bancada e dos movimentos sociais na aprovação dessa lei que, segundo ela, “vai promover a inclusão social desses segmentos, ao mesmo tempo em que resgata a dívida história que o país acumulou com essa parcela da população”, enfatizou a petista.

Já o deputado Luiz Alberto, que sempre atuou na defesa da igualdade racial, classificou a regulamentação da nova lei como “grande vitória da sociedade brasileira”. O parlamentar lembrou também que o decreto regulamenta artigos do Estatuto da Igualdade Racial aprovado recentemente no Congresso Nacional.  Segundo Luiz Alberto, o decreto presidencial “cria condições reais de inclusão e resgata dívida étnico-racial”. Para ele, a lei “garante a todos o que, antes, era exclusividade da elite”.

Decreto – Entre os itens que constam no decreto presidencial destaca-se o que trata dos resultados obtidos pelos estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que poderão ser utilizados como critério de seleção para o ingresso nas instituições federais. Além disso, essas instituições com vínculos ao Ministério da Educação devem reservar no processo seletivo para ingresso nos cursos de graduação, no mínimo cinquenta por cento de suas vagas para estudantes que tenham cursado integralmente o ensino médio em escolas públicas; com renda familiar bruta igual ou inferior a um inteiro e cinco décimos salário-mínimo e,  a proporção de vagas  deve ser, no mínimo igual à de pretos, pardos e indígenas seguindo o último Censo Demográfico.

A presidenta Dilma Rousseff destacou, no programa semanal Café com a Presidenta, que as universidades e os institutos federais terão quatro anos para implantar a Lei de Cotas de forma integral, mas que os processos seletivos para matrículas em 2013 precisam oferecer uma reserva de vagas de 12,5%, incluindo aqueles que utilizam a nota do Enem.
Benildes Rodrigues
Ouça o deputado Luiz Alberto (BA) na Rádio PT
Texto publicado originalmente no site PTNa Câmara

terça-feira, 9 de outubro de 2012

STF: Quando a retórica vale mais que as provas



Benildes Rodrigues
Quando a Corte toma como verdade absoluta a denúncia feita pelo Roberto Jefferson pode-se afirmar que alguma coisa está fora da ordem. Quem é Roberto Jefferson? Quem é Zé Dirceu? Não se pode comparar. A democracia tão festejada pelos brasileiros tem a marca, a dedicação, a luta e o sacrifício de Dirceu.
Como pode um tribunal utilizar de discurso construído a partir de argumentos baseados em uma “realidade” inventada por uma figura invejosa, oportunista que, em nenhum momento, pode ser considerada paladino da ética e das boas práticas políticas? Essa é a pergunta que paira na mente de milhares de pessoas que, por mais leigas que sejam, têm o senso de justiça como premissa.

É estarrecedora a decisão do STF. Os juízes utilizam de técnicas argumentativas para convencer um auditório. Cada gesto e palavra foram milimetricamente estudados com o único objetivo: convencer e persuadir a plateia.
Se é verdade que o tal mensalão existiu por que apenas uma das Casas que compõem o parlamento brasileiro foi “comprada”? Os projetos de reforma, por exemplo, precisam passar pelo crivo de ambas as Casas legislativas, como bem lembrou o brilhante jurista Ricardo Lewandowski.

Se é verdadeira a existência do suposto mensalão por que o egrégio tribunal não apresentou provas que realmente confirmassem o pagamento de mensalidade aos parlamentares petistas e aliados? O "mensalão" foi  uma trama ardilosa, montada com um único propósito, a desmoralização de um partido e de um presidente eleito democraticamente por milhões de brasileiros.

A competência de Zé Dirceu, o brilhantismo na gestão da Casa Civil e, principalmente, por ser o maior responsável pela eleição de Luiz Inácio Lula da Silva e do projeto vitorioso de país, foram os componentes que despertaram e despertam ódio, inveja e, levaram seus opositores a quererem, a qualquer custo, destruí-lo.  No imaginário da oposição e da imprensa golpista, destruindo Dirceu, o presidente Lula e o PT estariam liquidados.

