Demóstenes Torres: Deputados petistas consideram justa cassação do mandato

Demóstenes foi pego em interceptações telefônicas da Polícia Federal (PF) fazendo uso do mandato em benefício do grupo liderado pelo contraventor Carlos de Almeida Ramos, o Carlos Cachoeira.
Em seu parecer, o senador Humberto Costa (PT-PE), relator do caso no Conselho de Ética sustentou o argumento de que Demóstenes Torres “abusou de prerrogativas asseguradas a membros do Congresso Nacional". Já o relator do processo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, senador Pedro Taques (PDT-MT) afirmou que "o senador adotou conduta incompatível com o decoro parlamentar, ferindo de morte a dignidade do cargo e a ética que se impõe".
O líder da bancada do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (foto PT-SP), classificou a decisão como “justa”. Ele lembrou que Demóstenes Torres foi considerado um dos políticos mais “éticos” do Congresso Nacional.
“O senador Demóstenes, do DEM, passava uma imagem de probo. Ele fazia o discurso da ética moralista, onde atacava o governo do ex-presidente Lula, da presidenta Dilma e o PT. A verdade é que quem fazia a maracutaia era justamente ele. Portanto, está de parabéns o Senado por ter tomado uma decisão corajosa, firme e por ter feito justiça tirando o mandato desse senhor que só fez mal ao parlamento brasileiro”, afirmou Jilmar Tatto.
Na avaliação do deputado Odair Cunha (PT-MG), relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga as relações do crime organizado liderado por Cachoeira com agentes públicos e privados, o Senado deu um grande passo.
“A posição assumida pelos senadores reforça o poder legislativo e legitima ainda mais a democracia brasileira à medida em que dá uma resposta ética, ao cassar uma pessoa que se associou a uma organização criminosa”, avaliou o relator.
Odair considerou a cassação de Demóstenes Torres como parte do processo de investigação da CPMI. Segundo ele, os fatos, aos poucos, vieram à tona e levaram à descoberta da organização criminosa. Para ele, a cassação reforça também a necessidade da continuidade das investigações.
Já o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), relator do projeto de lei (PL 6826/10) que estabelece punição severa às pessoas jurídicas que praticarem atos ilícitos, destacou a importância da decisão do Senado. “O que vimos foi um senador que se dispôs a servir não a interesses privados de setores econômicos, mas a interesses privados do crime organizado. Foi uma decisão importante e correta do Senado”, declarou Zarattini.
Benildes Rodrigues
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