terça-feira, 21 de agosto de 2012

CPMI: Odair defende identificação e sequestro de bens financeiros da organização criminosa

cpmitraficopessoas-210812Os procuradores Léa Batista e Daniel Rezende alertaram os membros da CPMI do Cachoeira que a organização liderada pelo contraventor continua articulada. Eles falaram à comissão nesta terça-feira (21). Segundo eles, tal fato pode ser comprovado a partir das ameaças, chantagens e intimidações sofridas pelos condutores do caso. Léa Batista disse que o desafio do Ministério Publico Federal e da CPMI é identificar e centrar na evolução patrimonial da organização criminosa como forma de sufocá-la. 

A integrante do MP afirmou que organização usa diversas contas “laranja” para movimentar recursos recebidos ilegalmente. Segundo ela, a organização ganha “corpo” internacional por meio de empresas Off-Shore. Nessa mesma direção o procurador Daniel Resende afirmou que a organização comprou site no exterior (Brasil Bingos) para venda de caça-níqueis em outros países. 

"Foram criadas empresas Off-Shore no Uruguai, em Curaçao e no Reino Unido, administrada por Lenine Araújo, um dos braços da organização criminosa", informou Resende. Ele contou que não foi possível aprofundar a investigação sobre o destino do dinheiro arrecadado com os jogos pela organização de Cachoeira. "Temos apenas algumas informações que precisam ser exploradas", afirmou.

O relator da CPMI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG) e o vice-presidente, Paulo Teixeira (PT-SP) avaliam como “essencial” a identificação dos recursos financeiros oriundos da organização criminosa. Eles defendem também o retorno dos recursos provenientes de atividades ilícitas aos cofres públicos. “Precisamos desmontar essa organização criminosa, por isso sequestrar os bens da organização é essencial”, avaliou Odair Cunha.
Recursos ilícitos - O relator lembrou que os R$ 167 milhões apreendidos na Operação Monte Carlo têm um prazo a ser cumprido e a celeridade na ação penal vai garantir o retorno desses valores aos cofres públicos. “Para que essa organização criminosa seja desmontada é essencial que esses bens sejam definitivamente sequestrados e esse sequestro depende necessariamente do trabalho que estamos fazendo em parceria com o Ministério Público”, avaliou Odair Cunha.

O vice-presidente da comissão, deputado Paulo Teixeira, classificou de importante a participação dos procuradores na CPMI. De acordo com ele, a comissão tem dois focos principais, “a parte econômica da organização e seus estrangulamentos e os atores políticos, públicos e da imprensa envolvidos com essa organização”, disse Teixeira. 

Código do silêncio - A procuradora Léa Batista classificou a organização de "armada, complexa e ousada, com características mafiosas”. De acordo com Léa Batista, existe um “código de silêncio” que protege a organização criminosa e seus membros. “Eles são leais a Carlos Cachoeira”, constatou a procuradora. Segundo ela, esse código de silêncio fica “bem claro” quando os convocados silenciam tanto na CPMI quanto na Justiça Federal. “O silêncio é um direito de todos, mas o código de silêncio adotado nos depoimentos à CPMI e à Justiça Federal é típico de organizações mafiosas”, declarou.

Agenda – A comissão ouve nesta quarta-feira (22) o ex-tesoureiro da campanha de Marconi Perillo ao governo de Goiás, em 2010, Jayme Eduardo Rincón. Ele é presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop). As investigações da PF revelam um depósito do grupo de Cachoeira no valor de R$ 600 mil na conta da empresa Rental Frota Ltda, que tem Rincón como um dos sócios. A comissão ouve também o policial aposentado Aredes Correia Pires.
A reunião acontece no plenário 2 da ala senador Nilo Coelho.
Benildes Rodrigues
texto publicado originalmente no site PT na Câmara

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