Essa ânsia em destruir o Partido dos Trabalhadores não cessa com a decisão condenatória do STF.

O posicionamento ideológico da mídia brasileira é claro. A ação desencadeada nos últimos tempos a caracteriza como partido político sem cadeira, mas com interferência nas três esferas do poder. A mídia domina uma oposição enfraquecida e dita as regras de um poder judiciário covarde que age a partir da lente deformada, ideologizada da mídia golpista.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Eleição 2012: Lula, o vencedor!

O vencedor foi Lula  por Paulo Moreira Leite

Eu pergunto quando tempo nossos analistas de plantão vão levar para reconhecer o grande vitorioso do primeiro turno da eleição municipal.

Não, não foi Eduardo Campos, embora o PSB tenha obtido vitorias importantes no Recife e em Belo Horizonte.

Também não foi o PDT, ainda que a vitória de José Fortunatti em Porto Alegre tenha sido consagradora. Terá sido o PSOL? Os “novos partidos”?

O grande vitorioso de domingo foi Luiz Inácio Lula da Silva e é por isso que os coveiros de sua força política passaram o dia de ontem trocando sorrisos amarelos.

Nem sempre é fácil reconhecer o óbvio ululante. É mais fácil lembrar a derrota do PT no Piauí, ou em São Luís.

Nosso leitor Roberto Locatelli lembra: o PT passou o PMDB  e foi o partido que mais acumulou votos na eleição. Tinha 550 prefeituras. Agora tem mais de 612.

Vamos combinar: a  principal aposta de Lula em 2012 foi Fernando Haddad que, superando as profecias do início da campanha, não só passou para o segundo turno mas entra nessa fase da disputa em posição bastante favorável. Em São Paulo se travou a mãe de todas as batalhas.

Imagino as frases prontas e as previsões sombrias sobre o futuro de Lula e do PT se Haddad tivesse ficado de fora…

A disputa no segundo turno está apenas no início e é cedo para qualquer previsão.

Mas é bom notar que as  pesquisas indicam que Haddad é a segunda opção da maioria dos eleitores de Celso Russomano. Uma pesquisa disse até que Haddad poderia chegar em segundo no primeiro turno, mas tinha boas chances de vencer Serra, no segundo. Qual o valor disso agora? Não sei. Mas é bom raciocinar com todas as informações.

Quem assistiu a pelo menos 30 minutos dos debates presidenciais sabe que Gabriel Chalita já tem lado definido desde o início – como adversário de José Serra. O que vai acontecer? Ninguém sabe.

O próprio Serra tem uma imensa taxa de rejeição, que limita, por si só, seu potencial de crescimento.
O apoio de  Russomano tem um peso relativo. Se ele não conseguia controlar aliados quando era favorito e podia dar emprego para todo mundo, inclusive para uma peladona de biquini cor de rosa descrita como assessora, imagine agora como terá dificuldades para manter a, digamos, fidelidade partidária…

O mais provável é que seu eleitorado se divida em partes mais ou menos iguais.
Não vejo hipótese da Igreja Universal ficar ao lado de José Serra. Nem Silas Malafaia com Haddad.
A votação de Haddad confirma a liderança de Lula e a disposição dos eleitores em defender o que ele representa. Mostra que o ambiente político de 2010, que levou a eleição de Dilma Rousseff, não foi revertido. Isso não definiu o resultado em cada cidade mas ajudou a compor a situação no país inteiro.

Os 40% de votos que Patrus Ananias obteve em Belo Horizonte mostram um desempenho bem razoável, considerando que o tamanho do  condomínio adversário.

Quem define a boa vitória de Lacerda como uma vitória de Aécio sobre Dilma incide no pecado da ejaculação precoce.

O grande derrotado do primeiro turno, que mede a força original de cada partido, não aquilo que se pode conquistar com alianças da segunda fase, foi o PSDB.

O desempenho tucano sequer qualifica o partido como oponente nacional do PT. Perdeu eleição em Curitiba, onde seu concorrente tinha apoio do governador de Estado, desapareceu em Porto Alegre e no Rio de Janeiro, terra do vice de José Serra em 2010 – que não é tucano, por sinal. Se a principal vitória do PSDB foi com um candidato do PSB é porque alguma coisa está errada, concorda?

