terça-feira, 20 de outubro de 2015

BNDES: Ex-ministro nega atuação de Lula para favorecer Odebrecht e critica “demonização do lobby”


BNDESmiguelJorge

Em depoimento à CPI do BNDES nesta terça-feira (20) o ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Miguel Jorge rechaçou a cantilena de setores da oposição, comandados pelo PSDB e DEM, que insistem sobre suposto lobby do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em favor da empresa Odebrecht. “Não conheço atuação do presidente Lula fazendo lobby em favor da Odebrecht. Sinceramente não conheço”, negou o ministro.

O ministro criticou o que ele classificou de “demonização” da palavra lobby. “É lamentável que o termo lobby tenha sido demonizado no País nos últimos anos. Lobby, se nós formos olhar o dicionário Aurélio, é tentativa de convencimento por meios lícitos. É a reunião pública, que pode ser publicada e assistida por jornalistas. Isso é lobby”, observou.

Miguel Jorge negou ainda a sinalização sugerida pela Polícia Federal (PF) ao interpretar e-mails trocados entre o presidente da construtora, Marcelo Odebrecht, executivos da empresa e o ex-ministro. Para a PF, as iniciais “PR” contidas nas mensagens significariam “presidente da República”. O conteúdo de um dos e-mails interceptado pela PF diz que “Miguel Jorge afirma que esteve com os presidentes do Brasil e da Namíbia” e que a “PR fez o lobby”. A referência diz respeito ao projeto de construção de uma hidrelétrica na Namíbia (África).

O ministro explicou que o conteúdo da mensagem se referia a um almoço promovido por Lula no Itamaraty para receber uma comitiva da Namíbia. O ministro relatou que a conversa que ele teve com o então presidente Lula ocorreu em um almoço no Ministério de Relações Exteriores que reuniu 300 pessoas, entre elas, ministros da Namíbia e do Brasil.

“Eu disse: Presidente, nós temos interesse em uma obra na Namíbia. Ele respondeu: 'Eu já sei, não precisa falar mais, tem um interesse que o Brasil fique com essa concorrência'. Foi exatamente isso que aconteceu”, relatou Miguel Jorge.

“No cargo de ministro, me reuni com centenas de empresas e dezenas de associações. Não houve interferência por parte do ministério aos projetos em análise do BNDES. Nunca recebi qualquer pressão de qualquer esfera de poder para pressionar o BNDES para concessão de financiamento”, assegurou Miguel Jorge aos integrantes da CPI.

Amizade – Questionado sobre os laços que o une ao presidente Lula, o ex-ministro e ex-presidente do Conselho de Administração do BNDES disse que apesar de conhecer o Lula há mais de 40 anos, não se considera amigo do ex-presidente.

Benildes Rodrigues
Foto: Salu Parente

Bolsa Família: Modelo Brasileiro é referência internacional e considerado “revolução silenciosa”


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Maior programa de transferência de renda do Brasil, o Bolsa Família serviu de inspiração e referência para vários países do mundo. Ações semelhantes ao modelo brasileiro foram adotadas, por exemplo, pelos Estados Unidos.  Em Nova York, o programa que é conhecido como Opportunity NYC e atende mais de cinco mil famílias em bairros carentes como o Harlem e o Bronx.

Em 2007, ocasião em que o modelo foi implantado naquele país, o então prefeito nova-iorquino enviou equipe ao Brasil para conhecer a experiência exitosa brasileira. "Este é um inovador programa de transferência de renda com condicionalidades que visam auxiliar os novaiorquinos a romper o ciclo de pobreza” afirmou o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, à época.

Dados do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) revelam que mais de 90 países enviaram técnicos à Brasília para conhecer o Bolsa Família. Além dos EUA, Suíça, Honduras, El Salvador, Gana, Quênia e África do Sul se inspiraram no programa brasileiro. De acordo com o MDS, mais de 20 países estudam a possibilidade de implantar ações semelhantes à experiência brasileira.

O sucesso internacional do programa, que foi a “menina dos olhos” do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desperta interesse também de nações consideradas desenvolvidas como é o caso da Alemanha, Noruega, Canadá, França, Itália, Reino Unido.

