quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Deputado condena desfaçatez da bancada do golpe ao silenciar sobre denúncias de corrupção que envolvem Serra e Temer


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Ao se pronunciar na sessão da Câmara que varou a madrugada desta quarta-feira (10), o vice-líder da Minoria, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), fez duras críticas à bancada do golpe que se veste de paladinos da moralidade ao se pronunciar sobre corrupção. “Desfaçatez” e “pouca vergonha” foram os adjetivos utilizados pelo petista para classificar a atitude dos parlamentares golpistas que fazem vistas grossas ao conteúdo da delação premiada de Marcelo Odebrecht que envolve os caciques do PMDB e PSDB.

Na delação, o proprietário da maior empreiteira do Brasil revela que o ministro interino de Relações Exteriores, José Serra (PSDB) teria recebido R$ 23 milhões “por fora” (leia-se Caixa 2), na campanha de 2010 à Presidência da República. O dono da Odebrecht ainda acusou o presidente interino, Michel Temer, de ter recebido em dinheiro vivo, o montante de R$ 10 milhões, também “por fora” para a campanha do PMDB de 2014.

“Querer falar aqui em corrupção depois das denúncias de que Serra recebeu R$ 23 milhões (em valores atuais esse montante chega a R$ 34,5 milhões) em caixa 2 no exterior e que Michel Temer negociou R$ 10 milhões para o PMDB, do qual uma parte foi entregue para Paulo Skaf e outra para o ministro Eliseu Padilha? É muita desfaçatez. É muita pouca vergonha”, condenou Zarattini.

Segundo a coluna da Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, para comprovar o conteúdo da delação premiada, Marcelo Odebrecht vai apresentar extratos bancários de depósitos realizados fora do país que tinham como destinatária final a campanha presidencial do então candidato José Serra.

Para o deputado as denúncias que atingem em cheio o governo golpista de Michel Temer precisam ser investigadas à fundo, uma vez que, não é surpresa para a população que o governo ilegítimo de Temer é composto por vários ministros envolvidos na Operação Lava Jato da Policia Federal.


“Essa desfaçatez não vai resistir. Os denunciados terão que ser investigados. Os fatos precisam ser averiguados e vocês terão que responder a sociedade brasileira”, afirmou Carlos Zarattini, já prevendo manobras dos acusados para se safar das investigações e prováveis punições.

Acordão - A preocupação do deputado Carlos Zarattini faz sentido. É que a colunista do Valor Econômico, Maria Cristina Fernandes, traz a informação de um acordão para salvar os envolvidos na Operação Lava Jato. Segundo a colunista, o acordo está contido num projeto de lei que vai anistiar os acusados de corrupção a partir do uso do caixa 2. “O centro da proposta é a distinção entre caixa 2 e propina. A legislação já os distingue, mas a partir de uma fronteira cinzenta que não impediu a Lava Jato de juntar os dois crimes no mesmo balaio", diz a reportagem.

O projeto deve ser apreciado, em regime de urgência, em caso de aprovação do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Benildes Rodrigues com Agências
Imagens: O Cafezinho

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