Respeitado por ter chegado em primeiro lugar em São Paulo, Serra já teve desempenhos melhores.
As cenas finais da campanha foram os votos do julgamento do mensalão, transmitidos em horário nobre durante um mês inteiro. Tinham muito mais audiência do que os programas do horário político.

Menino pobre e preto, Joaquim Barbosa já vai sendo apresentado como um contraponto a Lula…

Antes que analistas preconceituosos voltem a dizer que a população de renda mais baixa tem uma postura menos apegada a princípios éticos – suposição que jamais foi confirmada por pesquisadores sérios  — talvez seja prudente recordar que o eleitor é muito mais astuto do que muitos gostariam.
Sabe separar as coisas.

Aprendeu a decodificar o discurso moralista,  severo com uns, benigno com outros, como a turma do mensalão do PSDB-MG, os empresários que jamais foram denunciados na hora devida…

Anunciava-se, até agora, que a eleição seria  nacionalizada e levaria a  um julgamento de Lula.
Não foi. O pleito mostra que o eleitor não mudou de opinião.

O eleitor mostrou, mais uma vez, que adora rir por último

http://colunas.revistaepoca.globo.com/paulomoreiraleite/2012/10/08/o-vencedor-foi-lula/

domingo, 7 de outubro de 2012

Força do PT leva Haddad para o 2º turno em São Paulo


FHadad
Reconhecido nacionalmente como o partido da militância aguerrida, o Partido dos Trabalhadores mostrou sua força  levando o seu candidato Fernando Haddad para a disputa eleitoral do 2º turno na capital paulista. Haddad arrancou de 2% no início da campanha para 29% na reta final, com 99% das urnas apuradas neste domingo (7). Fato que, na avaliação do líder da bancada do PT, Jilmar Tatto (PT-SP), demonstra a força  do partido.

Para o líder Jilmar Tatto, o resultado eleitoral em São Paulo mostra que o PT além de ser o maior partido do Brasil, é também um partido forte. “Essa vitória representa a força da militância, a organização do PT e, principalmente, o reconhecimento dos paulistanos por tudo que o PT tem feito pelo Brasil. O segundo turno é uma nova eleição e nós vamos ganhar a eleição em São Paulo”, avaliou o líder.

Para o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), ex-secretário de Habitação na gestão de ex-prefeita Marta Suplicy, o resultado da eleição em São Paulo se deve à “novidade Fernando Haddad”. Ele também acredita na vitória de Haddad no 2º turno.

“Nosso candidato saiu de 2% e encostou-se ao candidato tucano que já foi governador, senador, ministro, prefeito de São Paulo. Nós vamos para a disputa munidos do melhor programa, com o apoio do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma. Temos chance de sair vencedores dessa disputa”, analisou o petista.

Perfil - Fernando Haddad nasceu em São Paulo, no dia 25 de janeiro de 1963. É professor em Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP). Bacharel em Direito, mestre em Economia e doutor em Filosofia.  Começou a militância política na USP, sendo eleito em 1984, presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto. Foi ministro da Educação nos governos Lula (2005 ) e  Dilma (2012). Na sua gestão à frente da pasta, Haddad implantou o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). Instituiu o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).  Criou o Programa Universidade Para Todos (Prouni) e transformou o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) como meio de acesso às universidades federais e privadas.

Em 2012 Haddad se afastou do Ministério da Educação para, atendendo pedido do ex-presidente Lula, disputar as eleições na capital paulista.

Haddad disputará  o 2º turno da eleição paulista com o candidato do PSDB, José Serra.
Benildes Rodrigues

Pelegrino disputa 2º turno em Salvador e está confiante na vitória


nelson pellegrino
A força política do Partido dos Trabalhadores também foi constatada na cidade de Salvador (BA). Com 39,72% dos votos, o deputado Nelson Pelegrino (PT-BA), vai disputar o 2º turno com ACM Neto (DEM).  ACM liderou as pesquisas de intenção de votos até o mês de setembro, sendo alcançado pelo petista na reta final, numa impressionante reação.

