Wanderley Guilherme dos Santos: O tempo das revoluções simultâneas
Fonte: O Cafezinho
Com Dilma Rousseff instalou-se a desordem criadora, aquela
que não deixa sossegada nenhuma rotina nem contradição escondida. Não há talvez
sequer um segmento da economia, dos desvãos sociais e das filigranas
institucionais que não esteja sendo desafiado e submetido a transformação. Da
assistência universal à população, reiterando e expandindo a trilha inaugurada
por Lula, à reformulação dos marcos legais do crescimento econômico, à
organização da concorrência, à multiplicação dos canais de troca com o
exterior, ao financiamento maiúsculo da produção, aos inéditos programas de
investimento submetidos à iniciativa privada, a sacudidela na identidade
nacional alcança de norte a sul. A cada mês de governo parece que sucessivas
bandeiras da oposição tradicional tornam-se obsoletas. Já eram.
O tempo é de revoluções simultâneas, cada qual com seu ritmo
e exigências específicas, o que provoca inevitáveis desencontros de trajetos.
Uma usina geradora de energia repercute na demanda por vários serviços,
insumos, mão de obra, criando pressões, tensões, balbúrdias. Li em Carta Maior
(9/4/13) que a Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e
Manutenção informa que, no Brasil, convivem hoje 12.600 obras em andamento e
agendadas até 2016. Ainda segundo a mesma fonte, das 50 maiores obras em
execução no planeta, 14 estão sendo realizadas no país. Claro que os leitores não
serão informados pela mídia tradicional. A monumental transformação do país,
que não precisa apenas crescer, mas descontar enorme atraso histórico, produz
entrechoques das dinâmicas mais díspares, o que surge, na superfície, como
desordem conjuntural. É, contudo, indicador mais do que benigno. Mas disso os
leitores só são informados em reportagens e manchetes denunciando o que estaria
sendo o atual desgoverno do país. Qual…
Os melhores informativos do estado geral da nação
encontram-se nos portais do IBGE, do IPEA e afins. Os antigos jornalões
apequenaram-se. São, hoje, nanicos.
Wanderley Guilherme dos Santos é cientista político.
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