quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Programa Mais Médicos oferece vagas e infraestrutura, diz Padilha

Padilha21082014

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, é médico infectologista formado pela Universidade de Campinas (Unicamp), com pós-graduação pela Universidade de São Paulo (USP). Atuou como coordenador do Núcleo de Extensão em Medicina Tropical da USP em Santarém, no Pará. Padilha carrega na bagagem a experiência de atuar, durante muitos anos, junto à população mais carente do país. Essa vivência motivou especialmente o ministro a implantar o Programa Mais Médicos, lançado no mês passado pela presidenta Dilma Rousseff. Nesta entrevista exclusiva ao PT Na Câmara, Padilha pontua o alcance e a importância das medidas estruturantes que serão implementadas a partir da instituição do programa.

Por Benildes Rodrigues

PT na Câmara - O programa tem como objetivo equacionar um dos gargalos da saúde pública do país que é a presença do médico em todos os municípios, em várias regiões do Brasil. O senhor acredita que o programa vai alcançar esse objetivo?

Alexandre Padilha - O esforço do Programa Mais Médicos é estimular médicos brasileiros que queiram ir para a periferia das grandes cidades e municípios do interior. Eles vão receber R$ 10 mil líquidos mensais do Ministério da Saúde. Além disso, terão apoio para deslocamento e acompanhamento pela universidade. Nos primeiros 15 dias de inscrições, tivemos mais de 1600 médicos que aceitaram esse desafio. Em setembro, os novos contratados devem atender mais de 6 milhões de brasileiros que não tinham médicos perto da sua casa.

PT na Câmara - O programa, além de suprir a deficiência de médico, pretende dar mais qualidade ao Sistema Único de Saúde?

Alexandre Padilha – Juntamente com os médicos, está indo recurso que amplia custeio para manutenção das unidades de saúde. Cem por cento dos municípios que recebem os médicos nessa primeira etapa também já estão no Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica (PMAQ), que tem monitoramento do atendimento pelas universidades; e 100% dos municípios também já executam obras para melhorar a infraestrutura. Ou seja, as medidas em relação à infraestrutura e aumento do custeio já estão indo com os médicos.

PT Na Câmara - A deficiência no número de médicos em relação ao número de habitantes não tem a ver com o currículo dos cursos de medicina?

Alexandre Padilha - Além da urgência de termos mais médicos no Brasil é muito importante uma mudança na formação do profissional médico hoje. Esse profissional, atualmente, passa por uma especialização precoce e, muitas vezes, passa o curso inteiro sem um contato mais permanente com a realidade do povo brasileiro.

PT na Câmara – O senhor pode detalhar melhor essa questão?

Alexandre Padilha - Vou citar um exemplo concreto: um estudante de medicina, hoje, durante os seis anos, não tem a oportunidade de acompanhar a mesma gestante do pré-natal aos nove meses de gravidez; não acompanha o parto dessa gestante e nem faz o acompanhamento da criança dessa gestante nos primeiros seis meses de vida. Isso demonstra que precisamos fazer uma mudança na formação do profissional médico. O Programa Mais Médicos também prevê o aumento desse contato e, com isso, formaremos médicos cada vez mais qualificado, conhecendo mais a realidade do nosso povo.

PT Na Câmara - Houve por parte de algumas entidades médicas a tentativa de boicotar o programa. Porque aquele que jurou salvar vidas se recusa a participar ou defender um programa que tem esse objetivo?

Alexandre Padilha - Eu respeito qualquer tipo de manifestação que vise aprimoramento ou críticas que possam existir. O Congresso Nacional vai aprimorar a proposta. Estamos debatendo, acompanhando, e todas as sugestões são bem-vindas. O que lamento são as atitudes que tentam prejudicar a população. Eu lamento, por exemplo, que se cancele cirurgias ou exames, prejudicando, exatamente, a população que usa os serviços do SUS e que necessita desse atendimento. Como também lamento qualquer postura que tenha servido para postergar a chegada dos médicos à população.

PT Na Câmara - Pesquisa recente aponta que a população começou a perceber a importância do programa. E, que, a maioria aprova a criação do Mais Médicos. Qual a avaliação o senhor faz dessa pesquisa?

Alexandre Padilha - A população começa a perceber que o governo federal está usando todas as estratégias possíveis para atacar um problema emergencial. Temos municípios e unidades de saúde que não têm médico na atenção básica que atue nos primeiros cuidados e que resolveria 80% dos problemas de saúde.  Através do Programa Mais Médicos estamos oferecendo infraestrutura, ampliando vagas, dando oportunidade para jovens que querem fazer medicina. Além disso, estamos dando oportunidade aos médicos que se formam de poderem fazer especialização através da residência médica. Acredito que, aos poucos, estamos mostrando à população que esse programa não tira  emprego de nenhum médico brasileiro e, sim, dá mais oportunidade a esses profissionais de poderem trabalhar. São 35 mil postos de trabalho criados com os investimentos de infraestrutura. Todas essas ações estão sendo avaliadas positivamente pela maioria da população.

PT na Câmara – E sobre a polêmica em torno da vinda dos médicos estrangeiros?

Alexandre Padilha - Os médicos formados em outros países só virão trabalhar nas vagas não ocupadas por médicos brasileiros. É um programa que vai fazer uma avaliação da qualidade dos médicos que venham a trabalhar no Brasil. A população está entendendo isso e certamente vai entender ainda mais quando esses médicos chegarem para trabalhar a partir de setembro.

PT Na Câmara - Ministro, as manifestações contrárias levaram o senhor a pensar, em algum momento, em desistir do programa?

Alexandre Padilha - Pelo contrário.  Sou um ministro que não fica parado em gabinete. Vou às unidades de saúde, aos hospitais. A realidade de saúde do nosso povo só reforça a importância desse programa. Iremos até o fim com ele. O que nos move é levar médicos para a população que hoje não tem médico perto. Usaremos todas as estratégias possíveis para levar profissionais médicos onde mais precisa.

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