segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Fenaj aponta omissão da imprensa com a Reforma Política e defende mecanismo para coibir corrupção


A luta do PT em defesa da Reforma Política conta também com o apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), uma das principais representantes da classe jornalística do país. Para o presidente da Fenaj, Celso Schröder, a Reforma Política se constitui em um dos mecanismos fundamentais para a transparência nas relações entre agentes públicos e privados e para que se evite a “promiscuidade”, que compromete a ética nas relações entre estes entes. 

Para o dirigente, os fatos que permeiam a política brasileira revelam que o Brasil está vivendo um momento ímpar da sua história. As ações de investigação da Polícia Federal na Operação Lava Jato, que prenderam executivos de estatais e de empreiteiras, é um dos exemplos que demonstram a necessidade de se reformar o modelo político brasileiro.

“É fundamental uma legislação que exija e garanta que os atores  públicos e privados tenham compromisso e obrigação com transparência e que essa relação que tem se mostrado promíscua se acabe”, reafirmou.

 “O Poder Executivo está dando uma sinalização importante de que vai até as últimas consequências com as investigações (Lava Jato) em curso que, a meu ver, significam o começo da Reforma Política que o País precisa”, analisou o presidente da Fenaj.

Omissão - Em relação aos motivos que levam a imprensa brasileira a não se posicionar sobre a Reforma Política, Celso Schröder afirmou que nos últimos anos, a “grande” imprensa brasileira tem se comportado como um “verdadeiro partido político” e “desconstrutora” desses espaços. De acordo com ele, além de negar a dimensão da política, setores da imprensa têm alimentado rancores e reforçado uma opinião pública contrária à atividade política.

“Isso é um desserviço. A imprensa tem que atuar como fiscalizadora da atividade política e esta não é privativa de atividades parlamentares. A imprensa não tem conseguido se afastar dessa dimensão partidária e, com isso, acaba comprometendo de alguma maneira sua credibilidade”.

De acordo com Schröder, a imprensa brasileira poderia e deveria cumprir um papel decisivo nesse novo momento do país, aonde a reforma das instituições políticas se faz necessária.

“Por que ela não faz isso? Primeiro porque se comporta como um partido político. Segundo, porque ela não tem interesse e como o marco regulatório desse setor inexiste, há também uma relação econômica promíscua, aonde a imprensa, com raras exceções, tem interesse nas atividades econômicas de outros setores. Com isso, ela se imiscui, mas acaba se resguardando para não se envolver nos processos de investigações”, salientou.

Os deputados e jornalistas Paulo Pimenta (PT-RS) e Emiliano José (PT-BA) também avaliaram a importância da Reforma Política como instrumento de transparência nas relações institucionais.

“O Brasil tem um parlamento frágil que na maioria das vezes se mostra refém dos grandes grupos de comunicação e dos grandes grupos econômicos. Os veículos de comunicação, por exemplo, são interessados em um parlamento fraco porque  fica mais fácil desconstituir as lideranças e torná-las refém dos seus interesses. A Reforma Política reduziria isso e levaria mais transparência nessa relação”, constatou Paulo Pimenta. “A mídia não contribui com esse debate porque ela comunga com o financiamento privado de campanha”, afirmou Pimenta.

Para o deputado Emiliano José, problemas como os verificados na operação Lava Jato da PF não cessarão se a sociedade não se apropriar do debate da Reforma Política.

“Não haverá solução de problemas como esse caso não haja uma Reforma Política que fortaleça os partidos, que garanta financiamento público de campanha e que dê um basta no financiamento empresarial porque esse é o câncer da vida política brasileira”, avaliou Emiliano.

Para ele, a imprensa brasileira se alinha com as forças mais conservadoras do país. “Ela se mostra contrária ao projeto político em curso no Brasil e usará de todas as artimanhas para tentar desgastar esse projeto em andamento e criminalizar a política no Brasil”, lamentou.

Indignação - Celso Schröder conclama os jornalistas brasileiros a indignarem-se, não só do ponto de vista da corrupção e dos corruptores, mas também do ponto de vista da interferência e envolvimento na disputa política, o que, na avaliação dele, compromete a qualidade do produto jornalístico.

“Se fizermos isso, vamos impor ao jornalismo e às grandes  redações mecanismos de desconstituir a partidarização com o qual  parte da mídia brasileira se apresentou nas últimas eleições, que eu acho um grande erro e que vai ter um  custo alto sobre a credibilidade jornalística. Caberá a nós jornalistas reverter esse quadro”, alertou Schröder.

Benildes Rodrigues
texto publicado no jornal PT na Câmara - Especial Reforma Politica


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