quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Deputados cobram posição da PGR sobre participação de Aécio Neves em esquema de corrupção



Os deputados petistas de Minas Gerais, Padre João (federal) e Rogério Correia (estadual) protocolaram documento na Procuradoria Geral da República (PGR), na semana passada, cobrando resposta ao pedido de apuração protocolado na procuradoria, no dia 19 de março deste ano. Nessa ação, um grupo de parlamentares da bancada federal do PT solicitou à PGR a investigação do envolvimento do senador Aécio Neves com desvios de recursos de Furnas, conhecido por Lista de Furnas, à época em que Aécio era candidato ao governado de Minas.

“Essa cobrança que fizemos é muito importante, até para resguardar o respeito à instituição. Nesse sentido, é fundamental que a PGR se manifeste sobre as providências que serão tomadas com relação às denúncias que envolvem o Aécio Neves”, alertou Padre João.

A cobrança dos petistas ganhou força nesta semana com o depoimento do doleiro Alberto Youssef que reafirmou, na terça-feira (25), de forma contundente, na CPI da Petrobras, que o presidente do PSDB, Aécio Neves recebeu dinheiro de corrupção de Furnas.
Padre João lembrou que esta é a segunda vez que o doleiro Alberto Youssef revela a participação de Aécio Neves no esquema da Lista de Furnas, elaborada pelo lobista Nilton Monteiro.

Na petição impetrada pelos parlamentares no último mês de março, foram anexados documentos que comprovam e corroboram o depoimento do doleiro-delator à Justiça Federal e à CPI da Petrobras.

Defende o deputado Padre João a necessidade de a justiça atuar de forma igualitária, sem promover privilégios. Ele fez esta referência no sentido de alertar a PGR para “abrir o leque” uma vez que, na avaliação dele, os desdobramentos das delações premiadas na Operação Lava Jato têm sido feitos de forma seletiva.

“Por isso formalizamos, na semana passada, o pedido de desdobramento que a PGR vai dar em relação à lista de Furnas, em particular às denúncias de propinas recebidas pelo ex-governador de Minas, Aécio Neves”, explicou Padre João. O presidente do PSDB e senador eleito por Minas Gerais foi excluído da lista de investigados na Operação Lava-Jato, embora o pivô do esquema, o doleiro Alberto Yousseff, tenha afirmado em delação premiada que o tucano estaria envolvido com o esquema.

Desarquivamento - A petição solicita o desarquivamento do processo que a bancada mineira impetrou em fevereiro de 2014 sobre desvios de recursos das estatais Furnas e Cemig, ocorridos entre 1994 e 2002.

Os deputados entendem que as descobertas da Operação Lava Jato indicam a necessidade da PGR “valorar esses novos achados probatórios e aprofundar as investigações acerca das irregularidades noticiadas na Representação”.

Entre os documentos protocolados estão a própria “Lista de Furnas”, cuja veracidade foi reconhecida pela Polícia Federal; a denúncia sobre o esquema formulado pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro e cópia da delação de Alberto Youssef na qual cita Aécio Neves e outros políticos.

Na petição, os petistas solicitam também que a PGR leve em consideração o trabalho realizado pela procuradora Andrea Bayão, que investigou o caso e que, além do desvio de recurso, identificou a ocorrência de “caixa dois” com verbas da estatal. À época, a procuradora obteve a confissão de Roberto Jefferson, ex-presidente nacional do PTB e ex-deputado federal, afirmando que recebera R$ 75 mil das próprias mãos do então presidente de Furnas, Dimas Toledo, no escritório da estatal no Rio de Janeiro. Esse valor é o mesmo que consta na lista completa, que traz a assinatura de Toledo e foi considerada autêntica por laudo da Polícia Federal.

De acordo com os parlamentares do PT, o senador tucano deve ser incluído nas investigações da Operação Lava Jato uma vez que já existem “provas suficientes” para a abertura de inquérito. O entendimento dos parlamentares petistas é reforçado pelo Sindicato dos Advogados de São Paulo, que também solicitou à PGR o desarquivamento do pedido de investigação contra Aécio Neves.

Benildes Rodrigues

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