CPMI: Petistas questionam decisão de não votar convocação de diretor da Veja

“Há
uma espécie de acordo para não botar em pauta a convocação do Policarpo
Júnior, apesar de todos os indícios apontados em mais de 73 gravações
da Polícia Federal mostrarem a relação direta dele com o crime organizado
do Carlos Cachoeira em diálogos não republicanos”, lamentou Jilmar
Tatto.
De
acordo com o líder petista, a tese da liberdade de imprensa, sustentada
pelos defensores da não convocação do jornalista, não se sustenta.
Segundo Jilmar Tatto a imprensa é livre, democrática e vem cumprindo o
papel dela. Para ele, o que está em debate é a relação estreita entre o
jornalista e o crime organizado liderado por Carlos Cachoeira,
comprovada pelas interceptações telefônicas da Polícia Federal, nas
operações Vegas e Monte Carlo.
“Não
se trata de liberdade de imprensa ou democratização dos meios de
comunicação. Estamos falando de um senhor que atravessou o rubicão (pessoas que tomam decisão arriscada de maneira irrevogável) ao aliar-se ao crime organizado”, sentenciou o líder.
Para
o deputado e jornalista Emiliano José, a CPMI precisa responder se tem
condições de analisar esse caso de maneira isonômica. “A questão que
está posta no caso do Jornalista Policarpo Júnior é se a CPI tem
condições de analisar o crime de maneira igual ou se o que se chama de
instituição jornalística pode praticar crime impunimente ou, ainda, se
vamos olhar esses crimes como se nada estivesse acontecendo?”,
questionou.
Emiliano
fez questão de traçar um paralelo entre o caso envolvendo o jornalista
da revista Veja e o escândalo do magnata da imprensa britânica, Rupert
Murdoch, dono do tablóide News of the Word, denunciado por práticas
ilegais no exercício do jornalismo. Ele lembrou também que a Inglaterra
não deixou de ser um país democrático só porque puniu jornalista e
empresários da imprensa.
“O
Estado inglês não virou estado policial porque enfrentou o crime da
imprensa ou porque enfrentou o Rupert Mourdoch. A Inglaterra soube
enfrentar o crime organizado da imprensa. Esse é um caso que tem muita
semelhança com o que está acontecendo no Brasil. Talvez seja mais grave o
que fez o jornalista Policarpo Junior em relação ao que ocorreu na
Inglaterra”, avaliou Emiliano José.
Nesse
contexto, o parlamentar espera que a comissão tenha atitude isonômica e
convoque o jornalista Policarpo Júnior para explicar porque tanta “
intimidade” e “troca de interesse” entre ele e Carlos Cachoeira.
Dr.
Rosinha, autor do requerimento de convocação do jornalista da Veja,
disse que existe intimidação por parte de “alguns” que utilizam a
retórica de cerceamento para não convocar o jornalista. “Será que
jornalista é protegido constitucionalmente? Não pode depor em lugar
nenhum, mesmo quando suspeito de ter cometido um crime?”, questionou.
Dr.
Rosinha defende que a CPMI coloque em pauta, na próxima reunião, a
convocação do jornalista. De acordo com o parlamentar, a comissão não
pode ficar protelando esse depoimento com o argumento de proteção da
mídia. “Não é proteção da mídia. É proteção de um cidadão sobre o qual
recai suspeita de ações criminosas. A essa CPI não cabe esse tipo de
proteção”, sustentou o petista.
Reconvocação –
A comissão aprovou na reunião administrativa desta terça-feira a
reconvocação de Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlos Cachoeira. A
reconvocação surgiu após a afirmação da sua mulher Andressa Mendonça, a
um programa de televisão, de que o marido dela estava disposto a falar à
comissão.
Agenda
– Nesta quarta-feira (15) a comissão ouve Edivaldo Cardoso de Paula,
Rosely Pantoja da Silva e Hillner Braga Ananias. A reunião ocorre no
plenário 2 da Ala senador Nilo Coelho, às 10h15.
Benildes Rodrigues
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