O resultado eleitoral apontou uma diferença de apenas 0,45% entre os dois candidatos, com 99,98% das urnas apuradas neste domingo (7).

Pelegrino classificou a disputa de “difícil”, mas disse estar “feliz” com o resultado. “Saímos de 13% para quase 40%, com boas possibilidades de vitória no segundo turno. Fizemos uma campanha bonita, propositiva, que superou as dificuldades. Segundo turno é uma nova eleição e estamos otimistas”, disse Pelegrino.

Na campanha, Pelegrino destacou a importância da parceria entre os governos federal, liderado pela presidenta Dilma Rousseff; estadual, com o governador petista, Jaques Wagner e municipal, caso se eleja. A campanha contou com a participação do ex-presidente Lula. A presidenta Dilma deve participar da campanha no segundo turno da disputa eleitoral.

Perfil – Advogado, fundador do Partido dos Trabalhadores, Nelson Pelegrino dedicou mais de 20 anos de sua vida à defesa dos direitos humanos. Presidiu o PT da Bahia em 1992 e foi deputado estadual por dois mandatos. Na Assembleia da Bahia liderou a bancada petista, participou da CPI da Corrupção (que investigou a empreiteira OAS e suas ligações com a oligarquia comandada por ACM) e presidiu a Comissão de Direitos Humanos por sete anos (1992-1998).

Em 1999 assumiu o primeiro mandato de deputado federal e presidiu a Comissão de Direitos Humanos e Minorias em 2001. Liderou o PT em 2003, quando a bancada petista encarou o desafio de ser, pela primeira vez, a maior da Câmara e ainda ter entre seus integrantes o presidente da Casa, João Paulo Cunha (PT-SP).

Reeleito deputado federal em 2002 e 2006, Pellegrino também foi titular da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Em 2009 licenciou-se do mandato para assumir a Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos da Bahia, a convite do governador Jacques Wagner. Em sua primeira experiência administrativa, Pellegrino assumiu a pasta com a responsabilidade de combater o crime organizado e implementar uma nova concepção de segurança pública no estado. Em 2010, Pelegrino foi reeleito para o quarto mandato de deputado federal.
Benildes Rodrigues

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Orwell e a “compra de votos”no mensalão - Paulo Moreira Leite