O reconhecimento internacional do Programa Bolsa Família foi estampado nas principais publicações do mundo, inclusive na revista britânica The Economist. Documento publicado pelo Banco Mundial, em 2007, definiu assim a iniciativa brasileira: “Revolução silenciosa muda a vida de milhões no Brasil e no mundo”, pautando as publicações.

Ainda hoje o Bolsa Família frequenta os noticiários internacionais. Ele é reconhecidamente o programa que ajudou o Brasil a reduzir o índice de pobreza e da miséria no país. Essa “revolução silenciosa” consta do relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) sobre os resultados da primeira meta dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), definidos pelas Nações Unidas no início dos anos 2000.

O relatório  do Pnud revela que o Brasil foi um dos países que mais contribuiu para o mundo alcançar a meta proposta pelo primeiro dos oito objetivos da ONU até 2015: “Acabar com a pobreza extrema e com a fome”, tornando-se referência internacional em relação ao assunto.

Enquanto o mundo conseguiu reduzir a pobreza extrema pela metade – de 47%, em 1990, para 22%, em 2012,  o Brasil, no mesmo período, erradicou a fome e fez com que a população extremamente pobre do país caísse de 25,5% em 1990 para 3,5% em 2012.

Benildes Rodrigues com Agências

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

CPI do BNDES: Depoente desmascara mentiras e ilações da revista Veja e coloca comissão em xeque

BNDES LucioBJr


As mentiras e ilações estampadas nas páginas da revista Veja, do último dia 15 de março, foram desmascaradas na CPI do BNDES pelo proprietário da empresa Exergia Brasil, Taiguara Rodrigues dos Santos. O depoente, ouvido como testemunha, negou a existência de contratos para construção de casas pré-moldadas em Angola, no valor de U$ 1 milhão, conforme noticiado pelo semanário.

“Quando fechei o contrato de U$ 1 milhão não teve nada a ver com construção de casas pré-moldada mas, sim, com uma fazenda hidropônica para desenvolver projetos que já estavam prontos”, assegurou Taiguara Santos.

O segundo vice-presidente da CPI, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), perguntou ao depoente se eram verdadeiras as ilações da revista Veja sobre a interferência dele (Taiguara) no contrato de financiamento firmado entre a Odebrecht e o BNDES. “Não conheço ninguém no BNDES. Nunca fui ao BNDES e não tenho Cartão BNDES”, afirmou o depoente.

Zarattini questionou, ainda, se o empresário acreditava que a revista induziu o leitor a acreditar que essa interferência ocorreu em razão de contrato da Exergia Brasil com a empreiteira para a construção da usina hidrelétrica de Cambambe, na Angola, no mesmo período em que a Odebrecht conseguiu empréstimos junto ao BNDES.

“A minha empresa assinou um contrato com a Odebrecht para a construção da hidrelétrica de Cambambe. A gente estava em vários outros canteiros de obras. Não tem como você chegar num canteiro e perguntar de onde saiu o financiamento. Não compete à nossa empresa querer saber de onde vem o recurso”, afirmou Taiguara.

Diante das provocações e insinuações dos deputados oposicionistas, Taiguara Rodrigues dos Santos colocou os seus sigilos fiscal, bancário e telefônico a disposição da CPI

Rotulado pela revista Veja como o “sobrinho do Lula”, o vínculo de parentesco amplamente divulgado pelo semanário foi desmentido pelo Ministério Público Federal (MPF) que disse: “Nos bancos de dados alcançados por esta assessoria (MPF) não foi possível localizar vínculo além do relatado em reportagens de imprensa”.

Durante o depoimento, o deputado Carlos Zarattini fez questão de observar que as intervenções feitas por setores da oposição revelam que a convocação de Taiguara Rodrigues dos Santos feita pela CPI teve como base apenas as ilações da reportagem da revista Veja.

“Nesta CPI o único objetivo é a luta politica. Não há uma preocupação real em investigar corrupção no BNDES. Até porque, não surgiu uma única denúncia de que qualquer financiamento do BNDES foi fruto de favorecimento, propina ou corrupção”, disse Carlos Zarattini.

