CPMI: Odair defende identificação e sequestro de bens financeiros da organização criminosa

A
integrante do MP afirmou que organização usa diversas contas “laranja”
para movimentar recursos recebidos ilegalmente. Segundo ela, a
organização ganha “corpo” internacional por meio de empresas Off-Shore.
Nessa mesma direção o procurador Daniel Resende afirmou que a
organização comprou site no exterior (Brasil Bingos) para venda de
caça-níqueis em outros países.
"Foram
criadas empresas Off-Shore no Uruguai, em Curaçao e no Reino Unido,
administrada por Lenine Araújo, um dos braços da organização criminosa",
informou Resende. Ele contou que não foi possível aprofundar a
investigação sobre o destino do dinheiro arrecadado com os jogos pela
organização de Cachoeira. "Temos apenas algumas informações que precisam
ser exploradas", afirmou.
O relator da CPMI do Cachoeira, deputado Odair Cunha (PT-MG) e o vice-presidente, Paulo Teixeira (PT-SP) avaliam
como “essencial” a identificação dos recursos financeiros oriundos da
organização criminosa. Eles defendem também o retorno dos recursos
provenientes de atividades ilícitas aos cofres públicos. “Precisamos
desmontar essa organização criminosa, por isso sequestrar os bens da
organização é essencial”, avaliou Odair Cunha.
Recursos ilícitos
- O relator lembrou que os R$ 167 milhões apreendidos na Operação Monte
Carlo têm um prazo a ser cumprido e a celeridade na ação penal vai
garantir o retorno desses valores aos cofres públicos. “Para que essa
organização criminosa seja desmontada é essencial que esses bens sejam
definitivamente sequestrados e esse sequestro depende necessariamente do
trabalho que estamos fazendo em parceria com o Ministério Público”,
avaliou Odair Cunha.
O
vice-presidente da comissão, deputado Paulo Teixeira, classificou de
importante a participação dos procuradores na CPMI. De acordo com ele, a
comissão tem dois focos principais, “a parte econômica da organização e
seus estrangulamentos e os atores políticos, públicos e da imprensa
envolvidos com essa organização”, disse Teixeira.
Código do silêncio
- A procuradora Léa Batista classificou a organização de "armada,
complexa e ousada, com características mafiosas”. De acordo com Léa
Batista, existe um “código de silêncio” que protege a organização
criminosa e seus membros. “Eles são leais a Carlos Cachoeira”, constatou
a procuradora. Segundo ela, esse código de silêncio fica “bem claro”
quando os convocados silenciam tanto na CPMI quanto na Justiça Federal. “O
silêncio é um direito de todos, mas o código de silêncio adotado nos
depoimentos à CPMI e à Justiça Federal é típico de organizações
mafiosas”, declarou.
Agenda
– A comissão ouve nesta quarta-feira (22) o ex-tesoureiro da campanha
de Marconi Perillo ao governo de Goiás, em 2010, Jayme Eduardo Rincón.
Ele é presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas
(Agetop). As investigações da PF revelam um depósito do grupo de
Cachoeira no valor de R$ 600 mil na conta da empresa Rental Frota Ltda,
que tem Rincón como um dos sócios. A comissão ouve também o policial
aposentado Aredes Correia Pires.
A reunião acontece no plenário 2 da ala senador Nilo Coelho.
Benildes Rodrigues
texto publicado originalmente no site PT na Câmara
Comentários
Postar um comentário