quinta-feira, 22 de maio de 2014

CPI da Petrobras: Oposição monta palco político e foge do debate


GABRIELLI-20-05-14
FOTO: PT no Senado

O depoimento do ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli na CPI do Senado que investiga supostas irregularidades na compra da refinaria de Pasadena, no Texas, nesta terça-feira (20), não contou com a participação de representantes da oposição. Ao fugir do debate, a principal articuladora desse palco político perdeu a oportunidade de ouvir a explanação detalhada e consistente do ex-presidente da estatal, que desmontou os argumentos falaciosos desses setores oposicionistas.

Nenhum senador da oposição participou da oitiva do ex-presidente da Petrobras, José Gabrielli. Uma das ausências sentidas do bloco oposicionista foi a do senador tucano Aécio Neves (PSDB-MG), já que foi ele que protocolou mandato de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a instalação desta CPI, o que foi prontamente atendido. Aécio não deu o ar da graça. Seus pares, mentores da CPI também não comparecerem e nem justificaram a ausência.

Por sua vez, em sua exposição, Sérgio Gabrielli reafirmou que a compra de Pasadena foi uma decisão do Conselho de Administração da Petrobras, decisão coletiva e que avalia se o negócio está de acordo como Plano Estratégico da empresa, se os contratos têm custo adequado às condições de mercado e se traz retorno à companhia. Foi com base nesses tripés que o Conselho decidiu negociar a compra da refinaria de Pasadena.

O ex-presidente da Petrobras disse que o Conselho da Administração da Petrobras dispunha, no final da década de 90 e início dos anos 2000, como realidade um País que não crescia no consumo de derivados; que estava estagnado no crescimento econômico; que estava com suas refinarias sendo utilizadas, mas não poderia crescer porque o mercado brasileiro não permitia.

Pasadena: Bom ou mau negocio? “É um negócio que muda. Era bom no momento em que foi adquirido. Em 2008 tornou-se um mau negócio, porque refletiu a mudança que ocorreu no mundo com a crise econômica de 2008. A partir de 2013, volta a ser um bom negócio e em 2014 ela é uma empresa lucrativa porque tem petróleo disponível no Texas a preço barato, leve, que pode ser processado em Pasadena”, avaliou Gabrielli.

Ele observou que ao vender os derivados no mercado americano a margem de lucro gira em torno de cerca US$ 40 por barril. Como a refinaria tem uma capacidade de produzir 100 mil bpd, em 300 dias por ano serão cerca de 30 milhões de barris a US$ 100 milhões. Isso, segundo Gabrielli, equivale  a US$ 300 bilhões em processamento de petróleo por ano. “Se ela tiver uma margem de 10% disso são US$ 100 milhões de lucro por ano. Portanto, ela é potencialmente muito lucrativa”.

Prêmio – Gabrielli disse que os investimentos que a Petrobras fez em Pasadena levaram a refinaria a receber por parte da Associação de Refinadores dos EUA o prêmio de melhor refinaria em segurança de trabalho e em condições ambientais. “Portanto, era um negócio que era bom, passou por momento ruim e, agora, voltou a ser um bom negócio”, concluiu.

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Benildes Rodrigues

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