“A oposição, não tendo o que investigar naquilo que é o foco desta CPI, usa esse espaço para fazer luta politica tentando atacar o ex-presidente Lula. O que estamos vendo aqui na comissão é um espetáculo triste. É ver que nada aqui avançou. Infelizmente, a oposição não está obtendo sucesso porque se baseia em artigos mentirosos, caluniosos que as revistas semanais produzem”, lamentou o deputado.

O petista criticou, ainda, a postura do Ministério Público que, segundo ele, instaurou procedimentos contra o depoente em 18 de maio de 2015 e até o momento não o convocou a depor. “O Ministério Público se embasou única e exclusivamente na Revista Veja. Abriu um procedimento que não tem nenhuma efetividade”, constatou Zarattini.

O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que acompanhou todo o debate, partilha da mesma opinião. “Enquanto esta CPI basear sua pauta nas matérias jornalísticas das revistas semanais, ela estará fadada a não investigar nada, a não provar nada”, avaliou.
Indignado com os caminhos trilhados pela comissão, o petista classificou a oitiva desta quinta-feira como “vergonha”. “É mais um episódio triste que estamos vivendo. É uma vergonha esta audiência”, afirmou Reginaldo Lopes.

“Precisamos fazer uma investigação de fato. Estamos analisando requerimentos sem fato determinado. Isso entristece a todos, inclusive a sociedade brasileira que espera que a CPI produza algo objetivo e concreto”, sugeriu.

Já na avaliação do deputado Paulão (PT-AL), o depoimento de Taiguara dos Santos “não acrescentou, não teve nexo causal. Não trouxe um conteúdo substancial para que a CPI faça um relatório robusto”.

Benildes Rodrigues

Foto: Lúcio Bernardo Jr

sábado, 3 de outubro de 2015

Carta de LULA à José Eduardo, filho de Hélio Bicudo



Foto DCM

Emocionante o texto do ex-presidente Lula ao Filho do Hélio Bicudo. O ex-presidente mostra como a mágoa afetou a alma e o senso de justiça de alguém que era para  se pautar na lei e na verdade.

Caro José Eduardo,

Agradeço, de coração, o testemunho isento que você prestou sobre minha convivência com seu pai. Seu depoimento denota um grande força de caráter, pois imagino o quanto deve ser doloroso para um filho divergir publicamente do pai em questões dessa natureza.

Poucas coisas na vida são tão importantes quanto manter o respeito e a consideração pelas pessoas, acima de eventuais divergências, mesmo que o tempo nos leve a trilhar caminhos distintos.

Nos últimos anos, tenho recebido em silêncio os sucessivos ataques do doutor Hélio Bicudo, pontuados de um rancor cujos motivos, José Eduardo, você caracteriza claramente em seu depoimento.

Tais manifestações, no entanto, ultrapassaram todos os limites numa recente entrevista, na qual ele atacou frontalmente minha honra pessoal e fez acusações caluniosas, ofensivas e desprovidas de qualquer fundamento.

Diante desses ataques, não posso permanecer calado, em respeito à minha família, aos meus companheiros e aos que sempre compartilharam conosco a luta por um Brasil melhor e mais justo.

Por isso dirijo a você essa mensagem, caro José Eduardo.

São infâmias proferidas por uma pessoa que, no passado, destacou-se pela defesa da lei e da verdade. E que tristemente se apequena aos olhos do presente e do futuro.

Compartilho com você o sentimento de repúdio ao comportamento oportunista de setores da imprensa que exploram politicamente essa triste situação.

Espero que as deliberadas injustiças que o doutor Hélio Bicudo hoje comete não ofusquem a contribuição que ele já deu ao Estado de Direito no nosso país. Mas a calúnia rancorosa e sua exploração pela imprensa servem para nos  alertar sobre a necessidade de limites morais na disputa política.

Querido José, eu até pensei em tomar medidas judiciais a propósito dessas injúrias. Mas não o farei em atenção a você e a seus familiares. Eu e seu pai somos cristãos e ele tem consciência de que Deus sabe que ele está mentindo.

Luiz Inácio Lula da Silva