George Orwell ensinou a todos nós  que a linguagem pode ser uma arma do conhecimento mas também pode servir à mentira. Pode encobrir a realidade e também pode desvendá-la.
Vejamos, por exemplo, por onde caminham as conclusões do julgamento do mensalão no STF. Não vou  discutir as sentenças proferidas. Quero  discutir a interpretação.
A principal é dizer o seguinte: está provado que houve compra de votos e que o mensalão não era, portanto, caixa 2 de campanha. Parece haver uma relação de causa entre uma coisa e outra.
Essa é a  teoria desde a denúncia inicial, em 2006. Mas há um problema elementar neste raciocínio.
Não há nexo entre as coisas. Dinheiro de caixa 2 é dinheiro não registrado, sem origem declarada. Sua origem pode ser uma atividade criminosa, como tráfico de drogas, ou propina conseguida em negociações escusas com o governo.
O dentista que dá desconto no tratamento mas não dá recibo inclui-se no mundo imenso do Caixa 2.
O mesmo acontece com  com uma empresa legal, que dá emprego a milhares de pessoas – e não cumpre suas obrigações com o fisco. Muitas empresas privadas têm um caixa 2 especialmente reservado para pagamentos por fora. Isso inclui, como nós sabemos, as contribuições de campanha.
A CPMI dos correios demonstrou que grandes empresas privadas deixaram mais de R$ 200 milhões com o esquema de Marcos Valério, entre 2000 e 2005. Nenhuma foi levada ao julgamento agora em pauta, aliás.
Esse dinheiro, muitas vezes, era limpo e declarado. Outras vezes, não.
Isso não muda a natureza do problema.
Quando falou que movimentava recursos “não declarados” Delubio contou uma parte da história. Tentou amenizar sua pena, o que eu acho compreensível, Numa democracia  ninguém é obrigado a se auto-incriminar, como a gente aprende em seriado americano quando a policia interroga  um suspeito, certo?
Caixa 2  tem a ver com a origem. Não explica a finalidade do pagamento. Quem fala em “compra de consciências” está falando em finalidade.  Embora alguns ministros tenham  tido que isso era irrelevante, eu acho que tem importância, sim.
Está lá, na denúncia. Por que não tem importância?
É um ponto central do problema, quando se recorda nossa legislação eleitoral, tão favorável ao poder econômico privado.
Muito antes de Orwell denunciar o stalinismo, grande assunto de toda sua obra, adivinhar o que anda pela “consciência” dos homens intriga os filósofos e os políticos.
No auge do obscurantismo católico,  até as  fogueiras da inquisição ardiam  para que os infiéis confessassem os pecados que lhe eram atribuídos – e não reconheciam como tais.  Não comparo o julgamento à Inquisição. Mas aquela experiência terrível — e tantas outras — mostra que a consciência humana é materia muito delicada.
Às vezes tenho a impressão de que provas parecem não importar muito nos dias de hoje. Mas  acho que falar em “compra de votos”  implica em provar que a pessoa tinha uma convicção e mudou de ideia porque recebeu dinheiro no bolso.
Sei que isso pode acontecer. Quantos exemplos de carreirismo nós encontramos no cara que mente para subir na empresa, no puxa-saco que sorri o tempo inteiro para ter aumento  e assim por diante?
Seria bobo pensar que não há pessoas assim na política. Mais. O inquérito mostrou até que o dinheiro do mensalão foi usado para pagar indenização a namorada de um político falecido. Tenho certeza de que muitos políticos fizeram desvios – quem sabe muito piores do que este.
Quem olhar as votações ocorridas no período – 2003 e 2004 — em que teria ocorrido a “compra de votos” ficará espantado em função de uma coisa. Os calendários dos pagamentos não são conclusivos. Aquilo que o ministério público alega com seu levantamento a defesa  desmente com outra. Na melhor das hipóteses, é um empate de provas. Mas há um elemento maior e mais decisivo. É a política, estúpido.
Naquele momento, o governo Lula tinha aliados à direita e fazia uma política que, sob este critério, também estava  à direita. A esquerda do PT e mesmo fora dele não cansava de denunciar o que ocorria. O PSOL preparava seu racha e, dentro do governo, personalidades de pensamento semelhante começavam a esvaziar gavetas.
O Planalto cumpria parte da agenda do PSDB, do PP, do PTB   e assim por diante. Aprovou a reforma da previdência – que era uma continuação do governo FHC – e outras medidas no gênero. O primeiro ato público do governo Lula foi um protesto de 25 000 servidores na Esplanada.
O governo pagava direitinho as contas de um empréstimo no FMI e governava com os juros no céu. Achava que esse era um pacto necessário para assegurar as condições mínimas de governar, após o ambiente de colapso e pânico que o país atravessou em 2002.
Banqueiros internacionais elogiavam a política econômica.
Você acha que o Roberto Jefferson precisava de R$ 4 milhões no bolso para votar a favor de mudanças na Previdência? Ou o PL? Ou o PP?
