segunda-feira, 26 de novembro de 2012

CPMI: Dados da PF e depoimentos sustentaram pedido de indiciamento do governador tucano



ODAIRCPMIO relator da CPMI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG), deve fazer a leitura do parecer final do trabalho realizado pela comissão nesta quarta-feira (28). Odair pautou o seu parecer na investigação da Polícia Federal nas operações denominadas Vegas e Monte Carlo, que desbarataram a quadrilha liderada pelo contraventor do jogo do bicho, Carlos Cachoeira. O relatório sugere o indiciamento de 46 pessoas que tiveram envolvimento com a organização criminosa. Entre elas, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Vários depoimentos apontaram o envolvimento do governador tucano com o bicheiro.

Em depoimento feito à comissão, no início dos seus trabalhos, o delegado da Polícia Federal, Matheus Mella Rodrigues, revelou que o intermediário na compra da casa de Marconi Perillo foi o sobrinho de Cachoeira, Leonardo de Almeida Ramos, que emitiu três cheques nominais para quitação do imóvel, no valor de R$ 1,4 mil.

Dados da Polícia Federal divulgados no mês de junho revelaram também trechos das escutas telefônicas da PF onde aparecem diálogos entre Cachoeira e o ex-vereador do PSDB e ex-presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Wladimir Henrique Garcez. A conversa descreve a participação do empresário do jogo do bicho na negociação da mansão de Marconi Perillo. O contraventor chega a ordenar a entrega do montante de dinheiro na sede do Governo do Estado de Goiás, o Palácio das Esmeraldas.

Contradição – Wladimir Garcez, quando depôs à CPMI, isentou Carlos Cachoeira da compra da casa em nome de Marconi Perillo. Ele disse que comprou a casa de luxo e, que, para isso, contou com a colaboração de Cláudio Abreu, que emprestou três cheques para quitar a compra.

Já a versão de Walter Paulo Santiago, dono da empresa Mestra, contradisse a explicação sustentada pelo governador tucano, que afirmou ter recebido três cheques, dois no valor de R$ 500 mil e um de R$ 400 mil, num total de R$ 1,4 milhão. O empresário disse que esse montante em dinheiro vivo foi repassado ao ex-vereador tucano, Wladimir Garcez e a Lúcio Fiuza, assessor do governador Marconi Perillo para a compra da casa.

Novas denúncias divulgadas pela revista Época, no mês de julho, apontaram a estreita relação entre o governador Marconi Perillo, Carlos Cachoeira e a Delta Construtora. Segundo a reportagem, o relatório da PF mostra que Marconi Perillo recebeu propina para liberar verba para a empresa Delta.

Campanha - Ana Cardozo de Lorenzo, proprietária da empresa Serpes Pesquisa de Opinião e Mercado, responsável pela campanha de Marconi Perillo ao governo de Goiás, em 2010, encaminhou documento à CPMI em que admitiu o recebimento de R$ 28 mil da empresa Alberto & Pantoja Construções classificada, pela Polícia Federal, como empresa “laranja” de propriedade do contraventor Carlos Cachoeira. O pagamento deu-se pelos serviços prestados na campanha de 2010, de Marconi Perillo.

Já o jornalista Luiz Carlos Bordoni, responsável pela campanha de Marconi Perillo ao governo de Goiás, em 2010, que também prestou depoimento à CPMI, afirmou que as empresas fantasmas Alberto & Pantoja Construções e Adécio & Rafael Construção e Terraplanagem, de propriedade do contraventor Carlos Cachoeira, foram responsáveis pelo pagamento de R$ 90 mil pelos serviços na área de comunicação, que ele prestou à campanha de Marconi Perillo ao governo de Goiás, em 2010.

Benildes Rodrigues
Texto publicado originalmente no PT na Câmara

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