Eu acho que não. Eles dizem que não. Eles tinham embarcado no projeto Lula, como o PL fizera antes, ao garantir até a cadeira de vice-presidente. Falaram isso ao serem ouvidos na Polícia Federal. Falaram que iriam usar o dinheiro para a atividade mais importante de todo político: preparar a próxima campanha e pagar as contas anteriores.
E se você acha que isso é feio, subdesenvolvido, cínico, saiba  que está enganado. Até na Alemanha esses acordos são feitos. Os verdes  deixaram a ultraesquerda para assumir um governismo perpétuo. Hoje se aliaram ao governo de Angela Merkel, que comanda a reação européia contra o Estado de Bem-Estar Social. Democratas de centro e republicanos idem adoram trocar postos no primeiro escalão de presidentes do lado oposto, nos EUA.
Se você olhar os petistas que receberam dinheiro do esquema, irá reparar que eles pertenciam ao Campo Majoritário, que sustentava a política do governo, mesmo a contragosto às vezes. (Toda luta política depois do jardim de infância inclui momentos de contragosto, certo…?)
Isso acontecia porque o financiamento de Marcos Valério e Delúbio Soares não se destinava a alimentar uma “organização criminosa,” como os bandidos que roubam automóvel ou assaltam residências.
Não há como justificar nenhum desvio, roubo ou coisa parecida. Há crimes que devem ser punidos. Mas não é preciso aplicar a tecnologia tão bem explicada por Orwell para acreditar que a mentira virou verdade.
A menos, claro, que você pretenda tratar a política como crime. A vantagem de quem faz isso é atingir objetivos políticos enquanto se esconde atrás da ética. A desvantagem para os outros é fazer o papel de bobo.
Por mais que você goste de comparar a política brasileira a uma quitanda de bairro, não se iluda. Todos partidos têm  seus compromissos, prioridades e assim por diante. Caso contrário, não sobrevivem.
O PP, o PL e outros se aliaram ao governo Lula depois da  Carta ao Povo Brasileiro, que levou muitos  petistas para debaixo  do tapete, não é mesmo?
Os partidos podem ser e são muito parecidos pelos escândalos e eu acho que já discuti isso aqui algumas vezes. (O mais divertido dessa discussão é o  escandalômetro. Dados do TSE mostram que o  PSDB é o campeão nacional de fichas sujas enquanto PMDB, DEM, PP vêm depois. O PT fica em 8O lugar, o que é lamentável mas não parece compatível com a  fama atual, quem  sabe  mais um efeito George Orwell – ou seria melhor falar em Goebells?)
Mas o esquema tinha um fundo político, alimentava a política e era alimentado por ela.
É difícil negar que ao longo do tempo governos de partidos diferentes produzem resultados diferentes, como as pesquisas de distribuição de renda, desemprego e redução da miséria não se cansam de demonstrar. (Não vamos nos estender muito sobre isso, é claro…)
Estas políticas se mostraram tão diferentes que  hoje em dia os mais pobres costumam votar de um jeito e os mais ricos, de outro.
Veja que aí também há quem fale em “compra de votos”, que seria a versão popular da compra de “consciências”.
É o mesmo raciocínio. No Congresso, a compra de “consciência.” No povão, a compra de votos. Num caso, o “mensalão.”Em outro, o Bolsa Família, as políticas de estimulo ao crescimento para impedir a queda no emprego, o salário mínimo…
Deixando de lado, claro, a troca de voto por dentadura e por um par de sapatos, que é expressão da miséria política em sua face mais degradante, eu acho é preciso prestar atenção nessa visão.
É uma espécie de racismo social. Explico. Ninguém fala em compra de votos quando um governo conservador dá um pontapé nos juros, enriquece a clientela do mercado financeiro – que fará o possível para assegurar a manutenção dessa política no pleito seguinte. Vozes graves e olhares sisudos chegam a elogiar o massacre social que estamos assistindo na Europa, hoje em dia – da mesma foram que apoiaram a sangria dos países do Terceiro Mundo décadas atrás. Considera-se que essa é uma visão legítima no debate econômico. Se um partido social-democrata apóia esta medida, demonstra maturidade, espírito civico.
Mas quando um governo procura beneficiar os interesses dos pobres e indefesos, está fazendo compra de votos. Se um político conservador resolve apostar seu futuro nessa alternativa, só pode ser em troca de $$$. Curioso, não?
E é mais curioso ainda quando alguém tem o mau gosto de lembrar que outro escândalo, igualzinho, e mais antigo, foi conveniente retirado das manchetes e da televisão.
Estou falando, claro, do mensalão tucano que, em nova homenagem a Orwell,  é chamado de “mineiro”, o que é uma ofensa a um estado inteiro. O mensalão, vá lá, PSDB-MG, ficou para as calendas, embora seja quatro anos mais antigo.
Considerando as eleições para prefeito, neste domingo, e as sentenças que nos aguardam, é impossível deixar de reparar na coincidência e deixar de perguntar: quem está “comprando consciências”?
fonte: Revista Época